{"id":243,"date":"2017-06-06T00:00:00","date_gmt":"2017-06-06T03:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2018-10-04T18:29:56","modified_gmt":"2018-10-04T21:29:56","slug":"instituto-do-cerebro-e-departamento-de-educacao-fisica-da-ufrn-promovem-pratica-esportiva-para-pessoas-em-situacao-de-rua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/index.php\/2017\/06\/06\/instituto-do-cerebro-e-departamento-de-educacao-fisica-da-ufrn-promovem-pratica-esportiva-para-pessoas-em-situacao-de-rua\/","title":{"rendered":"Instituto do C\u00e9rebro e Departamento de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica da UFRN promovem pr\u00e1tica esportiva para pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua"},"content":{"rendered":"<p>A pr\u00e1tica regular de exerc\u00edcios traz diversos benef\u00edcios f\u00edsicos e mentais, como o fortalecimento dos m\u00fasculos e a redu\u00e7\u00e3o de ansiedade, depress\u00e3o, obesidade e de problemas cardiovasculares, entre outras doen\u00e7as. Por\u00e9m, conforme a \u00faltima pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), em 2015, somente 38,8 milh\u00f5es de brasileiros praticaram algum esporte e 123 milh\u00f5es de pessoas eram sedent\u00e1rios, sendo que 91,3 milh\u00f5es de entrevistados nunca fizeram algum esporte na vida. O estudo tamb\u00e9m observou uma rela\u00e7\u00e3o direta entre escolaridade e renda na realiza\u00e7\u00e3o de esportes ou exerc\u00edcios f\u00edsicos.<\/p>\n<p>Tendo em vista essa realidade, incentivar a pr\u00e1tica de atividades esportivas \u00e9 uma quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica e oferecer oportunidade \u00e0 popula\u00e7\u00e3o mais carente e com menor n\u00edvel de escolaridade \u00e9 prioridade. Nessa perspectiva o \u201cTecendo Elos de Coopera\u00e7\u00e3o entre Esportes e a Rua\u201d (Tecer), projeto da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) realizado pelo Instituto do C\u00e9rebro (ICe) e pelo Departamento de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica (DEF) desempenha atividades com o objetivo de realizar coopera\u00e7\u00e3o entre o ambiente universit\u00e1rio e as pessoas que est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade.<\/p>\n<p>Coordenado pelo professor do ICe-UFRN Sidarta Ribeiro e pelo professor do DEF Patrick Coquerel, a ideia do Tecer \u00e9 integrar a popula\u00e7\u00e3o de rua nos espa\u00e7os universit\u00e1rios, aumentando a diversidade de reflex\u00f5es e da rede de apoio, elementos fundamentais na cria\u00e7\u00e3o de novas trajet\u00f3rias de vida. O grupo se re\u00fane nas tardes das segundas-feiras e quartas-feiras, saindo do Centro de Refer\u00eancia Especializado para Popula\u00e7\u00e3o em Situa\u00e7\u00e3o de Rua (Centro POP), indo ao gin\u00e1sio da UFRN \u2013 onde h\u00e1 a pr\u00e1tica de v\u00f4lei de areia, v\u00f4lei de quadra, nata\u00e7\u00e3o, kung fu, forr\u00f3, badminton e atletismo \u2013 e, finalizando, as atividades ao levar o grupo ao Albergue P\u00fablico Municipal.<\/p>\n<p>Hoje, o projeto atende cerca de 15 pessoas por encontro e, conta com a colabora\u00e7\u00e3o de dez membros entre alunos de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de professores de diversas \u00e1reas, como Neuroci\u00eancia, Psicologia e Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica. De acordo com Bryan Souza, pesquisador do ICe-UFRN e colaborador do Tecer, o projeto est\u00e1 buscando novas parcerias para facilitar a participa\u00e7\u00e3o de mais pessoas. Para o pr\u00f3ximo semestre, a ideia \u00e9 que o Centro POP forne\u00e7a alguns cart\u00f5es de passagem, o que possibilitar\u00e1 a inclus\u00e3o de esportes em outros hor\u00e1rios. \u201cOs cart\u00f5es, al\u00e9m de dar maior autonomia, facilitariam a inclus\u00e3o de esportes que est\u00e3o fora do hor\u00e1rio da van, j\u00e1 que atualmente, um carro do ICe-UFRN passa duas vezes por semana para lev\u00e1-los \u00e0 universidade\u201d, planeja.<\/p>\n<p>J\u00e1 a parceria com o Albergue P\u00fablico Municipal ocorre devido ao hor\u00e1rio que o ve\u00edculo da Universidade retorna para deixar o grupo. \u201cMuitos dormem no albergue e a van acaba chegando depois do hor\u00e1rio de entrada. Como no albergue existe uma lista das pessoas que t\u00eam entrada garantida, primeiro chamam quem est\u00e1 na rela\u00e7\u00e3o e depois, se sobrar vagas, outros podem entrar. \u201cN\u00f3s avisamos ao coordenador do albergue, Rafael Gon\u00e7alves, o nome das pessoas que foram para o projeto e que est\u00e3o na lista fixa. Ent\u00e3o, eles ficam sabendo que estas pessoas est\u00e3o chegando, mesmo que elas n\u00e3o estejam presentes na hora da chamada, a\u00ed n\u00e3o disponibilizam a vaga deles para outra pessoa\u201d explica Bryan.