Laboratório de Neurofisiologia do Comportamento

  • Os sistemas nervosos evoluíram como mediadores de um laço sensório-motor, organizando respostas comportamentais apropriadas às condições ambientais lidas pelos sentidos. Uma meta fundamental da neurociência é portanto entender como os circuitos cerebrais funcionam para gerar a percepção e organizar o comportamento. Grandes avances foram feitos registrando atividade cerebral em modelos animais realizando tarefas sensório-motoras estruturadas e reproduzíveis. Esta aproximação permite ao experimentador realizar análises estatísticas de correlatos neurais sob condições controladas. Isto tem, porém, um custo, já que tanto os estímulos como os comportamentos são restritos e forçados fora das condições naturais sob as quais a função cerebral evoluiu. Técnicas modernas de registro e análise estão gerando uma nova onda de etologia, permitindo o estudo de comportamentos naturais em animais com liberdade de movimentação sob análise quantitativo detalhado.

    O nosso laboratório se propõe contribuir à compreensão do funcionamento do cérebro dos mamíferos mediante o desenvolvimento de novas aproximações para o estudo destes comportamentos junto com registros distribuídos de atividade neuronal.

    Nós estamos estudando desse jeito a comunicação vocal usando ratos como modelo animal. Os ratos produzem vocalizações num rango de frequências que vão desde o sônico ao ultrassônico. Acima de 30 kHz os ratos possuem um repertorio rico de vocalizações abrangendo um rango amplio de frequências, modulação e duração. A função desses chamados no comportamento social é porém desconhecida. Nós desenvolvemos métodos para registrar e analisar automaticamente vocalizações ultrassônicas de pares de ratos interagindo socialmente e estamos estudando a existência de estrutura na produção de cada individuo e na interação. Estamos também correlacionando os chamados com o comportamento e a fisiologia dos emissores e receptores para compreender sua função.

    O estudo quantitativo do comportamento vocal nos apontou para a possível existência de ritmos globais no rato, envolvendo tanto atividade rítmica motora como oscilações neurais nas mesmas taxas. Estamos agora desenvolvendo metodologias para testar esta hipótese mediante o registro combinado de uma dúzia de atividades motoras e neuronais em animais se comportando livremente. Esperamos que esta aproximação avance nossa compreensão da evolução e função das oscilações neurais no cérebro.


    Chefes de laboratório

    Doutorandos

    Mestrandos