{"id":3349,"date":"2026-09-30T17:55:13","date_gmt":"2026-09-30T20:55:13","guid":{"rendered":"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/?p=3349"},"modified":"2026-09-30T17:55:14","modified_gmt":"2026-09-30T20:55:14","slug":"neuroprotetor-para-alzheimer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/index.php\/2026\/09\/30\/neuroprotetor-para-alzheimer\/","title":{"rendered":"Neuroprotetor para Alzheimer?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Pesquisadores do Instituto do C\u00e9rebro s\u00e3o os \u00fanicos brasileiros em artigo sobre papel da prote\u00edna PLCG2 no c\u00e9rebro, publicado na Nature Genetics<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Laiza F\u00e9lix \u2013 ICe\/UFRN<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) estima que existam 55 milh\u00f5es de pessoas convivendo com algum tipo de dem\u00eancia. A mais frequente \u00e9 a doen\u00e7a de Alzheimer, que corresponde de 50% a 70% dos casos. No Brasil, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (MS) calcula que o n\u00famero de pessoas com doen\u00e7a de Alzheimer gira em torno de 1,2 milh\u00e3o, com 100 mil novos casos por ano.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conhecida primordialmente pela perda de mem\u00f3ria, a doen\u00e7a tamb\u00e9m se caracteriza pela incapacidade de realizar tarefas cotidianas, como tomar um copo d\u2019\u00e1gua ou abrir uma porta. Normalmente, se manifesta em pessoas acima de 60 anos, mesma faixa et\u00e1ria em que os sinais de envelhecimento se acentuam. Essa coincid\u00eancia dificulta o fechamento do diagn\u00f3stico, j\u00e1 que a doen\u00e7a ocorre justamente numa fase da vida em que os seus sintomas podem ser confundidos com sinais da idade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"680\" src=\"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-1024x680.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3352\" srcset=\"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-1024x680.png 1024w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-300x199.png 300w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-768x510.png 768w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-1536x1020.png 1536w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-2048x1360.png 2048w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-1000x664.png 1000w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-230x153.png 230w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-350x232.png 350w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/image-480x319.png 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cerca de 100 mil novos casos de Alzheimer surgem anualmente no Brasil. As manifesta\u00e7\u00f5es da doen\u00e7a s\u00e3o objetos de investiga\u00e7\u00e3o no ICe\/UFRN. Foto: C\u00edcero Oliveira \u2013 Agecom\/UFRN<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A causa ainda \u00e9 desconhecida, mas o estudo das caracter\u00edsticas e do funcionamento do c\u00e9rebro contribuem para a compreens\u00e3o tanto do comportamento saud\u00e1vel como do doente. As manifesta\u00e7\u00f5es da doen\u00e7a de Alzheimer s\u00e3o objetos de investiga\u00e7\u00e3o incessante da ci\u00eancia por todo mundo, inclusive, aqui, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O artigo <em>PLCG2 downregulation impairs synaptic function and increases Alzheimer\u2019s disease hallmarks in neuronal cultures<\/em>, publicado em agosto de 2026, no peri\u00f3dico <em>Nature Genetics<\/em>, <em>&nbsp;<\/em>conta com dois pesquisadores do Instituto do C\u00e9rebro (ICe) da UFRN entre os autores: o professor Marcos R. Costa, chefe do Laborat\u00f3rio de Neuroci\u00eancia Translacional; e sua aluna de doutorado, Ana Raquel Melo de Farias. A pesquisa, desenvolvida majoritariamente na Fran\u00e7a, com participa\u00e7\u00e3o de neurocientistas de outros pa\u00edses da Europa e dos Estados Unidos, tem sua contribui\u00e7\u00e3o brasileira por meio do ICe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo que resultou na publica\u00e7\u00e3o utilizou metodologias avan\u00e7adas de triagem de alto rendimento (<em>high-content screening<\/em>) e modelos neurais derivados de c\u00e9lulas-tronco humanas para avaliar quase duas centenas de genes associados ao risco gen\u00e9tico de Alzheimer. O grande destaque da investiga\u00e7\u00e3o foi a identifica\u00e7\u00e3o da prote\u00edna PLCG2 (fosfolipase C gama 2) \u2014 envolvida na sinaliza\u00e7\u00e3o celular e que pode influenciar a comunica\u00e7\u00e3o entre neur\u00f4nios \u2014 como uma pe\u00e7a-chave na manuten\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e da fun\u00e7\u00e3o sin\u00e1ptica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC01926-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3351\" srcset=\"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC01926-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC01926-300x200.jpg 300w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC01926-768x512.jpg 768w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC01926-1536x1025.jpg 1536w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC01926-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC01926-1000x667.jpg 1000w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC01926-230x153.jpg 230w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC01926-350x233.jpg 350w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC01926-480x320.jpg 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Professor Marcos R. Costa, do ICe\/UFRN, e a aluna de doutorado, Ana Raquel Melo de Farias, participam de pesquisa desenvolvida no Instituto Pasteur de Lille, na Fran\u00e7a. Foto: Laborat\u00f3rio de Neuroci\u00eancia translacional<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cDurante