{"id":2241,"date":"2020-11-20T17:00:04","date_gmt":"2020-11-20T20:00:04","guid":{"rendered":"http:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/?p=2241"},"modified":"2020-11-23T10:06:00","modified_gmt":"2020-11-23T13:06:00","slug":"desvendando-as-ondas-cerebrais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/index.php\/2020\/11\/20\/desvendando-as-ondas-cerebrais\/","title":{"rendered":"Desvendando as ondas cerebrais"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image wp-image-42233 size-full\"><figure class=\"alignleft\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/wp.info.ufrn.br\/admin\/portal-ufrn\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2020\/11\/46207194022_4c5c831f89_b-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-42233\"\/><figcaption>Foto: Jos\u00e9 de Paiva Rebou\u00e7as<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Conhe\u00e7a um pouco da trajet\u00f3ria do neurocientista Adriano Tort, escolhido pela Plos Biology como um dos cientistas mais influentes do mundo<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O uso de t\u00e9cnicas computacionais para desvendar como o c\u00e9rebro funciona tem garantido avan\u00e7os importantes para os estudos das neuroci\u00eancias. Na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), pesquisas nessa \u00e1rea colocou o m\u00e9dico e neurocientista Adriano Tort, chefe do Laborat\u00f3rio de Neurofisiologia Computacional do Instituto do C\u00e9rebro (ICe), na lista dos cientistas mais influentes do mundo, segundo levantamento da revista <em>Plos Biology<\/em>. Publicado recentemente, o <em>ranking<\/em> trouxe sete nomes da UFRN e despertou interesse da popula\u00e7\u00e3o em saber os motivos que os colocam em evid\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Adriano Tort foi reconhecido por dois assuntos que estuda com seu grupo, a partir do campo de pesquisa denominado <em>eletrofisiologia<\/em>. Analisando os sinais el\u00e9tricos que o c\u00e9rebro produz, ele conseguiu mostrar que as ondas cerebrais n\u00e3o s\u00e3o fen\u00f4menos el\u00e9tricos isolados, mas padr\u00f5es el\u00e9tricos r\u00edtmicos que podem interagir entre si. \u201c\u00c9 como se as diferentes ondas cerebrais \u2018conversassem\u2019. T\u00eam-se mostrado que este acoplamento entre frequ\u00eancias se relaciona com fun\u00e7\u00f5es cognitivas desempenhadas pelo c\u00e9rebro\u201d, explicou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa observa\u00e7\u00e3o o levou a desenvolver uma nova t\u00e9cnica computacional para mensurar essas intera\u00e7\u00f5es entre ondas cerebrais diferentes. Hoje em dia, essa metodologia, apontada em alguns estudos como \u00cdndice Tort, \u00e9 empregada por diversos laborat\u00f3rios ao redor do mundo e tem ajudado na compreens\u00e3o do funcionamento cerebral.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A segunda linha de pesquisa que Tort vem se dedicando e que tem chamado bastante aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o estudo do efeito da respira\u00e7\u00e3o sobre a atividade cerebral. Seu grupo foi um dos pioneiros em mostrar que a respira\u00e7\u00e3o nasal \u00e9 capaz de modular a atividade das ondas cerebrais, um achado que tem sido replicado por diversos laborat\u00f3rios por diferentes t\u00e9cnicas e em diversas esp\u00e9cies de animais, incluindo humanos. \u201cUma vez que se acredita que as ondas cerebrais desempenham papel importante para o funcionamento do c\u00e9rebro, mostrar que a respira\u00e7\u00e3o modula estas ondas pode indicar um mecanismo pelo qual a respira\u00e7\u00e3o poderia afetar a atividade mental\u201d, conta Adriano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Trajet\u00f3ria&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Adriano Tort nasceu no Rio de Janeiro quando os pais, ga\u00fachos formados em f\u00edsica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), faziam p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Sua m\u00e3e depois se tornou f\u00edsica-m\u00e9dica trabalhando com radioterapia, enquanto seu pai seguiu carreira docente como professor da UFRJ. \u201cPortanto, o mundo acad\u00eamico esteve presente em minha vida desde cedo\u201d, reflete.