{"id":287,"date":"2017-12-22T00:00:00","date_gmt":"2017-12-22T02:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2018-10-04T17:10:24","modified_gmt":"2018-10-04T20:10:24","slug":"ice-ufrn-tem-duas-pesquisas-selecionadas-pelo-instituto-serrapilheira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/index.php\/2017\/12\/22\/ice-ufrn-tem-duas-pesquisas-selecionadas-pelo-instituto-serrapilheira\/","title":{"rendered":"ICe-UFRN tem duas pesquisas selecionadas pelo Instituto Serrapilheira"},"content":{"rendered":"<p>Os cientistas Tarciso Velho e Diego Laplagne, do Instituto do C\u00e9rebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (ICe-UFRN), tiveram suas pesquisas aprovadas na sele\u00e7\u00e3o do Instituto Serrapilheira, primeira institui\u00e7\u00e3o privada dedicada exclusivamente ao fomento cient\u00edfico no Brasil.<\/p>\n<p>Cada um receber\u00e1 um subs\u00eddio de at\u00e9 R$ 100 mil para aprofundar suas pesquisas durante 12 meses. Ap\u00f3s este prazo, voltam a ser reavaliados pelo Conselho Cient\u00edfico do Serrapilheira e, sendo novamente selecionados, recebem at\u00e9 R$ 1 milh\u00e3o para desenvolver seus projetos por um per\u00edodo de tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>Para o neurocientista Sidarta Ribeiro, diretor do ICe-UFRN, o resultado mostra o comprometimento do Instituto com a ci\u00eancia. \u201cAs premia\u00e7\u00f5es implicam grande prest\u00edgio e ser\u00e3o cruciais para que os professores selecionados possam desenvolver suas pesquisas plenamente, junto com suas equipes. Elas tamb\u00e9m reafirmam, de forma bastante concreta, o espa\u00e7o de excel\u00eancia cient\u00edfica que vem sendo constru\u00eddo no ICe\u201d, refor\u00e7a.<\/p>\n<p>Tarciso Velho destaca que a iniciativa do Instituto Serrapilheira oferece uma oportunidade \u00fanica para jovens pesquisadores como ele. \u201cEste tipo de iniciativa \u00e9 muito importante considerando a falta de uma pol\u00edtica nacional de apoio a novos pesquisados nesta \u00e9poca que estamos passando, onde vemos as nossas ag\u00eancias nacionais de fomento sofrendo com redu\u00e7\u00f5es massivas de or\u00e7amento\u201d, reclamou.<\/p>\n<p>Ele acrescenta ainda que este tipo de financiamento vai possibilitar a implementa\u00e7\u00e3o de projetos cientificamente inovadores e de alto risco, o que dificilmente seria poss\u00edvel considerando as condi\u00e7\u00f5es atuais.<\/p>\n<p>Segundo Diego Laplagne, esta sele\u00e7\u00e3o \u00e9 como um o\u00e1sis no deserto, considerando o atual contexto pol\u00edtico t\u00e3o negativo para o Brasil e seu desenvolvimento cient\u00edfico.<\/p>\n<p>Ter seu projeto selecionado pelo Instituto Serrapilheira, entre tantas propostas, \u00e9, na vis\u00e3o de Diego, uma grande motiva\u00e7\u00e3o para continuar seu trabalho. \u201cPara o Brasil \u00e9 uma grande contribui\u00e7\u00e3o o fato de a chamada apoiar projetos cient\u00edficos ousados, pois esses n\u00e3o s\u00e3o necessariamente favorecidos nos editais tradicionais, embora tenham o potencial de gerar descobertas de alto impacto\u201d, esclarece.<\/p>\n<p><b>Concorr\u00eancia<\/b><\/p>\n<p>Ao todo, 1.955 propostas foram encaminhadas para a sele\u00e7\u00e3o do Instituto Serrapilheira. Destas, somente 65 foram selecionadas nas sete categorias dispon\u00edveis. Participaram da chamada pesquisadores de 331 institui\u00e7\u00f5es diferentes, espalhadas por 26 unidades federativas do pa\u00eds. Desse total, apenas 12 estados foram contemplados.<\/p>\n<p>O RN lidera em n\u00edvel de Nordeste com maior n\u00famero de projetos selecionados. Foram cinco no total, todos da UFRN. O Estado ficou ainda em quarto lugar em n\u00edvel nacional, atr\u00e1s de S\u00e3o Paulo (20), Rio de Janeiro (15) e Minas Gerais (7). Sul e Sudeste foram os que mais submeteram trabalhos, com 1.456 inscritos, dos quais 51 receber\u00e3o o apoio.<\/p>\n<p>Da regi\u00e3o Nordeste, 497 jovens pesquisadores enviaram projetos, sendo escolhidos 13 em cinco estados. Bahia foi quem mais submeteu, com 83 propostas, embora apenas duas tenham sido aceitas. O Cear\u00e1 que participou com 41, aparece em segundo lugar com tr\u00eas aceites.