{"id":274,"date":"2017-11-22T00:00:00","date_gmt":"2017-11-22T02:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2018-10-04T17:38:37","modified_gmt":"2018-10-04T20:38:37","slug":"forum-delta9-discute-avancos-no-uso-medicinal-da-maconha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/index.php\/2017\/11\/22\/forum-delta9-discute-avancos-no-uso-medicinal-da-maconha\/","title":{"rendered":"F\u00f3rum Delta9 discute avan\u00e7os no uso medicinal da maconha"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" src=\"http:\/\/neuro.ufrn.br\/_imgs\/Foto1Delta.jpg\" width=\"100%\" \/><\/p>\n<p>Legenda: P\u00fablico aproveitou para tirar d\u00favidas sobre o tema<\/p>\n<p>Mais de 100 pessoas participaram, na \u00faltima sexta-feira, 17, da 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o do F\u00f3rum Delta9 \u2013 maconha e a comunidade realizado pelo Coletivo Delta9, Pr\u00f3-reitoria de Pesquisa (Propesq\/UFRN) e Instituto do C\u00e9rebro (ICe\/UFRN). O evento, realizado no audit\u00f3rio do Instituto \u00c1gora (UFRN), contou com palestras dos advogados Gabriel Bulh\u00f5es e Cristiano Maronna, dos m\u00e9dicos Fernando T\u00f3foli e Pedro Mello, do fitoqu\u00edmico Wolfgang Harand e do neurocientista Sidarta Ribeiro. A discuss\u00e3o foi dividida em dois momentos, sendo abordado pela manh\u00e3 o \u00e2mbito jur\u00eddico e \u00e0 tarde as quest\u00f5es relacionadas aos aspectos medicinais da cannabis.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" src=\"http:\/\/neuro.ufrn.br\/_imgs\/Foto2Delta.jpg\" width=\"100%\" \/><\/p>\n<p style=\"display: block; margin-top: 10px;\">Legenda: Diretor do Instituto do C\u00e9rebro, Sidarta Ribeiro, falou sobre maconha, c\u00e9rebro e sociedade.<\/p>\n<p>Para o diretor do ICe-UFRN, Sidarta Ribeiro, a maconha \u00e9 uma grande promessa para a medicina do s\u00e9culo 21. \u201c\u00c9 o antibi\u00f3tico deste s\u00e9culo. Neste momento, a gente tem de lidar \u00e9 com a desinforma\u00e7\u00e3o da sociedade, de modo geral, que tem uma posi\u00e7\u00e3o muito contr\u00e1ria \u00e0 maconha para tratamentos v\u00e1rios, embora n\u00e3o conhe\u00e7a nada sobre isso\u201d, disse.<\/p>\n<p>Sidarta alerta ainda sobre a necessidade de lidar com o conservadorismo do establishment m\u00e9dico. \u201cExistem muitos m\u00e9dicos que n\u00e3o leram, ou leram e n\u00e3o gostaram, e n\u00e3o est\u00e3o informados. Neste sentido, a gente precisa fazer mais eventos como este que v\u00e3o permitir \u00e0s pessoas que discordam, mas t\u00eam boa vontade, de entenderem sobre o tema\u201d, completou.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" src=\"http:\/\/neuro.ufrn.br\/_imgs\/Foto3Delta.jpg\" width=\"100%\" \/><\/p>\n<p>Legenda: Psiquiatra Fernando T\u00f3foli falou a respeito de pol\u00edticas p\u00fablicas sobre a maconha e seu impacto na sa\u00fade.<\/p>\n<p>Em sua palestra, o psiquiatra e professor da Unicamp, Fernando T\u00f3foli, trouxe um apanhado de conhecimento sobre a maconha medicinal e seu impacto em tomadas de decis\u00f5es nas pol\u00edticas p\u00fablicas. \u201cO que impede o conhecimento sobre isso? J\u00e1 existem elementos que permitem que se diga que a maconha tem efeitos fitoter\u00e1picos. E sendo uma subst\u00e2ncia para tratamento, onde ela pode chegar? Onde ela faz mal e onde faz bem? Isso fica prejudicado em termos de busca de conhecimento pelo preconceito e proibi\u00e7\u00e3o existentes\u201d, enfatiza.