muito tempo, a comunidade cient\u00edfica concentrou a aten\u00e7\u00e3o na PLCG2, principalmente, sob a perspectiva da neuroinflama\u00e7\u00e3o e do papel da microglia na elimina\u00e7\u00e3o de placas patol\u00f3gicas. Contudo, dados recentes de sequenciamento de RNA de n\u00facleo \u00fanico j\u00e1 indicavam que o gene PLCG2 tamb\u00e9m \u00e9 expresso em popula\u00e7\u00f5es neurais. Nesse trabalho, demonstramos que a fun\u00e7\u00e3o da PLCG2 vai muito al\u00e9m da resposta imune celular, atuando diretamente nos compartimentos pr\u00e9 e p\u00f3s-sin\u00e1pticos dos neur\u00f4nios\u201d, explicou o professor Marcos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O artigo demonstra que a diminui\u00e7\u00e3o da express\u00e3o da prote\u00edna PLCG2 em neur\u00f4nios produz altera\u00e7\u00f5es similares \u00e0quelas encontradas no c\u00e9rebro de pacientes com a doen\u00e7a de Alzheimer. No entanto, o artigo tamb\u00e9m analisou dados de volunt\u00e1rios saud\u00e1veis, que levou a algumas descobertas. \u201cVerificamos que variantes raras que causam perda de fun\u00e7\u00e3o (<em>loss-of-function<\/em>) na PLCG2 elevam, em quase dez vezes, o risco de uma pessoa desenvolver a doen\u00e7a de Alzheimer. Por outro lado, existem muta\u00e7\u00f5es ben\u00e9ficas. Sabemos que uma outra variante gen\u00e9tica rara na PLCG2 (P522R) reduz em cerca 30% o risco de desenvolver a doen\u00e7a de Alzheimer e \u00e9 encontrada com maior frequ\u00eancia em centen\u00e1rios saud\u00e1veis. Ou seja, enquanto a perda de fun\u00e7\u00e3o da prote\u00edna acelera o dano sin\u00e1ptico, a presen\u00e7a dessa variante hiperm\u00f3rfica (aumento da fun\u00e7\u00e3o enzim\u00e1tica) parece conferir uma prote\u00e7\u00e3o natural ao longo do envelhecimento\u201d, detalhou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o professor, sabendo que a diminui\u00e7\u00e3o da PLCG2 gera um cen\u00e1rio patol\u00f3gico e que a variante hiperm\u00f3rfica \u00e9 protetora, o foco, agora, \u00e9 simular esse efeito ben\u00e9fico em modelos terap\u00eauticos. \u201cPosso adiantar que, atualmente, nosso laborat\u00f3rio no Instituto do C\u00e9rebro est\u00e1 investigando a validade desta variante protetora da PLCG2 como um poss\u00edvel tratamento neuroprotetor na doen\u00e7a de Alzheimer. Estamos trabalhando para entender se a ativa\u00e7\u00e3o direcionada da via da PLCG2 pode prevenir a degenera\u00e7\u00e3o sin\u00e1ptica e conter a progress\u00e3o dos marcadores patol\u00f3gicos da doen\u00e7a\u201d, planeja. O artigo completo est\u00e1 dispon\u00edvel<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41588-026-02709-5\"> neste <em>link<\/em><\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC01931-1-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3350\" srcset=\"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC01931-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC01931-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC01931-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC01931-1-1536x1025.jpg 1536w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC01931-1-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC01931-1-1000x667.jpg 1000w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC01931-1-230x153.jpg 230w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC01931-1-350x233.jpg 350w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC01931-1-480x320.jpg 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Estudo investiga a validade de variante protetora de prote\u00edna como poss\u00edvel tratamento neuroprotetor na doen\u00e7a de Alzheimer. Foto: Laborat\u00f3rio de Neuroci\u00eancia translacional<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;<strong>Sobre o Instituto do C\u00e9rebro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2026, o Instituto do C\u00e9rebro (ICe) completa 15 anos de atividades. Criado pela UFRN como unidade acad\u00eamica especializada em neuroci\u00eancia, o ICe desenvolve pesquisa b\u00e1sica com modelos animais, oferece cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m disciplinas de gradua\u00e7\u00e3o, recebendo desde alunos de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica at\u00e9 professores convidados e p\u00f3s-doutorandos. Ao longo do ano, realiza a\u00e7\u00f5es de extens\u00e3o como a<em> Semana do C\u00e9rebro <\/em>(divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica para o p\u00fablico geral), o <em>House Symposium<\/em> (apresenta\u00e7\u00e3o das pesquisas para comunidade acad\u00eamica) e palestras tanto dos professores do Instituto quanto de convidados externos. Conhe\u00e7a mais sobre o ICe em<a href=\"http:\/\/neuro.ufrn.br\/\"> neuro.ufrn.br<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Fonte: <\/strong>ICe\/UFRN;<strong> Texto: <\/strong>Laiza F\u00e9lix;<strong> Imagem destaque: <\/strong>C\u00edcero Oliveira; <strong>Edi\u00e7\u00e3o: <\/strong>Maralice Freitas;<strong> Revis\u00e3o: <\/strong>Rebeca Ribeiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Publicado em 11\/09\/2026 na se\u00e7\u00e3o Reportagens e Saberes do Portal da UFRN<\/em>: <a href=\"https:\/\/www.ufrn.br\/imprensa\/reportagens-e-saberes\/105153\/neuroprotetor-para-alzheimer\">https:\/\/www.ufrn.br\/imprensa\/reportagens-e-saberes\/105153\/neuroprotetor-para-alzheimer<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores do Instituto do C\u00e9rebro s\u00e3o os \u00fanicos brasileiros em artigo sobre papel da prote\u00edna PLCG2 no c\u00e9rebro, publicado na Nature Genetics Laiza F\u00e9lix \u2013 ICe\/UFRN A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) estima que existam 55 milh\u00f5es de pessoas convivendo com algum tipo de dem\u00eancia. 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