{"id":2769,"date":"2023-09-13T17:35:53","date_gmt":"2023-09-13T20:35:53","guid":{"rendered":"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/?p=2769"},"modified":"2023-09-13T17:35:53","modified_gmt":"2023-09-13T20:35:53","slug":"os-estados-dissociados-relacionados-ao-sono-e-sua-importancia-para-o-estudo-da-consciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/index.php\/2023\/09\/13\/os-estados-dissociados-relacionados-ao-sono-e-sua-importancia-para-o-estudo-da-consciencia\/","title":{"rendered":"Os estados dissociados relacionados ao sono e sua import\u00e2ncia para o estudo da consci\u00eancia"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>com S\u00e9rgio Arthuro (m\u00e9dico e neurocientista, p\u00f3s-doc no ICe)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cSonhar acordado\u201d em neuroci\u00eancia \u00e9 mais do que uma for\u00e7a de express\u00e3o. No artigo \u201cAcordado ou dormindo? Talvez ambos\u2026 Uma revis\u00e3o sobre os estados dissociativos relacionados ao sono\u201d <sup>1<\/sup>, pesquisadores do Instituto do C\u00e9rebro da UFRN, em colabora\u00e7\u00e3o com a Universidade de Minnesota (EUA), revisam a literatura publicada sobre o tema desde a d\u00e9cada de 1940 at\u00e9 a atualidade. O trabalho analisou 196 refer\u00eancias e \u00e9 assinado pelos neurocientistas Maria Eduarda Sodr\u00e9, Isabel Wie\u03b2ner, Muna Irfan, Carlos H. Schenck e S\u00e9rgio Mota-Rolim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os autores come\u00e7am discutindo que, embora exista a impress\u00e3o de que, ao dormirmos, nosso c\u00e9rebro inteiro est\u00e1 no padr\u00e3o de atividade do sono, estudos recentes demonstram que existe o <strong>chamado \u201csono local\u201d, termo usado para definir as caracter\u00edsticas fisiol\u00f3gicas espec\u00edficas encontradas em diferentes regi\u00f5es do c\u00e9rebro durante o sono<\/strong>. Segundo S\u00e9rgio, nos seres humanos, os estados b\u00e1sicos da consci\u00eancia s\u00e3o classificados em:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>vig\u00edlia: quando estamos acordados ou despertos, reagindo aos est\u00edmulos ambientais<\/li><li>in\u00edcio do sono (N1): \u00e9 quando come\u00e7amos a dormir (transi\u00e7\u00e3o entre vig\u00edlia e sono)<\/li><li>sono leve (N2): j\u00e1 estamos dormindo, mas qualquer est\u00edmulo forte pode nos acordar&nbsp;<\/li><li>sono profundo (N3): \u00e9 quando o c\u00e9rebro est\u00e1 \u201cdescansando\u201d, numa atividade lenta<\/li><li>sono com movimento r\u00e1pido dos olhos (REM, do ingl\u00eas <em>rapid eye movement<\/em>): \u00e9 quando mexemos os olhos, relaxamos os m\u00fasculos, e temos os sonhos mais t\u00edpicos<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao longo da noite de sono de uma pessoa adulta saud\u00e1vel, esses estados se alternam de maneira est\u00e1vel. No entanto, as transi\u00e7\u00f5es de um estado para outro, embora graduais, s\u00e3o muitas vezes incompletas<strong>, podendo ocorrer mais de um estado ao mesmo tempo<\/strong>. Ou seja, <strong>o sono e a vig\u00edlia est\u00e3o acontecendo em regi\u00f5es diferentes do c\u00e9rebro simultaneamente<\/strong>. Os autores do estudo, de forma pioneira, classificaram esses <strong>estados dissociados da consci\u00eancia<\/strong> em tr\u00eas categorias, dando tr\u00eas exemplos para cada, como descrito abaixo e detalhado a seguir.