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico acupunturista, Pedro Mello, trouxe \u00e0 tona a necessidade da prescri\u00e7\u00e3o da cannabis, observando que isso precisa ser discutido com o Conselho Regional de Medicina, assim como com toda a sociedade, bem como prop\u00f5e o F\u00f3rum Delta9. \u201c\u00c9 importante mostrar que pacientes com crit\u00e9rio de prescri\u00e7\u00e3o de uso da maconha com possibilidade terap\u00eautica, tenham acesso \u00e0 cannabis e possam ser acompanhados por um profissional, obtendo autonomia em seu tratamento\u201d, defende.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" src=\"http:\/\/neuro.ufrn.br\/_imgs\/Foto4Delta.jpg\" width=\"100%\" \/><\/p>\n<p style=\"display: block; margin-top: 10px;\">Legenda: M\u00e9dico e acupunturista Pedro Mello discutiu a sobre can\u00e1bica<\/p>\n<p>Incentivador do evento, o pr\u00f3-reitor de Pesquisa, Jorge Falc\u00e3o, disse que a constru\u00e7\u00e3o do conhecimento n\u00e3o acontece com isen\u00e7\u00e3o e, neste aspecto, a universidade precisa ter a consci\u00eancia de seu lado neste debate. \u201cAcredito que enfrentar alguns debates importantes para a ci\u00eancia e para a sociedade seja papel das institui\u00e7\u00f5es\u201d, se posicionou.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" src=\"http:\/\/neuro.ufrn.br\/_imgs\/Foto5Delta.jpg\" width=\"100%\" \/><\/p>\n<p style=\"display: block; margin-top: 10px;\">Pr\u00f3-reitor de Pesquisa, Jorge Falc\u00e3o, destacou import\u00e2ncia de apoiar o F\u00f3rum<\/p>\n<p>O debate antiproibicionista foi o foco principal do evento. Os idealizadores do Coletivo Delta9 t\u00eam mantido esta discuss\u00e3o ativa, com prop\u00f3sito de divulgar o uso da cannabis medicinal, al\u00e9m de denunciar a forma repressiva, encarceraria e violenta que est\u00e1 institu\u00edda a pol\u00edtica nacional de drogas.<\/p>\n<p>Aos poucos, o Brasil tem avan\u00e7ado quanto \u00e0s restri\u00e7\u00f5es proibitivas. No \u00faltimo m\u00eas de maio, a cannabis foi inclu\u00edda na rela\u00e7\u00e3o de plantas medicinais da Anvisa. Ano passado, o THC (tetrahidrocanabinol) saiu da lista de subst\u00e2ncias proibidas e h\u00e1 dois anos, o CDB (Canabidiol) j\u00e1 faz parte da lista de subst\u00e2ncias que t\u00eam controle especial da ag\u00eancia reguladora.<\/p>\n<p>Na lista de doen\u00e7as autorizadas a fazer uso do tratamento com maconha, est\u00e3o, entre outras, a anorexia, depress\u00e3o, autismo infantil, fibromialgia, esclerose, distonia, dores cr\u00f4nicas, espasticidade muscular, paralisia cerebral, esquizofrenia, dores neurop\u00e1ticas, Parkinson e transtorno do desenvolvimento.