Na última terça (10), a Secretaria Regional da Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência no Rio Grande do Norte (SBPC-RN) realizou, com o apoio do Instituto do Cérebro da UFRN, a mesa redonda “Mobiliza Pesquisa RN”. O encontro aconteceu no auditório do Instituto do Cérebro da UFRN e contou com a participação das pró-reitoras de pesquisa do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), Francinaide Nascimento; da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), Ellany Gurgel; da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), Liana Nobre; da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Silvana Zucolotto; e do diretor da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Norte (FAPERN), Gilton Sampaio.
A diretora do Instituto do Cérebro, profa. Bernardete Cordeiro, deu as boas-vindas aos participantes e abriu o evento. A mediação ficou a cargo do prof. Claudio Queiroz, secretário regional da SBPC-RN. A mesa foi transmitida ao vivo pelo canal do instituto e contou com ampla participação da comunidade acadêmica (aqui). Este foi o primeiro encontro público da FAPERN com a comunidade científica do estado em pelo menos quatro anos.
A conversa foi orientada pela pergunta proposta pela SBPC-RN: “Como sua instituição contribui para o fortalecimento do sistema estadual de CT&I do RN e quais são os principais desafios e oportunidades nesse processo?”
As apresentações destacaram indicadores institucionais como número de estudantes, programas de pós-graduação, bolsas concedidas, captação de recursos e áreas de atuação. De modo geral, as instituições relataram esforços contínuos para ampliar o financiamento da pesquisa, especialmente por meio de agências federais. Ainda assim, a cobertura de bolsas permanece limitada: entre 30% e 50% dos estudantes de iniciação científica e de pós-graduação recebem apoio financeiro.
Também foi ressaltada a assimetria entre as instituições de ciência, tecnologia e inovação do estado. A UFRN concentra a maior parte dos grupos de pesquisa e da produção científica. No entanto, segundo a pró-reitora de pesquisa da universidade, “a UFRN não tem um programa de financiamento junto à FAPERN como as demais instituições do estado”, afirmou Silvana Zucolotto.
De forma geral, ficou evidente que os recursos atualmente disponíveis na FAPERN são insuficientes para atender à demanda gerada pela capacidade científica instalada no estado e pelas necessidades da sociedade potiguar.

Financiamento da pesquisa no RN
Dados do Portal da Transparência do estado indicam que o investimento estadual na Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (SEDEC) corresponde a cerca de 0,08% do orçamento total, o que representa aproximadamente R$ 10 milhões em 2025. Segundo o prof. Claudio Queiroz, esse percentual cresceu nos últimos anos (era próximo de 0,02% em 2020), mas ainda permanece baixo em comparação com outros estados. Enquanto o RN investe cerca de R$ 3 por habitante em ciência e tecnologia, estados como Pernambuco, Paraíba, Ceará e Sergipe destinam valores entre R$ 11 e R$ 13 por habitante. Em São Paulo, referência nacional em financiamento científico, o investimento per capita ultrapassa R$ 50.
Diálogo e articulação
Ao final da sessão, os participantes destacaram a importância de ampliar os espaços de diálogo entre a FAPERN, as instituições de ensino e pesquisa, o governo estadual e a comunidade científica. Atualmente, existem poucos fóruns regulares para discutir essas questões de forma aberta e transparente.
Nesse contexto, a SBPC-RN pretende fortalecer sua interlocução com gestores públicos e atores políticos, buscando dar maior visibilidade às demandas da ciência potiguar. A mesa foi encerrada com perguntas e contribuições do público, reforçando a percepção de que o fortalecimento do sistema estadual de ciência, tecnologia e inovação depende de maior articulação entre instituições, pesquisadores e governo.
