ICe é destaque em Prêmio de Iniciação Científica da UFRN

O estudante Abraão Lucas Pereira de Andrade, do Laboratório de Neurogenética do Instituto do Cérebro (ICe/UFRN), foi um dos vencedores do Prêmio Destaque de Iniciação Científica (eCICT) promovido pela Pró-Reitoria de Pesquisa (Propesq/UFRN), na categoria Vídeo Destaque de Divulgação Científica. O Vídeo Os Efeitos da Exposição Embrionária ao Ácido Valpróico no Desenvolvimento de Vocalizações e no Comportamento Social em Mandarim Diamante é um dos projetos do Laboratório que visam a desenvolver um modelo de autismo em pássaros com o objetivo de estudar defeitos no desenvolvimento da fala comumente observados em pacientes. Além de Abraão, três outros estudantes do ICe foram finalistas do prêmio.

VEJA VÍDEO

Na proposta do Vídeo, Abraão e seu orientador, o neurocientista Tarciso Velho, descreveram um plano para gerar um modelo farmacológico do autismo, expondo embriões do mandarin diamante, uma ave canora amplamente utilizada em laboratórios, ao valproato (VPA). Essa manipulação abrirá um novo caminho para investigar o papel do VPA na formação e no funcionamento dos circuitos cerebrais envolvidos na comunicação vocal. Essa abordagem deve contribuir para uma melhor compreensão de como a exposição ao VPA durante o desenvolvimento resulta em defeitos de comunicação em pacientes com TEA.

A comunicação verbal é uma função-chave frequentemente afetada em vários distúrbios neurológicos do desenvolvimento, incluindo o transtorno do espectro autista (TEA). Acredita-se que as deficiências de linguagem associadas a esses distúrbios podem ser devido a perturbações na formação das áreas cerebrais envolvidas na comunicação vocal. Nos últimos anos, várias abordagens genômicas revelaram polimorfismos em uma série de genes ligados ao TEA. No entanto, a abordagem experimental tradicional em modelos animais de um gene por vez está aquém de modelar adequadamente distúrbios de amplo espectro e predominantemente multigénica como o autismo. Além disso, roedores como camundongos e ratos, as espécies mais utilizadas, não são ideais para estudar comportamentos sociais e de comunicação.

Assim, o desenvolvimento de um modelo animal de TEA para o estudo da comunicação vocal é de grande importância para compreender melhor os defeitos relacionados à linguagem observados nesses transtornos. Pássaros canoros são atualmente o melhor modelo animal para estudar a comunicação vocal. O aprendizado do canto nesses animais e a aquisição da fala em humanos compartilham várias características, incluindo um período crítico para o aprendizado, necessidade de audição intacta, uma predisposição inata para aprender as vocalizações da própria espécie e o aprendizado que depende de contingências sociais. Embora seja um excelente modelo de aprendizado vocal, o potencial das aves canoras para modelar distúrbios que afetam o desenvolvimento vocal não foi totalmente explorado.

Finalistas

Três outros estudantes foram finalistas do eCICT 2020, mas na categoria Trabalho Destaque. São eles: Taíla Maciel de Alencar Fialho, do Laboratório de Plasticidade de Circuitos Neurais, coordenado por Rodrigo Neves Romcy-Pereira, Martony Guerra Borges de Souza e Luana Adalice Borges de Araujo Lima, estes do Laboratório de Endocrinologia Comportamental, coordenado pela médica Maria Bernardete Cordeiro de Sousa.

Taíla Maciel de Alencar Fialho é discente do 10º período do curso de Biomedicina da UFRN e, desde 2018, faz parte do Laboratório de Plasticidade em Circuitos Neurais como aluna de iniciação científica, onde ajuda na pesquisa com autismo. Um dos principais sintomas desse transtorno é a presença de falhas na comunicação, que aparecem já nos primeiros anos de vida do indivíduo. Dessa forma, o estudo espera encontrar alterações nos padrões de vocalização de ratos modelo de autismo que possam estar correlacionadas com déficits comportamentais.

O Laboratório registra as vocalizações ultrassônicas (USVs) – ondas sonoras na faixa de frequência que não é perceptível por seres humanos – desses animais com o intuito de analisar os marcos do desenvolvimento dessas emissões. As vocalizações induzidas por isolamento têm papel ecológico de estimular a atenção materna, uma vez que a prole necessita ter o cuidado da mãe para sobreviver. Dessa forma, a partir do nascimento, os animais já começam a vocalizar.

A partir do estudo de alterações no padrão de vocalização de ratos neonatos modelo de autismo, é possível ter uma compreensão acerca de alterações em regiões do cérebro que estão envolvidas com a comunicação e como essas alterações estão relacionadas ao autismo em humanos. Além disso, esse modelo pode ser uma importante ferramenta para o desenvolvimento de terapias que sejam capazes de melhorar os déficits comportamentais.

Graduanda em Biomedicina pela UFRN, Luana Adalice Borges de Araujo integra pesquisa de doutorado da fisioterapeuta Rafaela Faustino, no Laboratório de Endocrinologia Comportamental. Esse trabalho busca corroborar evidências de que os Hormônios Sexuais Femininos (HSFs) exercem efeitos sobre áreas do cérebro, especialmente o córtex cerebral (camada mais externa do cérebro), durante a prática de atividades relacionadas ao planejamento e execução do movimento. Busca, ainda, evidências das implicações dos HSFs sobre o comportamento. Uma das atividades motoras exploradas nesse estudo é o Teste de Reconhecimento da Lateralidade Manual (TRLM). Os resultados apresentados no eCICT referem-se ao desempenho comportamental nesse teste em diferentes fases do ciclo menstrual de mulheres jovens, de 18 a 30 anos.

O objetivo deste estudo foi verificar se o desempenho no TRLM se modifica em função das diferentes fases do ciclo menstrual, de modo a indicar se os HSFs influenciam a Imagética Motora Egocêntrica, ensaio mental considerado uma etapa do processo cognitivo motor. Como a fase folicular do ciclo menstrual (fase com o maior nível de estrógenos) tem sido associada na literatura com maior desempenho motor em testes de coordenação e destreza manual, quando comparado a duas outras fases do ciclo menstrual, menstrual (com baixos níveis hormonais) e luteal (com altos níveis de progesterona), esperava-se que a prática de imagética motora egocêntrica também fosse facilitada na fase folicular do ciclo menstrual

Martony Guerra Borges de Souza é também estudante de Biomedicina na UFRN. Ele colabora com o Laboratório de Endocrinologia Comportamental com foco em Sistema nervoso autônomo, variabilidade da frequência cardíaca e hormônios.

Deixe uma resposta