{"id":2322,"date":"2021-01-15T16:49:00","date_gmt":"2021-01-15T19:49:00","guid":{"rendered":"http:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/?p=2322"},"modified":"2021-01-20T16:51:59","modified_gmt":"2021-01-20T19:51:59","slug":"pioneiros-brasileiros-descobrem-cura-de-doencas-em-drogas-psicotropicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/index.php\/2021\/01\/15\/pioneiros-brasileiros-descobrem-cura-de-doencas-em-drogas-psicotropicas\/","title":{"rendered":"Pioneiros! Brasileiros descobrem cura de doen\u00e7as em drogas psicotr\u00f3picas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>PEDRO NAKAMURA E S\u00cdLVIA LISBOA &#8211; REVISTA CL\u00c1UDIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante dois anos e meio, seguindo os mais padr\u00f5es cient\u00edficos, uma esp\u00e9cie de sess\u00e3o semelhante aos rituais xam\u00e2nicos foi reproduzida dentro do Hospital Universit\u00e1rio Onofre Lopes, em Natal, no Rio Grande do Norte.&nbsp;Por\u00e9m, no lugar de xam\u00e3s, cientistas cientistas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em vez de tambores e cantos entoados pelos ind\u00edgenas, a m\u00fasica vinha de uma&nbsp;<em>playlist<\/em>&nbsp;inspirada nas composi\u00e7\u00f5es usadas pela Uni\u00e3o do Vegetal, uma sociedade religiosa esp\u00edrita fundada nos anos 1960 com objetivo de promover \u201ca paz e o desenvolvimento espiritual de seus disc\u00edpulos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vinte e nove pacientes com&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/claudia.abril.com.br\/tudo-sobre\/depressao\/\">depress\u00e3o<\/a><\/strong>&nbsp;grave resistente aos antidepressivos convencionais, em tratamento no hospital, foram recrutados para o estudo.&nbsp;Metade tomou um ch\u00e1 terroso feito \u00e0 base de folhas de um arbusto misturado \u00e0 casca de um cip\u00f3 encontrado na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conhecida como ayahuasca ou daime, a bebida provoca estados alterados de consci\u00eancia, uma a\u00e7\u00e3o conhecida pelos povos ind\u00edgenas na Am\u00e9rica do Sul desde tempos imemoriais, mas que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o havia sido testado em um ensaio cl\u00ednico com padr\u00e3o ouro para testar a efic\u00e1cia de novos f\u00e1rmacos .<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cFoi o primeiro trabalho no mundo com um desenho experimental duplo-cego e placebo controlado a avalia\u00e7\u00e3o de uma ayahuasca para o tratamento de uma condi\u00e7\u00e3o psiqui\u00e1trica grave\u201d, alunos a cientista projeto Fernanda Palhano, cujo de doutorado originou o estudo.&nbsp;\u201cNeste modelo, n\u00e3o se seleciona qual paciente tomaria o ch\u00e1 e qual tomaria ou placebo.&nbsp;A sele\u00e7\u00e3o \u00e9 aleat\u00f3ria \u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante uma semana que se seguiu ao experimento, Fernanda e seus colegas colheram relatos dos pacientes e uma s\u00e9rie de marcadores bioqu\u00edmicos, hormonais e inflamat\u00f3rios que pudessem dar pistas da a\u00e7\u00e3o no organismo da infus\u00e3o.&nbsp;Os resultados impressionaram.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na avalia\u00e7\u00e3o feita neste per\u00edodo, 64% do grupo que havia bebido o ch\u00e1 de ayahuasca real teve uma diminui\u00e7\u00e3o dos sintomas contra 27% dos integrantes do tempo controle que ingeriu o ch\u00e1 falso.&nbsp;O dado mais surpreendente foi o do fim dos sintomas.&nbsp;Do grupo que apresenta melhora, cerca de 36% n\u00e3o tinha mais sinais depressivos, contra 7% do tempo do placebo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todos os pacientes, no entanto, foram informados que tomariam a ayahuasca, uma infus\u00e3o de gosto amargo que pode provocar v\u00f4mitos.