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Estados fisiol\u00f3gicos: ocorrem de maneira regular, em pessoas saud\u00e1veis, como o sonho acordado, o sonho l\u00facido e o falso despertar<\/li><li>Estados patol\u00f3gicos: ao contr\u00e1rio do fisiol\u00f3gicos, s\u00e3o associados a doen\u00e7as, como a paralisia do sono, o sonambulismo e o transtorno comportamental do sono REM<\/li><li>Estados alterados: quando induzido por agentes externos, sejam psicol\u00f3gicos (como na hipnose) ou farmacol\u00f3gicos (como na anestesia ou no uso dos psicod\u00e9licos).<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Estados dissociativos fisiol\u00f3gicos&nbsp;<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sonhar acordado: quando a pessoa est\u00e1 acordada, mas com distanciamento (parcial ou total) da realidade, direcionando a sua consci\u00eancia para a pr\u00f3pria imagina\u00e7\u00e3o (<em>daydreaming<\/em>, em ingl\u00eas). Ocupa mais da metade do nosso tempo acordado, mas ainda n\u00e3o h\u00e1 conhecimento sistem\u00e1tico suficiente sobre sua frequ\u00eancia, dura\u00e7\u00e3o etc. O sonhar acordado tem um papel construtivo positivo &#8211; como se preparar para um evento, fazer planos, ou simplesmente dar vaz\u00e3o \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o e fantasia &#8211; mas tamb\u00e9m pode gerar preocupa\u00e7\u00f5es excessivas e at\u00e9 mesmo dificuldade de controlar a aten\u00e7\u00e3o. No limite, sonhar acordado pode se tornar um componente de quadros depressivos e ansiosos, ou ent\u00e3o alimentar pensamentos intrusivos repetitivos (tamb\u00e9m conhecidos como rumina\u00e7\u00e3o). As principais regi\u00f5es relacionadas ao sonhar acordado s\u00e3o mostradas na figura abaixo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"489\" height=\"403\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/OKN3k45n5QIxKtRJU72LM5pyJCo_jo14e8JPyXxtAx8kNgTU__GNTKRCIlzaQYa7-x8s3xW4Xj5C4MXEz2ue9UEcm9hI2pRpF9KRnM4IX6F9wpSXMCWMFilZyBcUaSfEf9gF21ITZOsa4q9lmTE\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sonho l\u00facido: quando o sujeito \u00e9 capaz de saber que est\u00e1 sonhando durante o sonho, podendo at\u00e9 controlar o conte\u00fado do pr\u00f3prio sonho. Acontece principalmente &#8211; mas n\u00e3o exclusivamente &#8211; durante o sono REM. S\u00e9rgio estudou esse tema no doutorado orientado pelo professor Sidarta Ribeiro, e fez uma pesquisa em uma amostra na popula\u00e7\u00e3o brasileira de cerca de 3500 pessoas <sup>2<\/sup>: \u201cEncontramos que a maioria das pessoas j\u00e1 teve pelo menos um sonho l\u00facido na vida, mas s\u00e3o raras aquelas que t\u00eam sonho l\u00facido de forma frequente &#8211; e a neuroci\u00eancia ainda n\u00e3o sabe o porqu\u00ea\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Falso despertar: \u00e9 um sonho em que a pessoa acredita que est\u00e1 acordada, j\u00e1 que o conte\u00fado on\u00edrico \u00e9 semelhante ao de sua vida cotidiana, principalmente em a\u00e7\u00f5es como levantar da cama, tomar caf\u00e9, ir ao banheiro, escovar os dentes etc. Tamb\u00e9m ocorre principalmente durante o sono REM. S\u00f3 quando o indiv\u00edduo acorda de verdade \u00e9 que percebe que estava sonhando. Muitas pessoas associam o falso despertar a \u201cum sonho dentro de um sonho\u201d, como no filme \u201cA origem\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Estados dissociativos patol\u00f3gicos&nbsp;<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Paralisia do sono: acontece principalmente na transi\u00e7\u00e3o do sono REM para o despertar. \u00c9 caracterizada pela impossibilidade de se movimentar, sensa\u00e7\u00e3o de aperto no peito, alucina\u00e7\u00f5es visuais, e at\u00e9 medo da morte, como muito bem mostrado abaixo no quadro de Henry Fuseli (1781). Envolve componentes emocionais negativos intensos