<\/p>\n<p><b>Gagueira e autismo<\/b><\/p>\n<p>A sele\u00e7\u00e3o no Serrapilheira possibilitar\u00e1 Tarciso Velho a investir no desenvolvimento de um sistema modular de animais transg\u00eanicos para a manipula\u00e7\u00e3o de genes end\u00f3genos em p\u00e1ssaros canoros, o principal modelo animal para o estudo do aprendizado vocal. Isso vai permitir investigar como muta\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas influenciam a forma\u00e7\u00e3o e o funcionamento de circuitos neuronais e como isto leva a altera\u00e7\u00f5es de comportamento.<\/p>\n<p>Seu projeto tem por objetivo principal criar uma s\u00e9rie modular de animais transg\u00eanicos para estudar como muta\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas, que naturalmente ocorrem em humanos, podem gerar problemas como a gagueira persistente e o autismo.<\/p>\n<p>Para isso, ser\u00e1 desenvolvido, pela primeira vez, um sistema modular, baseado em uma enzima capaz de editar DNA, chamada Cas9, para a modifica\u00e7\u00e3o de genes end\u00f3genos de aves canoras. \u201cEste sistema vai nos permitir investigar se variantes de genes associados ao autismo e a gagueira persistente podem modificar a forma e a fun\u00e7\u00e3o dos circuitos neurais associados ao aprendizado vocal\u201d, explica.<\/p>\n<p>Como o sistema \u00e9 modular, os diferentes animais podem ser combinados e usados para investigar v\u00e1rias outras quest\u00f5es de interesse, n\u00e3o somente no laborat\u00f3rio do pesquisador, mas por outros investigadores.<\/p>\n<p>\u201cA ideia \u00e9 criar elementos (linhagens gen\u00e9ticas) que poder\u00e3o ser utilizados para dissecar circuitos neurais envolvidos na aprendizagem vocal e ajudar a desvendar as bases gen\u00e9ticas desta caracter\u00edstica evolutiva \u00fanica que \u00e9 linguagem humana\u201d, completa Tarciso Velho.<\/p>\n<p><b>Atividade cerebral e comportamento<\/b><\/p>\n<p>A proposta do neurocientista Diego Laplagne \u00e9 aproveitar a atual revolu\u00e7\u00e3o em intelig\u00eancia artificial para programar computadores com objetivo de descobrir como a atividade cerebral gera o comportamento.<\/p>\n<p>Seu laborat\u00f3rio tem ampla experi\u00eancia em monitorar detalhadamente o comportamento livre de ratos, combinando grava\u00e7\u00f5es de v\u00eddeo e som com medi\u00e7\u00f5es da respira\u00e7\u00e3o, movimentos e postura dos animais. Com isso, ele prop\u00f5e adicionar medi\u00e7\u00f5es em grande escala da atividade cerebral e desenvolver ferramentas de intelig\u00eancia artificial para descobrir rela\u00e7\u00f5es dentro deste enorme conjunto de dados.<\/p>\n<p>\u201cDesenvolver nosso projeto levar\u00e1 a um crescimento no conhecimento de intelig\u00eancia artificial na UFRN, a qual pode ser aplicada para resolver in\u00fameros desafios dentro e fora da universidade\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Laplagne explica ainda que sua pesquisa permite avan\u00e7ar no uso destes m\u00e9todos na interpreta\u00e7\u00e3o da atividade cerebral, o que pode contribuir em projetos aplicados. \u00c9 o caso do desenvolvimento de pr\u00f3teses inteligentes para pessoas com limita\u00e7\u00f5es de movimento ou de outras interfaces entre o c\u00e9rebro e o mundo externo.<\/p>\n<p><strong>Veja resultado completo da sele\u00e7\u00e3o do Instituto Serra Pilheira:<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/olz34z4bb51rsojq274o1g19-wpengine.netdna-ssl.com\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/serrapilheira_lista_aprovados_2017_final.pdf\" target=\"_blank&quot;\">http:\/\/olz34z4bb51rsojq274o1g19-wpengine.netdna-ssl.com\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/serrapilheira_lista_aprovados_2017_final.pdf<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os cientistas Tarciso Velho e Diego Laplagne, do Instituto do C\u00e9rebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (ICe-UFRN), tiveram suas pesquisas aprovadas na sele\u00e7\u00e3o do Instituto Serrapilheira, primeira institui\u00e7\u00e3o privada dedicada exclusivamente ao fomento cient\u00edfico no Brasil. 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