&nbsp;\u201cPedimos a eles que pensassem num desejo, numa d\u00favida ou problema que serviria como fio condutor da experi\u00eancia\u201d, teor.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/claudia.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/SAUDE.jpg?quality=85&amp;strip=info\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o de uma estatua de mulher branca com procedimentos de flores e folhas\"\/><figcaption>Foto Pexels \u2022 Caminhadas Palmiro Domingues \/ CLAUDIA<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fernanda, ent\u00e3o doutoranda do Instituto do C\u00e9rebro (IC) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, conduziu o experimento in\u00e9dito ao lado de Dr\u00e1ulio de Ara\u00fajo, pioneiro no estudo dos psicod\u00e9licos no pa\u00eds.&nbsp;\u201cEmbora uma pesquisa cient\u00edfica realizada no sul global tenda a ter menos visibilidade, sabemos que temos o potencial de liderar este campo do ponto de vista mundial\u201d, anima-se a antrop\u00f3loga Beatriz Labate, diretora-executiva do Instituto Chacruna, uma entidade sem fins lucrativos dedicados \u00e0 pesquisa e ao conhecimento sobre medicina \u00e0 base de plantas psicod\u00e9licas, sediada em San Francisco, nos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo n\u00e3o seguiu para avaliar se o efeito do tratamento perdurou por mais tempo, mas abriu uma nova frente de pesquisa que colocou o Brasil na vanguarda do renascimento psicod\u00e9lico mundial.&nbsp;O pa\u00eds se beneficia da autoriza\u00e7\u00e3o da ayahuasca para uso religioso e cient\u00edfico desde 1987.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cTemos uma certa posi\u00e7\u00e3o de destaque por conta da pesquisa com a ayahuasca, mas j\u00e1 h\u00e1 projetos encaminhados a serem feitos com psilocibina (uma subst\u00e2ncia presente em cogumelos), e um j\u00e1 feito e publicado com MDMA (o princ\u00edpio ativo do ecstasy), que tamb\u00e9m est\u00e1 nesse rol \u201d, explica a psiquiatra Lu\u00eds Fernando T\u00f3foli, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conforme ele explica, a lei de drogas determina que a Anvisa pode estabelecer a legalidade para uso experimental.&nbsp;Isso n\u00e3o reduz, no entanto, como burocracias que solicitam pedidos formais de autoriza\u00e7\u00e3o \u00e0 ag\u00eancia que regula os medicamentos nem como interfer\u00eancias pol\u00edticas que colocaram o Brasil em desvantagem nas pesquisas com a maconha, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Recentemente, o Governo Bolsonaro votou contra a retirada da&nbsp;<em>cannabis<\/em>&nbsp;da lista das drogas mais perigosas, em que figurava ao lado da hero\u00edna desde 1961, uma sinaliza\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o reconhece o potencial terap\u00eautico da subst\u00e2ncia, em descompasso at\u00e9 mesmo com uma academia americana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA universidade nem sequer consegue plantar, fazer suas pr\u00f3prias cepas de maconha.&nbsp;A Unicamp teve um pedido negado m\u00eas passado \u201d, lamenta o neurocienrista Sidarta Ribeiro, tamb\u00e9m do IC de Natal.&nbsp;\u201cEstamos ficando para tr\u00e1s na revolu\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo 21.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2018, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC), da qual Sidarta \u00e9 um dos diretores, se posicionou a favor da legaliza\u00e7\u00e3o e fortaleza de todas as drogas no pa\u00eds.&nbsp;A mo\u00e7\u00e3o, aprovada por unanimidade e encaminhada \u00e0s autoridades brasileiras, defende uma pol\u00edtica de drogas \u201cprogressista e n\u00e3o proibicionista, orientada pelas melhores evid\u00eancias cient\u00edficas dispon\u00edveis nacional e internacionalmente, e livre de dogmatismos e preconceitos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO que a gente precisa para um uso respons\u00e1vel e n\u00e3o abusivo \u00e9 religi\u00e3o, bula, posologia, controle de qualidade, acompanhamento psicoterap\u00eautico capacitado.