{"id":70,"date":"2014-10-30T00:00:00","date_gmt":"2014-10-30T02:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2018-10-10T11:09:15","modified_gmt":"2018-10-10T14:09:15","slug":"pesquisas-oriundas-da-lagosta-esclarecem-origem-da-esquizofrenia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/index.php\/2014\/10\/30\/pesquisas-oriundas-da-lagosta-esclarecem-origem-da-esquizofrenia\/","title":{"rendered":"Pesquisas oriundas da lagosta esclarecem origem da esquizofrenia"},"content":{"rendered":"<p>Pesquisadores do Instituto do C\u00e9rebro (ICe) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em parceria com o Instituto de Bioqu\u00edmica M\u00e9dica (IBqM) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), comprovam que a origem de transtornos psiqui\u00e1tricos n\u00e3o est\u00e1 atrelada a altera\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas \u00fanicas e que o diagn\u00f3stico ainda necessita da an\u00e1lise de sintomas. O estudo foi realizado com modelos computacionais inspirados em trabalhos que simulam neur\u00f4nios do intestino da lagosta.<\/p>\n<p>A pesquisa de Rodrigo Pav\u00e3o, Adriano Tort e Olavo Amaral, que foi publicada na revista Schizophrenia Bulletin, utilizou modelos computacionais desenvolvidos em laborat\u00f3rios que simulam sintomas da esquizofrenia em redes de neur\u00f4nios artificiais. Os cientistas realizaram simula\u00e7\u00f5es, gerando milhares de redes neuronais, por meio de varia\u00e7\u00f5es dos componentes dos circuitos. Ap\u00f3s isso, examinaram o funcionamento das combina\u00e7\u00f5es para avaliar se haviam sintomas semelhantes aos da esquizofrenia.<\/p>\n<p>De acordo com Rodrigo Pav\u00e3o, \u201co estudo feito por Eve Marder, demonstrando m\u00faltiplos modelos computacionais capazes de gerar o padr\u00e3o de contra\u00e7\u00e3o r\u00edtmica no intestino de lagosta, inspirou o nosso trabalho que demostra que m\u00faltiplos modelos computacionais podem gerar caracter\u00edsticas esquizofr\u00eanicas\u201d, explica.<\/p>\n<p>O resultado da pesquisa foi que, al\u00e9m de observar as mesmas altera\u00e7\u00f5es relatadas em outros estudos, tamb\u00e9m foram geradas mais de uma centena de combina\u00e7\u00f5es diferentes de altera\u00e7\u00f5es. Com base nessas an\u00e1lises, nenhum dos componentes utilizados para construir o circuito neuronal foi capaz de predizer isoladamente a ocorr\u00eancia dos sintomas relacionados \u00e0 doen\u00e7a. Pelo contr\u00e1rio, eles parecem ser fruto da intera\u00e7\u00e3o entre muitos fatores que atuam em conjunto.<\/p>\n<p>O estudo refor\u00e7a a complexidade dos transtornos psiqui\u00e1tricos, mostrando que um conjunto de sintomas pode ser fruto de dezenas ou centenas de causas diferentes a n\u00edvel de genes e mol\u00e9culas. Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel que uma mesma altera\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica possa levar a sintomas distintos em pacientes diferentes, de acordo com fatores ambientais e culturais.<\/p>\n<p>\u201cOs diagn\u00f3sticos atuais em Psiquiatria foram originalmente criados para agrupar pacientes com sintomas semelhantes. No entanto, nada garante que estas doen\u00e7as, definidas a partir de sintomas, possuam causas biol\u00f3gicas \u00fanicas\u201d, esclarece Olavo Amaral.<\/p>\n<p>Para os estudiosos, os resultados s\u00e3o um \u201cbalde de \u00e1gua fria\u201d na ideia de que a Psiquiatria ser\u00e1 capaz de substituir o diagn\u00f3stico baseado em sintomas por m\u00e9todos objetivos, como testes bioqu\u00edmicos, an\u00e1lises gen\u00e9ticas ou exames de imagem. No entanto, eles tamb\u00e9m afirmam que outras maneiras de diagn\u00f3stico s\u00e3o poss\u00edveis.<\/p>\n<p><b>Esquizofrenia<\/b><\/p>\n<p>A esquizofrenia \u00e9 uma doen\u00e7a caracterizada tanto pela presen\u00e7a de alucina\u00e7\u00f5es e del\u00edrios quanto pela depress\u00e3o e decl\u00ednio cognitivo ou apatia. Acredita-se que tenha base gen\u00e9tica e ambiental e que esteja associada a mudan\u00e7as qu\u00edmicas e estruturais do c\u00e9rebro. \u201cN\u00e3o h\u00e1 convic\u00e7\u00e3o sobre o que causa a doen\u00e7a, que \u00e9 definida como multifatorial, algo refor\u00e7ado pelo nosso estudo\u201d, enfatiza Pav\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores do Instituto do C\u00e9rebro (ICe) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em parceria com o Instituto de Bioqu\u00edmica M\u00e9dica (IBqM) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), comprovam que a origem de transtornos psiqui\u00e1tricos n\u00e3o est\u00e1 atrelada a altera\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas \u00fanicas e que o diagn\u00f3stico ainda necessita da an\u00e1lise de sintomas. 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