<\/p>\n<p><b>Quest\u00f5es jur\u00eddicas<\/b><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" src=\"http:\/\/neuro.ufrn.br\/_imgs\/Foto6Delta.jpg\" width=\"100%\" \/><\/p>\n<p style=\"display: block; margin-top: 10px;\">Legenda: Advogado Cristiano Maronna trouxe para o debate o direito ao uso medicinal da maconha no Brasil<\/p>\n<p>Cristiano Maronna, diretor do Instituto Brasileiro de Ci\u00eancias Criminais (IBCCRIM), discutiu a necessidade de reconhecer o uso medicinal e terap\u00eautico da cannabis como um direito. Em seu entendimento, a atual pol\u00edtica de drogas que pro\u00edbe certas subst\u00e2ncias e permite outras \u00e9 equivocada, pois n\u00e3o proporciona nem sa\u00fade, nem redu\u00e7\u00e3o de danos ou seguran\u00e7a \u00e0 sociedade.<\/p>\n<p>\u201cApresentamos a ideia de que as pol\u00edticas de drogas est\u00e3o mudando. No mundo todo, as pessoas est\u00e3o reconhecendo o fracasso desse modelo e tentando construir alternativas. O Brasil n\u00e3o pode ficar para tr\u00e1s, seja no que diz respeito ao uso social, seja no uso medicinal, terap\u00eautico ou para pesquisas cient\u00edficas\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Pensando no interesse do Pa\u00eds e tendo em vista que isso j\u00e1 est\u00e1 muito avan\u00e7ado l\u00e1 fora, Maronna afirma ser preciso correr atr\u00e1s do tempo perdido e reconhecer que este tabu moral n\u00e3o resolve. \u201c\u00c9 preciso encarar esta quest\u00e3o com base em evid\u00eancias cient\u00edficas\u201d, determinou.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" src=\"http:\/\/neuro.ufrn.br\/_imgs\/Foto7Delta.jpg\" width=\"100%\" \/><\/p>\n<p style=\"display: block; margin-top: 10px;\">Legenda: Advogado Gabriel Bulh\u00f5es disse que proibi\u00e7\u00e3o da maconha sempre foi um falso dilema.<\/p>\n<p>Para Gabriel Bulh\u00f5es, coordenador estadual do IBCCRIM, a proibi\u00e7\u00e3o do uso medicinal da cannabis sempre foi um falso dilema. \u201cA motiva\u00e7\u00e3o para abrir a discuss\u00e3o sobre o tema \u00e9 visual quando se sabe da exist\u00eancia de uma pessoa enferma se beneficiando deste tratamento. Neste caso, qualquer argumento moral ou legal n\u00e3o pode afastar o bem-estar desta pessoa\u201d, argumentou.<\/p>\n<p>Em sua palestra, ele trouxe um panorama dos tratados internacionais e das leis nacionais, em especial a Lei de Drogas, 11.343. Ainda abordou sobre as regulamenta\u00e7\u00f5es administrativas feitas pelas Resolu\u00e7\u00f5es da Diretoria Colegiada (RDC\/Anvisa). Estes documentos, que tratam da mat\u00e9ria desde 2014, mostram uma evolu\u00e7\u00e3o neste panorama.<\/p>\n<p>\u201cAs estrat\u00e9gias que apresentei s\u00e3o palp\u00e1veis e reais e podem ser implementadas hoje, seja por meio de um habeas corpus preventivo, do ponto de vista individual, seja por meio de uma a\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria coletiva, dentro deste vi\u00e9s associativista, para permitir um cultivo coletivo da planta\u201d, finalizou.<\/p>\n<p><b>Casos pr\u00e1ticos<\/b><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" src=\"http:\/\/neuro.ufrn.br\/_imgs\/Foto8Delta.jpg\" width=\"100%\" \/><\/p>\n<p style=\"display: block; margin-top: 10px;\">Legenda: Fotoqu\u00edmico Wolfgang Harand apresentou o quadro cl\u00ednico de seu filho de nove anos, cujo tratamento tem melhorado a partir da utiliza\u00e7\u00e3o da cannabis.