&nbsp;A ideia de que uma proibi\u00e7\u00e3o protegida \u00e9 um equ\u00edvoco.&nbsp;Pessoas que nem usam podem tomar tiro por causa disso \u201d, observa Sidarta, referindo-se \u00e0s mortes de jovens e crian\u00e7as nas favelas brasileiras causadas pela guerra \u00e0s drogas.&nbsp;A posi\u00e7\u00e3o de uma das maiores entidades de ci\u00eancia no pa\u00eds n\u00e3o parece ter sensibilizado o governo atual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o se sabe exatamente o que causa o efeito antidepressivo da ayahuasca: se \u00e9 uma mudan\u00e7a na bioqu\u00edmica cerebral, a experi\u00eancia m\u00edstica ou ambos.&nbsp;Uma das hip\u00f3teses tem a ver com o aumento da disponibilidade de serotonina, neurotransmissor que regula o humor e o bem-estar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fernanda explica que psicod\u00e9licos cl\u00e1ssicos, como o famoso LSD;&nbsp;uma psilocibina, dos cogumelos;&nbsp;uma mescalina extra\u00edda do cacto peiote;&nbsp;e a DMT, a subst\u00e2ncia presente na ayahuasca, atuam nos mesmos receptores cerebrais que os da serotonina, causando efeitos paralelos de alguns antidepressivos, sem os indesej\u00e1veis \u200b\u200befeitos colaterais ou a demorar para surtir resultados, um problema s\u00e9rio no tratamento convencional do depress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas o impacto pode ser ainda mais profundo.&nbsp;Um estudo conduzido tamb\u00e9m no IC, por Sidarta, em parceria com Stevens Rehen, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mostrou que os psicod\u00e9licos atuam na forma\u00e7\u00e3o de novos neur\u00f4nios e sinapses cerebrais.&nbsp;Sidarta e Rehen investigaram o efeito do LSD no c\u00e9rebro de roedores e constataram que uma subst\u00e2ncia \u00e9 um potencial estimulante cognitivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sob o efeito do \u00e1cido lis\u00e9rgico, os animais de diferentes idades obtiveram uma melhora no desempenho nas tarefas.&nbsp;A prote\u00e7\u00e3o contra o decl\u00ednio mental abriu uma nova frente de pesquisa no Brasil.&nbsp;\u201cS\u00e3o sete artigos no mundo todo que mostra o efeito dos psicod\u00e9licos no aumento da produ\u00e7\u00e3o de neur\u00f4nios ou sinapses.&nbsp;Quatro deles s\u00e3o brasileiros \u201d, afirma o neurocientista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cientistas como Fernanda e Sidarta est\u00e3o particularmente interessados \u200b\u200bnas experi\u00eancias psicol\u00f3gicas provocadas pelas subst\u00e2ncias e n\u00e3o apenas nos efeitos seus neuroqu\u00edmicos.&nbsp;N\u00e3o raro, ap\u00f3s as sess\u00f5es, os pacientes descrevem terem sido arrebatados por imagens e viv\u00eancias intensas que os fazem rever cren\u00e7as &#8211; ind\u00edgenas e caboclos classificam esses transes como uma cura espiritual.&nbsp;Os psicod\u00e9licos afetam um conjunto de pontos cerebrais, como as \u00e1reas de funcionamento-padr\u00e3o, que mexem com a percep\u00e7\u00e3o do \u201ceu\u201d e mem\u00f3rias autobiogr\u00e1ficas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo T\u00f3foli, h\u00e1 estudos com psilocibina mostrando que pessoas com experi\u00eancias m\u00edsticas intensas t\u00eam mais chances de se manterem abstinentes do cigarro.&nbsp;\u201cOs psicod\u00e9licos quebram a barreira entre voc\u00ea e o mundo.&nbsp;Em doses mais altas, surte a percep\u00e7\u00e3o que voc\u00ea se misturou com o universo \u201d, li\u00e7\u00f5es o psiquiatra.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/claudia.