e, para a maioria das pessoas, ocorrem em poucos epis\u00f3dios ao longo da vida. S\u00e9rgio tamb\u00e9m estudou esse tema, e ressalta que: \u201cO interessante da paralisia do sono \u00e9 que diferentes culturas no mundo a interpretam como um fen\u00f4meno sobrenatural, em que se sente a presen\u00e7a ou se v\u00ea esp\u00edritos do mal, bruxas, monstros etc. Nos EUA, muitos relatos de pessoas que diziam que eram abduzidas por E.T.s, na verdade, s\u00e3o casos de paralisia do sono\u201d <sup>3<\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"496\" height=\"402\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/lXGil4gJA3Ka_PZ_6Qf3SUwK9d8cieYY_RLGoLAljOKfPrmuQ1FSAc6OfW4jIwecouDSyHqlckCDtzyCE0UF2I6slbeeThWFxQVEwaeAG89ZqITkXrKg1VW8L9BbCv5p9g7oE5i8RhazMZi2jUg\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sonambulismo: \u00e9 um estado dissociativo cl\u00e1ssico, em que, de forma bem resumida, \u201co corpo acorda enquanto o c\u00e9rebro continua dormindo\u201d. Seria o contr\u00e1rio da paralisia do sono, em que o c\u00e9rebro acorda, mas o corpo permanece dormindo. O sonambulismo ocorre em fases mais leves do sono e se caracteriza por a pessoa estar dormindo enquanto realiza atividades complexas, como andar ou at\u00e9 dirigir. \u00c9 mais comum em crian\u00e7as, as quais normalmente n\u00e3o se recordam do acontecido, e tende a diminuir com a idade. Pode ocorrer como efeito colateral de algumas medica\u00e7\u00f5es, a exemplo do Zolpidem. Existe um mito que diz que n\u00e3o se deve acordar um son\u00e2mbulo, se n\u00e3o a pessoa pode morrer. O que se aconselha, na verdade, \u00e9 que, ao ver um(a) son\u00e2mbulo(a), deve-se lev\u00e1-lo(a) gentilmente de volta para cama, evitando movimentos bruscos. Tamb\u00e9m \u00e9 importante proteger a pessoa de se ferir, o que \u00e9 bastante raro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Transtorno comportamental do sono REM: estado de movimenta\u00e7\u00e3o anormal durante o sono REM em que a pessoa mexe os olhos (mesmo com as p\u00e1lpebras fechadas) e\/ou outras partes do corpo, de acordo com o que est\u00e1 sonhando. Normalmente envolve sonhos ou pesadelos com confronto, agress\u00e3o e viol\u00eancia, em que a pessoa est\u00e1 tentando se defender. \u00c9 mais frequente em homens de meia-idade ou idosos. Recentemente, observou-se que mais de 80% desses pacientes eventualmente s\u00e3o acometidos por transtornos neurodegenerativos como doen\u00e7a de Parkinson e dem\u00eancia de Lewy, com um intervalo de cerca de uma d\u00e9cada entre o come\u00e7o do transtorno comportamental do sono REM e o surgimento dessas doen\u00e7as degenerativas do c\u00e9rebro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Estados dissociativos alterados<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hipnose: a palavra tem origem no grego <em>Hypnos<\/em>, que significa \u201cdormir\u201d, e foi popularizada a partir da metade do s\u00e9culo 19 pelo m\u00e9dico escoc\u00eas James Braid. \u00c9 um estado semelhante ao in\u00edcio do sono (N1), em que a pessoa fica em um estado altamente sugestion\u00e1vel pela utiliza\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas de indu\u00e7\u00e3o e relaxamento. Atualmente \u00e9 reconhecida como um tratamento complementar em psicoterapia, medicina, esportes e at\u00e9 mesmo no meio forense. Trabalhos recentes t\u00eam mostrado que a hipnose \u00e9 uma das t\u00e9cnicas cognitivo-comportamentais mais eficientes para o controle emocional da dor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Anestesia: \u201cvoc\u00ea vai adormecer agora\u201d. Quem j\u00e1 passou por algum procedimento que necessita de anestesia, deve se lembrar desta frase &#8211; basicamente a \u00faltima coisa ouvida antes de receber a medica\u00e7\u00e3o. A anestesia \u00e9 um recente e importante objeto de estudo em neuroci\u00eancia, pois leva o c\u00e9rebro para um estado similar ao sono por meio da administra\u00e7\u00e3o de certas subst\u00e2ncias. A pergunta que os pesquisadores buscam responder sobre esse estado \u00e9 o que acontece com a atividade cerebral quando a consci\u00eancia sobre o mundo ao redor desaparece.