<\/p>\n<p>Outra entidade envolvida \u00e9 o Coletivo de Olho na Rua (C\u00f4Ris), idealizado por Bryan e Nat\u00e1lia Boccardi, outra colaboradora do Tecer. \u201cAtualmente, o C\u00f4Ris n\u00e3o \u00e9 uma entidade formalmente definida, mas a ideia \u00e9 que um dia vire uma ONG. De toda forma, o coletivo est\u00e1 envolvido desde a elabora\u00e7\u00e3o do Tecer e tem financiado lanches e alguns materiais que precisam ser comprados pelo projeto\u201d, detalha Bryan.<\/p>\n<p>O elo de coopera\u00e7\u00e3o entre o ambiente universit\u00e1rio e as pessoas que est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua \u00e9 uma alternativa vi\u00e1vel para auxiliar sua autonomia e independ\u00eancia, al\u00e9m de combater o estigma existente na sociedade. Para Bryan, o afastamento de contextos de criminalidade e drogadi\u00e7\u00e3o, a quebra da rotina ociosa e a pr\u00e1tica de esportes podem auxiliar na melhoria da qualidade de vida e potencializar a sa\u00edda do indiv\u00edduo da situa\u00e7\u00e3o de rua.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o traz benef\u00edcios para os participantes do projeto e para a comunidade universit\u00e1ria que recebe essas pessoas, pois \u00e9 uma oportunidade de quebrar o tabu que existe sobre a popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua, que \u00e9 vista de forma marginalizada pela sociedade. \u201cA primeira vez que o grupo chegou ao Gin\u00e1sio da UFRN houve um choque de realidade para os dois lados. Boa parte dos participantes nunca havia entrado na Universidade, por outro lado, a comunidade universit\u00e1ria nem sempre est\u00e1 acostumada a receber essas pessoas\u201d, relata Bryan.<\/p>\n<p>P.S.S., 26 anos, pratica v\u00f4lei de quadra durante os encontro do projeto de extens\u00e3o e contou que est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o de rua desde o Natal de 2016, ap\u00f3s uma briga com a fam\u00edlia. \u201cEstou sozinho, a \u00fanica pessoa que ainda fala comigo \u00e9 minha irm\u00e3, mas ela tamb\u00e9m n\u00e3o quer que eu volte para casa porque escuto vozes e essas vozes pedem para que eu fa\u00e7a coisas ruins. N\u00e3o sou mais a mesma pessoa que era antes, perdi meu brilho\u201d, disse lembrando do epis\u00f3dio que o afastou dos familiares.<\/p>\n<p>O rapaz falou que ainda n\u00e3o conseguiu vaga no albergue, mas frequenta o Centro POP. \u201cQuando n\u00e3o tenho essa atividade do v\u00f4lei, fico no Viaduto do Baldo ou andando pela Cidade Alta sem ter o que fazer, at\u00e9 chegar a noite e procurar um lugar para dormir\u201d. Quando questionado se aprova o projeto e pretende continuar, ele responde: \u201cestou gostando bastante, o ambiente da UFRN \u00e9 gostoso e pretendo continuar, mas do futuro s\u00f3 quem sabe \u00e9 Deus\u201d.<\/p>\n<p>Outro participante da extens\u00e3o \u00e9 B.O.S., 39 anos, que frequenta o Centro POP h\u00e1 cerca de dois anos e dorme no Albergue h\u00e1 tr\u00eas anos. No Tecer, ele \u00e9 um dos frequentadores mais ass\u00edduos, joga v\u00f4lei de areia e considera que essa \u00e9 uma oportunidade de ocupar o tempo e de tentar se reinserir na sociedade. \u201cDurmo no Albergue e saio de l\u00e1 de 6h da manh\u00e3, vou para o Viaduto do Baldo, l\u00e1 eu fico esperando o Centro POP abrir para almo\u00e7ar e depois fico por l\u00e1 at\u00e9 voltar para o Albergue, mas a rua tem muita droga e \u00e9 dif\u00edcil ficar sem ter o que fazer quando voc\u00ea est\u00e1 lutando contra v\u00edcio\u201d, conta.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das atividades esportivas desenvolvidas, o grupo da extens\u00e3o est\u00e1 produzindo cartilhas com o intuito de conscientizar as pessoas sobre o que elas podem fazer para ajudar a popula\u00e7\u00e3o de rua, al\u00e9m de tentar quebrar o preconceito. Os interessados em ajudar o projeto, com doa\u00e7\u00f5es ou participando das a\u00e7\u00f5es, podem entrar em contato com o Tecer pelo e-mail <b>projetotecer@neuro.ufrn.br<\/b>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pr\u00e1tica regular de exerc\u00edcios traz diversos benef\u00edcios f\u00edsicos e mentais, como o fortalecimento dos m\u00fasculos e a redu\u00e7\u00e3o de ansiedade, depress\u00e3o, obesidade e de problemas cardiovasculares, entre outras doen\u00e7as. 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