{"id":2655,"date":"2022-05-30T13:15:44","date_gmt":"2022-05-30T16:15:44","guid":{"rendered":"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/?p=2655"},"modified":"2022-05-30T15:24:27","modified_gmt":"2022-05-30T18:24:27","slug":"pesquisa-do-ice-contribui-com-o-entendimento-sobre-o-zumbido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/index.php\/2022\/05\/30\/pesquisa-do-ice-contribui-com-o-entendimento-sobre-o-zumbido\/","title":{"rendered":"Pesquisa do ICe contribui com o entendimento sobre o zumbido"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cerca de 20% da popula\u00e7\u00e3o mundial (28 milh\u00f5es de pessoas s\u00f3 no Brasil) sofre com zumbido ou com algum grau de defici\u00eancia auditiva, de acordo com dados da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS). Embora n\u00e3o seja classificado como doen\u00e7a, mas um sinal de alerta de perda auditiva, o zumbido prejudica muito a qualidade de vida das pessoas que convivem com ele. Na UFRN, o Instituto do C\u00e9rebro tem um laborat\u00f3rio dedicado ao estudo da audi\u00e7\u00e3o e atividade neuronal, um espa\u00e7o onde o zumbido \u00e9 investigado com afinco. O trabalho \u201c<a href=\"https:\/\/bmcbiol.biomedcentral.com\/articles\/10.1186\/s12915-022-01288-1\"><em>Decreasing dorsal cochlear nucleus activity ameliorates noise-induced tinnitus perception in mice<\/em><\/a>\u201d (\u201cA diminui\u00e7\u00e3o da atividade do n\u00facleo coclear dorsal melhora a percep\u00e7\u00e3o do zumbido induzido por ru\u00eddo em camundongos\u201d, em tradu\u00e7\u00e3o livre), publicado recentemente na BMC Biology, trouxe avan\u00e7os para a compreens\u00e3o desse dist\u00farbio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O artigo, assinado pelos doutorandos Thawann Malfatti e Barbara Ciralli, sob orienta\u00e7\u00e3o da professora Katarina Le\u00e3o, reporta a descoberta de que um subgrupo de neur\u00f4nios, localizados numa regi\u00e3o chamada N\u00facleo Coclear Dorsal (DCN, em ingl\u00eas), est\u00e1 envolvido na percep\u00e7\u00e3o de zumbido. \u201cO DCN \u00e9 uma das primeiras estruturas no c\u00e9rebro a processar o som que escutamos. \u00c9 respons\u00e1vel principalmente por extrair as informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para reconhecermos caracter\u00edsticas de frequ\u00eancia dos sons. Sabe-se que o DCN est\u00e1 afetado no zumbido causado por exposi\u00e7\u00e3o excessiva ao ru\u00eddo, por\u00e9m, por ser uma \u00e1rea com diversos tipos diferentes de neur\u00f4nios e fun\u00e7\u00f5es, ainda n\u00e3o se sabe ao certo quais s\u00e3o as conex\u00f5es de fato alteradas no zumbido\u201d, resumem os pesquisadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"923\" height=\"811\" src=\"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-30-at-13.11.51.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2659\" srcset=\"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-30-at-13.11.51.jpeg 923w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-30-at-13.11.51-300x264.jpeg 300w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-30-at-13.11.51-768x675.jpeg 768w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-30-at-13.11.51-920x808.jpeg 920w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-30-at-13.11.51-230x202.jpeg 230w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-30-at-13.11.51-350x308.jpeg 350w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-30-at-13.11.51-480x422.jpeg 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 923px) 100vw, 923px\" \/><figcaption>Barbara Ciralli e Thawann Malfatti (foto: Katarina Le\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Devido \u00e0 complexidade dos experimentos realizados, o estudo levou cinco anos para ser conclu\u00eddo e \u00e9 a publica\u00e7\u00e3o principal do doutorado de Thawann. Ele explica que, em raz\u00e3o das t\u00e9cnicas utilizadas serem invasivas, dificilmente podem ser aplicadas diretamente em humanos. Al\u00e9m disso, o experimento necessita