{"id":2468,"date":"2021-07-16T13:10:40","date_gmt":"2021-07-16T16:10:40","guid":{"rendered":"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/?p=2468"},"modified":"2021-07-19T21:38:00","modified_gmt":"2021-07-20T00:38:00","slug":"quando-a-realidade-alcanca-a-ficcao-estudo-do-instituto-do-cerebro-da-ufrn-demonstra-que-e-possivel-apagar-memorias-indiretamente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/index.php\/2021\/07\/16\/quando-a-realidade-alcanca-a-ficcao-estudo-do-instituto-do-cerebro-da-ufrn-demonstra-que-e-possivel-apagar-memorias-indiretamente\/","title":{"rendered":"Quando a realidade alcan\u00e7a a fic\u00e7\u00e3o: estudo do Instituto do C\u00e9rebro da UFRN demonstra que \u00e9 poss\u00edvel apagar mem\u00f3rias indiretamente"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Laborat\u00f3rio de Pesquisa da Mem\u00f3ria do Instituto do C\u00e9rebro (ICe-UFRN), dirigido pelo Dr. Mart\u00edn Cammarota, publicou artigo no \u00faltimo n\u00famero do Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), peri\u00f3dico da Academia de Ci\u00eancias dos Estados Unidos e um dos mais importantes do mundo. Al\u00e9m de Cammarota, assinam o trabalho &#8211; intitulado <a href=\"https:\/\/www.pnas.org\/content\/118\/29\/e2025275118\">\u201cDopamine controls whether new declarative information updates reactivated memories through reconsolidation\u201d<\/a> (\u201cA dopamina controla se novas informa\u00e7\u00f5es declarativas atualizam mem\u00f3rias reativadas atrav\u00e9s da reconsolida\u00e7\u00e3o\u201d) &#8211; as doutoras Maria Carolina Gonzalez, Janine Rossato, Andressa Radiske e Lia Bevilaqua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O artigo faz parte de um projeto de pesquisa que o laborat\u00f3rio realiza h\u00e1 muitos anos dentro do campo da neurobiologia da mem\u00f3ria. Este trabalho em espec\u00edfico \u00e9 resultado de estudos desenvolvidos desde 2018 e demonstra que, dependendo da informa\u00e7\u00e3o pr\u00e9via dispon\u00edvel e do estado de ativa\u00e7\u00e3o dos receptores para dopamina numa regi\u00e3o cerebral chamada hipocampo, as novas mem\u00f3rias se formam seguindo um de dois processos distintos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se os animais (ratos adultos no caso dos experimentos publicados no PNAS) n\u00e3o possuem informa\u00e7\u00e3o pr\u00e9via relevante ao que est\u00e1 sendo aprendido, ent\u00e3o as novas mem\u00f3rias se formam mediante um mecanismo que requer a participa\u00e7\u00e3o de uma prote\u00edna chamada CaMKII e acabam sendo armazenadas como lembran\u00e7as independentes e sem liga\u00e7\u00e3o direta com mem\u00f3rias preexistentes. Pelo contr\u00e1rio, se os ratos adquiriram previamente informa\u00e7\u00e3o relacionada com o que est\u00e3o aprendendo, ent\u00e3o as novas mem\u00f3rias em quest\u00e3o se formam mediante um processo que requer uma outra prote\u00edna, chamada PKMzeta, e terminam sendo acopladas \u00e0s mem\u00f3rias anteriores, formando uma esp\u00e9cie de rede de conhecimentos interligados e interdependentes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Cammarota, o que faz com que as mem\u00f3rias sigam um caminho ou outro \u00e9 o grau de ativa\u00e7\u00e3o dos receptores D1\/D5 para dopamina do hipocampo os quais, por sua vez, est\u00e3o envolvidos nos processos cerebrais que mediam a detec\u00e7\u00e3o de novidade. Ele explica que quando aprendemos coisas novas, quase sempre ativamos tamb\u00e9m mem\u00f3rias que j\u00e1 possu\u00edmos, pois para identificar que algo \u00e9 in\u00e9dito, temos que acessar nosso pr\u00f3prio repert\u00f3rio do que \u00e9 familiar. \u201cQuando isto ocorre, a informa\u00e7\u00e3o contida por essa nova mem\u00f3ria \u00e9 associada diretamente \u00e0 informa\u00e7\u00e3o contida nas mem\u00f3rias mais antigas e assim elas se tornam interdependentes\u201d, explica Mart\u00edn.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um exemplo pedag\u00f3gico acerca dos achados reportados no PNAS poderia ser a hist\u00f3ria do filme \u201cBrilho eterno de uma mente sem lembran\u00e7as\u201d (2004), no qual o personagem interpretado pelo ator Jim Carrey resolve apagar as mem\u00f3rias sobre sua namorada depois que descobre que ela fez o mesmo com as mem\u00f3rias acerca dele. Por\u00e9m, sem desejar, tamb\u00e9m elimina da mente todas as viv\u00eancias atravessadas pelo relacionamento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAs mem\u00f3rias quase nunca se formam num v\u00e1cuo cognitivo. Pelo contr\u00e1rio, na maioria das vezes, elas s\u00e3o adquiridas simultaneamente com a lembran\u00e7a de informa\u00e7\u00e3o relacionada. Nossos experimentos demonstram que, dependendo do mecanismo que o c\u00e9rebro tenha utilizado para form\u00e1-la, pode ser imposs\u00edvel apagar uma mem\u00f3ria sem afetar outras inadvertidamente, assim como acontece com o personagem de Jim Carrey\u201d, resume o cientista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"548\" src=\"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Screen-Shot-2013-06-13-at-2.33.13-PM-1-1024x548.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2469\" srcset=\"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Screen-Shot-2013-06-13-at-2.33.13-PM-1-1024x548.jpg 1024w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Screen-Shot-2013-06-13-at-2.33.13-PM-1-300x161.jpg 300w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Screen-Shot-2013-06-13-at-2.33.13-PM-1-768x411.jpg 768w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Screen-Shot-2013-06-13-at-2.33.13-PM-1.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Cena do filme &#8220;Brilho eterno de uma mente sem lembran\u00e7as&#8221; (2004)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO nosso artigo demonstra pela primeira vez que as mem\u00f3rias efetivamente se conectam por meio de reconsolida\u00e7\u00e3o; essa ideia n\u00e3o \u00e9 mais apenas uma hip\u00f3tese de trabalho. O processo de reconsolida\u00e7\u00e3o liga e associa as mem\u00f3rias, convertendo-as em interdependentes. Se esquece uma, tamb\u00e9m esquece da outra, querendo ou sem querer, e sem importar se voc\u00ea consegue ou n\u00e3o lembrar consciente ou inconscientemente delas\u201d, finaliza Cammarota.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Laborat\u00f3rio de Pesquisa da Mem\u00f3ria do Instituto do C\u00e9rebro (ICe-UFRN), dirigido pelo Dr. Mart\u00edn Cammarota, publicou artigo no \u00faltimo n\u00famero do Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), peri\u00f3dico da Academia de Ci\u00eancias dos Estados Unidos e um dos mais importantes do mundo. 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