Mais uma pesquisa do ICe-UFRN ganha repercussão internacional

Pesquisa desenvolvida por cientistas ICe-UFRN e do Departamento de Neurociências da Universidade de Uppsala (Suécia) que descobriu as “células da coragem” ganhou o mundo e foi destaque em diversas publicações especializadas no Brasil e exterior. Os periódicos reproduziram o release enviado, mas cada um deu o destaque à sua maneira, valorizando as questões que considerou mais relevante.

Adepto a esportes radicais, como o snowboard, o neurocientista Richardson Leão, está entre aqueles que têm menos estresse em situações de risco

O US Today disse que a pesquisa pode ajudar as pessoas com ansiedade. A plataforma Science Trends reforçou esta informação, destacando que os resultados podem ser úteis na busca de tratamentos viáveis para pacientes com ansiedade crônica. A revista nova-iorquina Newsweek trouxe que o estudo oferece oportunidade de novo tratamento para pessoas com transtornos de ansiedade. Na Rússia, a Naked Science, destacou que os neurônios OLM no hipocampo são responsáveis pela nossa predisposição ao risco.

O artigo, publicado originalmente na Nature Communications, mostra que algumas células no hipocampo desempenham um papel fundamental no comportamento de risco e ansiedade. Segundo os autores Richardson Leão, Sanja Mikulovic, Ernesto Restrepo, Klas Kullander, entre outros, a ansiedade e o comportamento de risco podem ser controlados pela manipulação de células oriens lacunosum-moleculare (OLM).

Isso porque, as células OLM, quando estimuladas, produzem um ritmo cerebral que está presente quando os animais se sentem seguros em um ambiente ameaçador. Por exemplo, quando estão se escondendo de um predador, mas estão cientes de sua proximidade.

Para os pesquisadores, encontrar um caminho que possa modular de maneira rápida e robusta o comportamento de assumir riscos é muito importante para o tratamento da ansiedade patológica já que o comportamento de risco reduzindo é uma característica comum em pessoas com alto nível de ansiedade.

A ansiedade adaptativa (ou normal) é essencial para a vida diária, pois pode nos proteger de danos. No entanto, em um grande número de pessoas, ela pode ser disfuncional e interferir gravemente em sua rotina. Nesses casos, os médicos geralmente dependem de antidepressivos para levantar pacientes desse estado. O problema é que essas drogas atuam no cérebro como um todo e podem ter efeitos colaterais graves.

Porém, outro achado interessante do novo estudo é que as células OLM também podem ser controladas por agentes farmacológicos. Para pesquisadores a possibilidade de atuar em uma única região do cérebro, manipulando um grupo muito específico de células para controlar a ansiedade pode ser um grande avanço no tratamento da ansiedade e de distúrbios associados, como a depressão.

A descoberta do papel desses neurônios na ansiedade e no risco e a capacidade de controlá-los farmacologicamente podem abrir caminho para o desenvolvimento de ansiolíticos e antidepressivos altamente eficientes para uso humano, sem os efeitos colaterais usuais.

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