controlar vari\u00e1veis que s\u00e3o dif\u00edceis de monitorar em pacientes. Por isso, a investiga\u00e7\u00e3o ocorreu em camundongos. Como os animais n\u00e3o podem falar se est\u00e3o ou n\u00e3o com zumbido, foram aplicados testes de comportamento para verificar a ocorr\u00eancia do sinal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste modelo experimental, eles foram induzidos ao zumbido sem perda auditiva e, divididos em dois grupos, tiveram os neur\u00f4nios da regi\u00e3o do n\u00facleo coclear dorsal desativados em momentos diferentes. Em um grupo, essa desativa\u00e7\u00e3o foi feita durante a indu\u00e7\u00e3o; em outro grupo, ap\u00f3s. A ideia era verificar se o animal apresentava uma melhor resposta no teste do zumbido, assim como checar se \u00e9 poss\u00edvel preveni-lo. \u201cDescobrimos que, ao desativar esse subgrupo de neur\u00f4nios durante o teste de zumbido, os animais apresentam uma melhora no teste, o que indica que o zumbido diminui. Al\u00e9m disso, observamos que diminuir a atividade desses mesmos neur\u00f4nios durante a indu\u00e7\u00e3o do zumbido n\u00e3o previne o seu surgimento. Logo, esse subgrupo de neur\u00f4nios do DCN parece ter um papel importante na manuten\u00e7\u00e3o do zumbido e n\u00e3o na sua gera\u00e7\u00e3o\u201d, descrevem Thawann e Barbara.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-30-at-12.54.42-1024x682.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2656\" srcset=\"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-30-at-12.54.42-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-30-at-12.54.42-300x200.jpeg 300w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-30-at-12.54.42-768x512.jpeg 768w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-30-at-12.54.42-920x613.jpeg 920w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-30-at-12.54.42-230x153.jpeg 230w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-30-at-12.54.42-350x233.jpeg 350w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-30-at-12.54.42-480x320.jpeg 480w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-30-at-12.54.42.jpeg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption><a href=\"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/?page_id=2657\">Imagem:  wayhomestudio para freepik<\/a><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a descoberta n\u00e3o se apresente na forma de solu\u00e7\u00e3o, ela indica caminhos importantes para a compreens\u00e3o do dist\u00farbio. \u201cAo entender como a atividade de subgrupos espec\u00edficos de neur\u00f4nios est\u00e1 alterada no zumbido, estamos dando mais um passo na dire\u00e7\u00e3o de um tratamento mais direcionado e efetivo. No futuro, quando todo o mecanismo de gera\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o do zumbido for esclarecido, poder\u00e1-se produzir novas alternativas terap\u00eauticas, direcionadas especificamente para as reverter as altera\u00e7\u00f5es causadas pelo zumbido\u201d, estimam Thawann e Barbara.<br>O artigo na \u00edntegra est\u00e1 dispon\u00edvel na p\u00e1gina do <a href=\"https:\/\/bmcbiol.biomedcentral.com\/\">Biomed Central<\/a>, uma editora cient\u00edfica brit\u00e2nica de acesso aberto e com alto fator de impacto &#8211; medida que avalia a import\u00e2ncia de uma publica\u00e7\u00e3o com base no n\u00famero de cita\u00e7\u00f5es de seus artigos cient\u00edficos. Fundada em 2000, a Biomed Central integra, desde 2008, o grupo Springer Nature e engloba dezenas de peri\u00f3dicos especializados. Um deles, o BMC Biology, onde o artigo de Thawann e Barbara foi publicado, \u00e9 um dos que possuem maior fator de impacto, ao lado do BMC Medicine.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cerca de 20% da popula\u00e7\u00e3o mundial (28 milh\u00f5es de pessoas s\u00f3 no Brasil) sofre com zumbido ou com algum grau de defici\u00eancia auditiva, de acordo com dados da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS). 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