<\/p>\n<p>O fitoqu\u00edmico austr\u00edaco Wolfgang Harand entrou em contato com o assunto da cannabis atrav\u00e9s da doen\u00e7a do filho. Com nove anos, ele possui a s\u00edndrome de Miller-Dieker, tamb\u00e9m denominada lisencefalia, (c\u00f3rtex cerebral liso), por isso, chamada tamb\u00e9m de \u201cs\u00edndrome do c\u00e9rebro liso\u201d. Por causa da doen\u00e7a, a crian\u00e7a n\u00e3o fala, n\u00e3o anda e n\u00e3o tem t\u00f4nus muscular, o que resulta, entre sintomas, em epilepsia refrat\u00e1ria. O tratamento foi feito com uma gama de rem\u00e9dios autorizados, mas al\u00e9m de n\u00e3o conseguirem controlar 100% a epilepsia, provocaram efeitos colaterais graves que levaram a crian\u00e7a para UTI duas vezes neste ano.<\/p>\n<p>\u201cEu estava procurando uma alternativa mais eficaz no controle da epilepsia, com efeitos colaterais menos mal\u00e9ficos. No caso do meu filho, a quest\u00e3o dos ossos e do aparelho respirat\u00f3rio. Por este motivo, comecei a estudar a cannabis e procurar solu\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s dela\u201d, explicou. Em apenas tr\u00eas meses de uso, as melhoras come\u00e7aram a aparecer. \u201cMelhorou o t\u00f4nus muscular, reduziu o n\u00famero de convuls\u00f5es e ele j\u00e1 sustenta a cabe\u00e7a\u201d, contou Wolfgang.<\/p>\n<p>Em sua palestra, o pesquisador apresentou caracter\u00edsticas bot\u00e2nicas e qu\u00edmicas da planta, com introdu\u00e7\u00e3o b\u00e1sica na fitoqu\u00edmica da cannabis. Explicou que canabidiol pode trazer riscos, mas tamb\u00e9m muitos benef\u00edcios, como qualquer outro rem\u00e9dio que se usa em casos graves, como no caso do filho dele. \u201cTudo \u00e9 veneno, por isso tudo precisa da dosagem certa para n\u00e3o causar perigo\u201d, ponderou.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" src=\"http:\/\/neuro.ufrn.br\/_imgs\/Foto9Delta.jpg\" width=\"100%\" \/><\/p>\n<p style=\"display: block; margin-top: 10px;\">Legenda: Mais de 100 pessoas participaram da segunda edi\u00e7\u00e3o do F\u00f3rum Delta 9.<\/p>\n<p>Outro caso apresentado no F\u00f3rum, foi de uma idosa de 60 anos que ganhou na Justi\u00e7a o direito de importar sementes da cannabis para fabricar o \u00f3leo de canabidiol usado em seu tratamento de Mal de Parkinson. A decis\u00e3o permitiu ainda que seu filho, que lutou pelo tratamento, plante a maconha em casa para fabrica\u00e7\u00e3o desse \u00f3leo. Os resultados, segundo ele, s\u00e3o satisfat\u00f3rio com retomada dos movimentos do corpo perdidos pelos efeitos da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>A autoriza\u00e7\u00e3o, in\u00e9dita no Rio Grande do Norte, foi assinada pelo juiz Walter Nunes, da 2\u00aa Vara Federal. Ele considerou, em sua senten\u00e7a, o alto custo do tratamento e a dificuldade de conseguir a planta, apesar de a Anvisa permitir o uso de medicamentos com os princ\u00edpios ativos da maconha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Legenda: P\u00fablico aproveitou para tirar d\u00favidas sobre o tema Mais de 100 pessoas participaram, na \u00faltima sexta-feira, 17, da 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o do F\u00f3rum Delta9 \u2013 maconha e a comunidade realizado pelo Coletivo Delta9, Pr\u00f3-reitoria de Pesquisa (Propesq\/UFRN) e Instituto do C\u00e9rebro (ICe\/UFRN). 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