Seminário discute comunicação vocal e audição de pássaros canoros

O projeto Seminários em Neurociências desta sexta-feira, 4, vai discutir sobre a Comunicação vocal, audição e longevidade com pássaros canoros, beija-flores e papagaios. O convidado é o neurocientista Claudio Mello, professor de Neurociência Comportamental na Universidade de Saúde e Ciência de Oregon (OHSU/USA) e um dos membros do conselho científico do Instituto do Cérebro (ICe/UFRN). Devido à diferença de fuso horário, a discussão acontece em horário diferente do habitual, começando às 11h50, no canal do ICe no YouTube.

A pesquisa de Claudio Mello busca compreender a base genética molecular e neuronal dos comportamentos aprendidos. Seu programa de pesquisa é centrado na investigação da biologia da aprendizagem vocal, um traço comportamental que permite a aquisição da fala e da linguagem em humanos. A aprendizagem vocal é bastante rara entre os mamíferos, mas é muito proeminente em três grupos de pássaros: pássaros canoros, papagaios e beija-flores. Para estudar o comportamento vocal e as vias cerebrais relacionadas a esses vocais aviários, o laboratório de Mello utiliza técnicas moleculares, genômica comparativa e funcional, rastreamento do trato neuroanatômico e abordagens comportamentais em espécies representativas, principalmente os tentilhões-zebra.

Além de numerosos estudos sobre a organização molecular e anatômica do controle vocal de aves e sistemas de aprendizagem vocal, o laboratório Mello tem participado ativamente em vários esforços colaborativos e de construção de recursos. Um deles, foi caracterizar os perfis de expressão de genes expressos no cérebro em tentilhões-zebra. Consequentemente, ele desenvolveu a Zebra finch Expression Brain Atlas (ZEBrA; www.zebrafinchatlas.org) um banco de dados on-line e em expansão de imagens digitais de hibridização de alta resolução de genes expressos no cérebro, com referência a um atlas histológico.

O ZEBrA contém numerosos marcadores moleculares de núcleos vocais, representando reguladores candidatos de características únicas de comportamento de aprendizagem vocal e vias cerebrais relacionadas. Também contém vários marcadores de áreas amplas do cérebro, contribuindo para estudos comparativos da neuroanatomia dos vertebrados e da evolução do cérebro. Por meio de portais específicos e de uma ferramenta de atributos, o ZEBrA fornece informações sobre como os genes estão associados à função da fala e da linguagem, a distúrbios genéticos humanos, a fenótipos neurológicos e comportamentais de camundongos e a padrões de expressão cerebral em mamíferos.

Em 2018, um estudo do genoma do papagaio, liderado por Mello, revelou genes associados à cognição e à longevidade. A descoberta foi publicada no The New York TimesNew Scientist e The Portland Business Journal. Também em 2018, sua pesquisa revelou uma espécie de beija-flor com um canto bem acima do alcance auditivo conhecido de qualquer espécie de ave já registrada. Ao compreender o mecanismo da audição em uma faixa tão alta, pode ser possível aplicar esse conhecimento às pessoas. A descoberta foi publicada na Nature, na National Geographic e na Popular Science.

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