Escritora Ana Maria Gonçalves visita Instituto do Cérebro para pesquisar relação entre neurologia e menopausa 

(Agecom/UFRN)

Ana Maria Gonçalves, imortal da Academia Brasileira de Letras, é recebida por neurocientistas do ICe. Foto: Agecom/UFRN

A premiada escritora Ana Maria Gonçalves, autora do livro Um Defeito de Cor e primeira mulher negra na Academia Brasileira de Letras (ABL), visitou o Instituto do Cérebro (ICe) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), nesta quinta-feira, 28, para aprofundar suas pesquisas sobre o que denomina como “neuropausa”. O encontro, mediado pela diretora do Instituto, professora Bernardete Sousa, reuniu pesquisadores e gestores para discutir os impactos neurológicos do climatério e a necessidade de uma literatura científica brasileira que aborda a menopausa além da ginecologia. 

Os professores e neurocientistas do ICe, Draúlio Barros de Araújo, Marcos Costa e Sidarta Ribeiro, expuseram suas pesquisas em áreas como a depressão, o Alzheimer e o sono. Participaram da reunião ainda os professores Josenildo Bezerra, diretor do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA/UFRN); Tânia Lima, escritora e criadora do projeto Griots; e Tarcísio Velho, vice-diretor do ICe; além do jornalista e escritor Octávio Santiago, que recebe Ana Maria Gonçalves em Natal para o festival Ocupação Literária.

Foto: Gabriel Marcos (ICe/UFRN)

O interesse da escritora pelo tema menopausa surgiu de uma necessidade pessoal e artística, resultando em um projeto de escrita quase autobiográfico. Para Ana Maria, é fundamental compreender como o cérebro é afetado durante essa fase da vida, especialmente no que diz respeito à criatividade e aos sintomas físicos. “Atualmente, tem me interessado muito o tema da neuropausa. Eu estou escrevendo sobre, quase autobiográfico, porque o fogacho, por exemplo, é algo que tem me atravessado muito nesses anos”, relatou a imortal. 

Durante a conversa, Ana Maria também destacou a lacuna na produção científica nacional sobre esse tema tratado na ótica da neurociência. “Eu acho que a gente precisa começar a pensar a partir da neurologia, porque é o cérebro que atua na neuropausa e provoca todos esses sintomas na gente. Então, eu estou interessada em entender o funcionamento do cérebro, primeiro, no processo criativo, e, depois, na neuropausa”, explicou aos pesquisadores. 

Foto: Gabriel Marcos (ICe/UFRN)

A perspectiva científica trazida pelos neurocientistas complementou as observações da escritora ao apontar possíveis vieses de gênero na medicina. Segundo os docentes, embora existam dados epidemiológicos sugerindo maior prevalência de doenças como o Alzheimer em mulheres, os indicadores biológicos nem sempre confirmam essa diferença, o que levanta questionamentos sobre diagnósticos baseados em fatores sociais. 

De acordo com informações compartilhadas pelo professor Marcos Costa durante o encontro, “isso, provavelmente, indica que, clinicamente, existe uma tendência de diagnosticar déficit cognitivo em mulheres, enquanto a patologia não confirma isso. Então, traz uma questão se nosso diagnóstico não está sendo um pouco enviesado, como muitos foram, historicamente”.

O encontro reforçou o papel do ICe como um centro de excelência capaz de dialogar com a arte e a sociedade, buscando respostas para fenômenos biológicos que, como a menopausa, impactam profundamente a vida e a produção intelectual das mulheres.