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>Psicod\u00e9licos: S\u00e9rgio fez o p\u00f3s-doutorado nesse assunto orientado pelo professor Dr\u00e1ulio Araujo. Esses autores, junto com uma grande equipe, descobriram que a ayahuasca apresenta efeitos antidepressivos significativos<sup>3<\/sup>. Al\u00e9m da ayahuasca, o \u00e1cido lis\u00e9rgico e a psilocibina, por exemplo, s\u00e3o subst\u00e2ncias cujo potencial terap\u00eautico voltou a ser estudado, ap\u00f3s um hiato dessas pesquisas em fins da d\u00e9cada de 1960 (por motiva\u00e7\u00f5es pol\u00edticas). Tanto as investiga\u00e7\u00f5es mais antigas quanto as mais modernas encontram efeitos dos psicod\u00e9licos no c\u00e9rebro humano como redu\u00e7\u00e3o do controle cognitivo, emocionalidade aumentada, percep\u00e7\u00f5es alteradas dos sentidos, corpo, tempo e espa\u00e7o, etc.. Essas caracter\u00edsticas conceituam os psicodelicos como sonhos experimentais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Refer\u00eancias:&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">1 &#8211; Sodr\u00e9, M.E.; Wie\u00dfner, I.; Irfan, M.; Schenck, C.H.; Mota-Rolim, S.A. Awake or Sleeping? Maybe Both\u2026 A Review of Sleep-Related Dissociative States (2023). Journal of Clinical Medicine 2023,12, 3876. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.3390\/jcm12123876\">https:\/\/doi.org\/10.3390\/jcm12123876<\/a>.\u00a0<br>Link: <a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/37373570\/\">https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/37373570\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">2 &#8211; Mota-Rolim, S.A., Targino, Z.H., Souza, B.C., Blanco, W., Araujo, J.F., Ribeiro, S. (2013). Dream characteristics in a Brazilian sample: an online survey focusing on lucid dreaming. Frontiers in Human. Neuroscience 7, 836. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.3389\/fnhum.2013.00836\">https:\/\/doi.org\/10.3389\/fnhum.2013.00836<\/a>. ?<br>Link: https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/24368900\/<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">3 &#8211;\u00a0 de S\u00e1 JFR and Mota-Rolim AS (2016) Sleep Paralysis in Brazilian Folklore and Other Cultures: A Brief Review. Frontiers in Psychology. 7:1294. doi: 10.3389\/fpsyg.2016.01294. <br>Link: https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC5013036\/<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">4 &#8211; Palhano-Fontes F et al (2018). Rapid antidepressant effects of the psychedelic ayahuasca in treatment-resistant depression: a randomized placebo-controlled trial. Psychological Medicine 1\u20139. https:\/\/ doi.org\/10.1017\/S0033291718001356.\u00a0<br>Link: https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/29903051\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>com S\u00e9rgio Arthuro (m\u00e9dico e neurocientista, p\u00f3s-doc no ICe) \u201cSonhar acordado\u201d em neuroci\u00eancia \u00e9 mais do que uma for\u00e7a de express\u00e3o. No artigo \u201cAcordado ou dormindo? 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