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/SAUDE2.jpg?quality=85&amp;strip=info\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o de uma estatua de mulher branca com medidas coloridas de flores e folhas\"\/><figcaption>Foto Pexels \u2022 Caminhadas Palmiro Domingues \/ CLAUDIA<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra subst\u00e2ncia promissora \u00e9 uma iboga\u00edna, o princ\u00edpio ativo de um arbusto encontrado na flora africana.&nbsp;A planta foi testada com sucesso para tratamento da depend\u00eancia qu\u00edmica pelo psiquiatra Dartiu Silveira, professor da Unifesp.&nbsp;Um ano ap\u00f3s o tratamento, 7o% dos 75 pacientes estavam livres da depend\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 o MDMA, princ\u00edpio ativo do ecstasy, \u00e9 visto como uma das maiores promessas para o tratamento de estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico &#8211; v\u00e1rios pa\u00edses cogitam conhecidos-lo para tratar veteranos de guerra.&nbsp;\u201cS\u00e3o efeitos incr\u00edveis j\u00e1 em fase tr\u00eas de estudo nos Estados Unidos, eo prov\u00e1vel primeiro comprador \u00e9 o Pent\u00e1gono porque h\u00e1 muitos de ex-combatentes traumatizados, desajustados e em sofrimento\u201d, afirma Sidarta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A expectativa \u00e9 que o uso do medicamento pode ser liberado a partir de 2022. J\u00e1 a psilocibina \u00e9 estudada em terapias paliativas com pacientes terminais.&nbsp;Eles relatam ter uma prazerosa sensa\u00e7\u00e3o de dissolu\u00e7\u00e3o do ego, que promove paz nos momentos finais da vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar da m\u00e1-fama injustamente imputada pelos anos de demoniza\u00e7\u00e3o feita por autoridades policiais e reproduzidas na imprensa, como subst\u00e2ncias psicod\u00e9licas n\u00e3o causam depend\u00eancia.&nbsp;\u00c9 a demonstra\u00e7\u00e3o de uma revis\u00e3o feita pelo cientista norte-americano David Nichols, em 2016, ainda hoje a mais completa sobre os efeitos delas.&nbsp;Isso n\u00e3o significa que usu\u00e1rios usu\u00e1rios livres de riscos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pessoas com psicoses, diagnosticadas com esquizofrenia ou transtorno bipolar nao devem tom\u00e1-las.&nbsp;T\u00f3foli tamb\u00e9m guarda cautela quanto \u00e0 panaceia atribu\u00edda \u00e0s plantas alucin\u00f3genas.&nbsp;\u201cApesar do entusiasmo, h\u00e1 um certo&nbsp;<em>hype<\/em>&nbsp;de dizer que psicod\u00e9lico \u00e9 mais poderoso que os antidepressivos.&nbsp;N\u00e3o \u00e9 bem assim, n\u00e3o.&nbsp;S\u00e3o recursos terap\u00eauticos como quaisquer outros.&nbsp;Precisamos definir com maior clareza as indica\u00e7\u00f5es, contra-indica\u00e7\u00f5es e limites \u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/claudia.abril.com.br\/tudo-sobre\/pandemia\">pandemia<\/a><\/strong>&nbsp;freou os estudos na \u00e1rea no \u00faltimo ano, e o Brasil pode perder a lideran\u00e7a na virada psicod\u00e9lica mundial.&nbsp;Mas a antrop\u00f3loga Beatriz Labate observa que ainda estamos em vantagem gra\u00e7as ao conhecimento ancestral acumulado pelos povos ind\u00edgenas.&nbsp;\u201cExiste aqui uma forte tradi\u00e7\u00e3o cultural de uso subst\u00e2ncias, o que permite um ambiente mais hol\u00edstico para sentido o significado e o impacto dessas pr\u00e1ticas na vida das pessoas\u201d, acredita-se.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PEDRO NAKAMURA E S\u00cdLVIA LISBOA &#8211; REVISTA CL\u00c1UDIA Durante dois anos e meio, seguindo os mais padr\u00f5es cient\u00edficos, uma esp\u00e9cie de sess\u00e3o semelhante aos rituais xam\u00e2nicos foi reproduzida dentro do Hospital Universit\u00e1rio Onofre Lopes, em Natal, no Rio Grande do Norte.&nbsp;Por\u00e9m, no lugar de xam\u00e3s, cientistas cientistas. 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