{"id":2459,"date":"2021-06-28T17:08:05","date_gmt":"2021-06-28T20:08:05","guid":{"rendered":"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/?p=2459"},"modified":"2021-06-28T17:47:42","modified_gmt":"2021-06-28T20:47:42","slug":"estudo-do-instituto-do-cerebro-da-ufrn-sugere-que-comunicacao-entre-areas-do-cerebro-durante-o-sono-atua-na-consolidacao-de-memorias-recentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/index.php\/2021\/06\/28\/estudo-do-instituto-do-cerebro-da-ufrn-sugere-que-comunicacao-entre-areas-do-cerebro-durante-o-sono-atua-na-consolidacao-de-memorias-recentes\/","title":{"rendered":"Estudo do Instituto do C\u00e9rebro da UFRN sugere que comunica\u00e7\u00e3o entre \u00e1reas do c\u00e9rebro durante o sono atua na consolida\u00e7\u00e3o de mem\u00f3rias recentes"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Laborat\u00f3rio de Sono, Sonhos e Mem\u00f3ria, do Instituto do C\u00e9rebro (ICe-UFRN), chefiado pelo neurocientista Sidarta Ribeiro, vem colecionando avan\u00e7os no entendimento do que acontece dentro da nossa cabe\u00e7a quando a encostamos no travesseiro. Mais um passo foi dado em dire\u00e7\u00e3o a esse conhecimento com a publica\u00e7\u00e3o, na revista <em>Scientific Reports<\/em>, do grupo brit\u00e2nico <em>Nature<\/em>, do artigo \u201c<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-021-91659-5\"><em>Hippocampus-retrosplenial cortex interaction is increased during phasic REM and contributes to memory consolidation<\/em><\/a>\u201d (Intera\u00e7\u00e3o Hipocampo-C\u00f3rtex Retrosplenial aumenta durante REM f\u00e1sico e contribui para consolida\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria), assinado pelo p\u00f3s-doutorando Daniel Gomes de Almeida Filho &#8211; orientando de Sidarta e de Claudio Queiroz, tamb\u00e9m do ICe-UFRN, e que integram o trabalho &#8211; em parceria com mais quatro cientistas, entre eles o professor Pierre-Herv\u00e9 Luppi (Universidade de Lyon, na Fran\u00e7a).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E foi com o professor Luppi, no Centro de Pesquisa em Neuroci\u00eancia da Universidade de Lyon, que esse artigo come\u00e7ou. Em 2015, ele publicou um <a href=\"https:\/\/advances.sciencemag.org\/content\/1\/3\/e1400177\">trabalho na revista <em>Science Advances<\/em><\/a> que identificava regi\u00f5es do c\u00e9rebro mais fortemente ativadas durante o sono REM (conhecido por ser um estado de sono profundo, momento em que acontecem os sonhos). Dois anos depois, gra\u00e7as ao programa de coopera\u00e7\u00e3o internacional entre a Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior\u00a0 (CAPES) e o Comit\u00ea Franc\u00eas de Avalia\u00e7\u00e3o da Coopera\u00e7\u00e3o Universit\u00e1ria com o Brasil (COFECUB), pesquisadores do Instituto do C\u00e9rebro puderam demonstrar, por meio de registros eletrofisiol\u00f3gicos, essa ativa\u00e7\u00e3o. A t\u00e9cnica de eletrofisiologia permite compreender como impulsos el\u00e9tricos produzidos por neur\u00f4nios, os chamados potenciais de a\u00e7\u00e3o, s\u00e3o organizados no tempo e no espa\u00e7o. Esses resultados foram publicados em 2017, <a href=\"https:\/\/www.jneurosci.org\/content\/37\/33\/8003?etoc=&amp;utm_source=TrendMD&amp;utm_medium=cpc&amp;utm_campaign=JNeurosci_TrendMD_0\">na revista <em>The Journal of Neuroscience<\/em><\/a>.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"653\" src=\"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/fairy-tale-1180921_1920-1024x653.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2462\" srcset=\"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/fairy-tale-1180921_1920-1024x653.png 1024w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/fairy-tale-1180921_1920-300x191.png 300w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/fairy-tale-1180921_1920-768x490.png 768w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/fairy-tale-1180921_1920-1536x979.png 1536w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/fairy-tale-1180921_1920.png 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/cdd20\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.instagram.com\/cdd20\/<\/a><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir de ent\u00e3o, os pesquisadores se perguntaram se essa comunica\u00e7\u00e3o neuronal durante o sono apresentava alguma relev\u00e2ncia para processos cognitivos, como a mem\u00f3ria. Para isso, eles registraram a atividade eletrofisiol\u00f3gica