Natalia Bezerra Mota

Possuo graduação em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2007), residência em Psiquiatria pela UFRN (2011), mestrado em Neurociências pelo Programa de Neurociências da UFRN (2013) e doutorado em Neurociências pelo Programa de Neurociências da UFRN (2017). Atualmente, sou mãe de dois filhos, e pesquisadora em pós-doutorado pelo Instituto do Cérebro - UFRN, com apoio da UFPE (FADE). Durante mestrado e o doutorado desenvolvi método de análise da estrutura da fala capaz de quantificar desordens do pensamento, permitindo diagnóstico diferencial de Esquizofrenia. Aprofundei esses estudos caracterizando a validade da técnica para diagnóstico em psicoses crônicas, assim como em primeiro episódio (sendo possível prever diagnóstico com meses de antecedência), além de unir a outras técnicas de análise semântica para prever diagnóstico de psicose em população de alto risco. Ainda avaliei como essas características de linguagem estavam associadas a sintomas cognitivos, vendo também associação dos mesmos marcadores ao desenvolvimento cognitivo típico em crianças nas escolas públicas de Natal em processo de alfabetização. Foi possível identificar como educação contribui mais que idade para o desenvolvimento desses marcadores, e como as psicoses parecem ser resistentes a educação como é aplicada hoje. Utilizando ferramentas de análise semântica para estudos de sonhos, em um protocolo com múltiplos despertares em laboratório, atualmente estudamos como traços de memória semântica se expressam espontaneamente durante adormecimento e seus correlatos eletrofisiológicos.

Este laboratório investiga os mecanismos moleculares, celulares e psicológicos responsáveis pelo papel cognitivo do sono. Memórias explícitas, como por exemplo, memórias de lugares, coisas e eventos, envolvem duas diferentes porções cerebrais: enquanto o hipocampo age como um armazenador de curto-prazo, as memórias com o tempo migram completamente para o córtex cerebral. Investigando ratos através de registros neuronais de multi-eletrodos e hibridização in situ para genes imediatos relacionados à plasticidade, fez-se a descoberta de que memórias de objetos novos no hipocampo desaparecem em questão de minutos, mas persistem reverberando no córtex durante o sono por várias horas após o fim da exploração do objeto. Os resultados indicam que as duas fases do sono cooperam para promover a propagação de memórias desde seu ponto de entrada (hipocampo) até seu destino final (córtex). A fase sem sonhos do sono (sono de ondas lentas) reverbera e amplifica mudanças recentemente adquiridas em circuitos sinápticos selecionados. A fase onírica do sono (movimento rápido dos olhos, sono REM) dispara a expressão cortical de genes relacionados à estabilização e propagação da memória. Os resultados sugerem que experiências novas são seguidas por múltiplas ondas de plasticidade cortical enquanto os ciclos do sono se sucedem. Como consequência, as memórias tornam-se mais dependentes do córtex que do hipocampo à medida que o sono transcorre, migrando dos circuitos de entrada originais para redes corticais mais profundas. O objetivo atual deste laboratório é elucidar como as interações córtico-hipocampais e a plasticidade sináptica dependente de experiência durante o sono contribuem para a consolidação de memórias em roedores. Em paralelo, são utilizados eletroencefalografia, jogos de vídeo-game e relatos de sonhos para investigar o valor adaptativo dos sonhos em humanos.

Uma segunda linha de pesquisa neste laboratório diz respeito à comunicação vocal e competência simbólica em animais não-humanos. O foco é o sagui (Callithrix jacchus), uma espécie bastante vocal de macaco do novo-mundo. Atualmente o laboratório dedica-se ao estudo etológico do repertório vocal do sagui, e também ao mapeamento, por meio da expressão de genes imediatos dependentes de cálcio, das áreas e vias cerebrais relacionadas à audição e produção das vocalizações.