Pesquisadores do Instituto do Cérebro publicaram um artigo que explica como sons amedrontadores têm prioridade para chegar aos circuitos que controlam a locomoção. Com o título “Auditory regulation of hippocampal locomotion circuits by a non-canonical reticulo-limbic pathway” , o trabalho tem como primeira autora Jessica Winne (doutora em Neurociência pelo ICe-UFRN) com participação dos professores Katarina Leão e Richardson Leão.
O trabalho revela que sons altos e inesperados – como ruídos intensos, que sugerem perigo – podem alterar a atividade do hipocampo, uma região do cérebro essencial para navegação e memória. Curiosamente, essa resposta acontece por uma rota alternativa que ignora o córtex auditivo, ativando diretamente circuitos ligados à locomoção e atenção.
Usando técnicas avançadas como optogenética, quimiogenética e imagem de cálcio – nas quais o ICe é pioneiro no Brasil – os pesquisadores descobriram que o ruído acelera as oscilações cerebrais chamadas “theta”, sincronizando o hipocampo com o córtex pré-frontal, como se o cérebro estivesse se preparando para reagir a uma ameaça. Essa descoberta abre caminho para entender como sons inesperados impactam nosso comportamento e atenção, mesmo quando estamos em movimento.
“Na prática, é assim: imagina que você está atravessando uma rua e fazendo outra coisa, tipo olhando o WhatsApp, porque os seus circuitos de navegação já estão te levando para o lugar que você quer ir. Aí vem um carro e buzina. Você esquece até o nome! Isso é um mecanismo de preservação”, explica o professor Richardson.
Para ler o texto completo, acesse: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0301008225001029?dgcid=coauthor