de ratos antes e depois dos animais serem expostos a um paradigma comportamental capaz de produzir uma mem\u00f3ria emocional (o medo) associada a um contexto. Para analisar esses registros, Daniel, primeiro autor do trabalho rec\u00e9m publicado, utilizou uma t\u00e9cnica estat\u00edstica conhecida por Causalidade de Granger. Essa estrat\u00e9gia anal\u00edtica permite inferir rela\u00e7\u00f5es de causalidade entre s\u00e9ries temporais, ou seja, se um determinado fen\u00f4meno contribui com o futuro de outro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, Daniel e seus orientadores confirmaram achados anteriores, de que a atividade teta no hipocampo durante o sono REM tende a influenciar a atividade teta no c\u00f3rtex retrosplenial, uma estrutura cortical integrante do chamado sistema l\u00edmbico, um sistema envolvido com mem\u00f3ria e emo\u00e7\u00f5es em mam\u00edferos. Em seguida, Daniel demonstrou que essa comunica\u00e7\u00e3o entre o hipocampo e o c\u00f3rtex retrosplenial n\u00e3o era constante durante o sono REM, mas que podia mudar de dire\u00e7\u00e3o e que ela ocorria mais intensamente durante momentos de acelera\u00e7\u00e3o do ritmo teta.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conhecida h\u00e1 mais de 15 anos, essas acelera\u00e7\u00f5es s\u00e3o chamadas de REM f\u00e1sico e, at\u00e9 o momento, nenhum estudo havia proposto uma fun\u00e7\u00e3o para essa acelera\u00e7\u00e3o. O trabalho publicado por pesquisadores do Instituto do C\u00e9rebro, que contou com a colabora\u00e7\u00e3o de pesquisadoras da Universidade Federal do Vale do S\u00e3o Francisco (Petrolina, PE) e da Universidade Estadual da Para\u00edba (Campina Grande, PB), sugere que essas acelera\u00e7\u00f5es permitem a consolida\u00e7\u00e3o do tra\u00e7o de mem\u00f3ria emocional experimentada durante a vig\u00edlia.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/caricature-5268743_1920-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2463\" srcset=\"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/caricature-5268743_1920-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/caricature-5268743_1920-300x300.jpg 300w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/caricature-5268743_1920-150x150.jpg 150w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/caricature-5268743_1920-768x768.jpg 768w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/caricature-5268743_1920-1536x1536.jpg 1536w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/caricature-5268743_1920.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/cdd20\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.instagram.com\/cdd20\/<\/a><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No sono REM f\u00e1sico depois do aprendizado, os animais que apresentaram aumento da influ\u00eancia do c\u00f3rtex retrosplenial aprenderam melhor. Os que apresentaram crescimento da influ\u00eancia do hipocampo, tiveram um aprendizado ruim. J\u00e1 para os animais que foram colocados no contexto, mas n\u00e3o foram treinados, n\u00e3o houve mudan\u00e7a na rela\u00e7\u00e3o de influ\u00eancia das oscila\u00e7\u00f5es teta entre as duas regi\u00f5es. \u201cEsse trabalho traz v\u00e1rios avan\u00e7os para a \u00e1rea, mas o principal eu diria que \u00e9 mais uma evid\u00eancia que refor\u00e7a a ideia de que h\u00e1 consolida\u00e7\u00e3o de mem\u00f3ria durante o sono\u201d, resumiu Daniel, que hoje trabalha como pesquisador p\u00f3s-doutor no laborat\u00f3rio do professor Alcino Silva, na Universidade da Calif\u00f3rnia em Los Angeles (UCLA).\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO trabalho reporta uma correla\u00e7\u00e3o entre a forma\u00e7\u00e3o de uma mem\u00f3ria emocional e oscila\u00e7\u00f5es cerebrais durante o sono REM em ratos. Especificamente, esse \u00e9 o primeiro trabalho a demonstrar a participa\u00e7\u00e3o de eventos denominados &#8220;REM f\u00e1sicos&#8221; (breves acelera\u00e7\u00f5es do ritmo teta hipocampal durante o sono REM) na forma\u00e7\u00e3o de novas mem\u00f3rias\u201d, resumiu o professor Claudio Queiroz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Laborat\u00f3rio de Sono, Sonhos e Mem\u00f3ria, do Instituto do C\u00e9rebro (ICe-UFRN), chefiado pelo neurocientista Sidarta Ribeiro, vem colecionando avan\u00e7os no entendimento do que acontece dentro da nossa cabe\u00e7a quando a encostamos no travesseiro. 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