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image wp-image-42232 size-full\"><figure class=\"alignleft\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/wp.info.ufrn.br\/admin\/portal-ufrn\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2020\/11\/46257797251_b7765f7e9c_b.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-42232\"\/><figcaption>Foto: Jos\u00e9 de Paiva Rebou\u00e7as<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora sempre tenha gostado das ci\u00eancias exatas, \u00e0 \u00e9poca do vestibular Adriano optou por Medicina, segundo ele, \u201cpor imaturidade\u201d, j\u00e1 que era o curso mais dif\u00edcil de entrar. \u201cEscolhi pelo desafio\u201d. No entanto, logo ficou evidente que seu interesse maior estava nos livros e na ci\u00eancia que gerava aqueles conhecimentos. Isso o levou a se juntar a um laborat\u00f3rio de ci\u00eancia b\u00e1sica onde trabalhou v\u00e1rios anos como bolsista de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos \u00faltimos anos da medicina, come\u00e7ou a cursar o bacharelado em F\u00edsica, gradua\u00e7\u00e3o que concluiu junto com o doutorado em Biologia tr\u00eas anos ap\u00f3s se formar em Medicina. Depois da Medicina, e em paralelo ao seu doutorado e ao curso de F\u00edsica, fez mestrado em Matem\u00e1tica pura, pela fascina\u00e7\u00e3o que tinha pelo racioc\u00ednio l\u00f3gico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cHoje em dia, no entanto, eu trabalho numa \u00e1rea que pode ser considerada Matem\u00e1tica Aplicada, j\u00e1 que aplico ferramentas da Matem\u00e1tica e da F\u00edsica para estudar o c\u00e9rebro. Estou muito satisfeito nesta \u00e1rea onde posso unir conhecimentos das diferentes disciplinas que aprendi ao longo da carreira. Tamb\u00e9m estou muito feliz com a escolha profissional de onze anos atr\u00e1s, de ter me juntado ao projeto de implementa\u00e7\u00e3o do Instituto do C\u00e9rebro da UFRN e de poder contribuir para o desenvolvimento cient\u00edfico do nordeste junto com colegas altamente qualificados\u201d, completou o cientista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Plos Biology<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A escolha dos nomes na lista da revista <em>Plos Biology<\/em> foi objetiva e determinada por uma m\u00e9trica criada por cientistas da Universidade de Stanford (EUA) para quantificar a produtividade de pesquisadores individuais. Trata-se de um \u00edndice que leva em considera\u00e7\u00e3o m\u00faltiplos fatores, incluindo n\u00famero de cita\u00e7\u00f5es totais, \u00edndice h, \u00edndice h ajustado pelo n\u00famero de autores, corre\u00e7\u00f5es para autocita\u00e7\u00f5es e valoriza\u00e7\u00e3o de cita\u00e7\u00f5es para trabalhos nos quais o pesquisador \u00e9 o autor principal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Adriano Tort, essa&nbsp;nova m\u00e9trica composta visa corrigir anomalias que podem aparecer em \u00edndices individuais. \u201cTrabalhos com muitos autores tendem a ser mais citados,&nbsp;mas,&nbsp;ao mesmo tempo,&nbsp;costumam ser menos laboriosos para os coautores envolvidos, ent\u00e3o muitos consideram injusto que as cita\u00e7\u00f5es a estes trabalhos sejam consideradas da mesma forma que cita\u00e7\u00f5es a trabalhos feitos, por exemplo, por dois autores &#8211; digamos, somente por um aluno e um professor\u201d, pondera.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tort explica que, analogamente, artigos nos quais o pesquisador \u00e9 o autor principal \u2013 em bioci\u00eancias, geralmente o primeiro autor, se aluno, ou o \u00faltimo autor, se orientador \u2013 costumam demandar muito mais trabalho do que participa\u00e7\u00f5es em coautoria (autores \u201cdo meio\u201d). \u201cEsta nova m\u00e9trica, portanto, \u00e9 algo que a pr\u00f3pria Capes poderia considerar em adotar em seu sistema de avalia\u00e7\u00e3o, que hoje em dia \u00e9 muito sens\u00edvel a distor\u00e7\u00f5es\u201d, pondera Adriano Tort.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conhe\u00e7a um pouco da trajet\u00f3ria do neurocientista Adriano Tort, escolhido pela Plos Biology como um dos cientistas mais influentes do mundo O uso de t\u00e9cnicas computacionais para desvendar como o c\u00e9rebro funciona tem garantido avan\u00e7os importantes para os estudos das neuroci\u00eancias. 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