{"id":2079,"date":"2020-08-28T14:59:16","date_gmt":"2020-08-28T17:59:16","guid":{"rendered":"http:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/?p=2079"},"modified":"2020-08-28T15:06:49","modified_gmt":"2020-08-28T18:06:49","slug":"estudo-descreve-associacao-entre-forma-e-atividade-do-cerebro-em-criancas-microcefalicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/index.php\/2020\/08\/28\/estudo-descreve-associacao-entre-forma-e-atividade-do-cerebro-em-criancas-microcefalicas\/","title":{"rendered":"Estudo descreve associa\u00e7\u00e3o entre forma e atividade do c\u00e9rebro em crian\u00e7as microcef\u00e1licas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 medida que crian\u00e7as com microcefalia causada pela infec\u00e7\u00e3o cong\u00eanita pelo v\u00edrus zika, crescem, quest\u00f5es importantes sobre o seu desenvolvimento cerebral aparecem. Uma delas \u00e9 o desenvolvimento de epilepsias. Estudos pr\u00e9vios mostraram que aproximadamente dois ter\u00e7os dessas crian\u00e7as podem apresentar crises recorrentes no primeiro ano de vida. Epilepsia, uma desordem neurol\u00f3gica comumente observada durante o desenvolvimento do paciente, \u00e9 caracterizada por crises resultantes da atividade cerebral anormal, transiente e descontrolada. As raz\u00f5es para a maior suscetibilidade em certas crian\u00e7as com microcefalia derivadas de v\u00edrus zika s\u00e3o desconhecidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pesquisadores do Instituto do C\u00e9rebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (ICe\/UFRN) acabaram de publicar&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.thelancet.com\/journals\/eclinm\/article\/PIIS2589-5370(20)30252-2\/fulltext?fbclid=IwAR1vzLXpkHp9xbT7TtmOBUKb4AqpoO6nyQ1cijWWXD_vaBjIq6fm3eLPSbM\">artigo na eClinicalMedicine<\/a>, revista de livre acesso do grupo Lancet, em que eles correlacionam padr\u00f5es de atividade cerebral com caracter\u00edsticas da sua forma. O estudo descreveu que a presen\u00e7a de atividade cerebral comum em pacientes epil\u00e9pticos possui maior chance de aparecer em pacientes que possuem calcifica\u00e7\u00f5es, maior redu\u00e7\u00e3o do volume do c\u00e9rebro e atrofia de estruturas como o tronco encef\u00e1lico e o cerebelo. Tamb\u00e9m mostra que o desenvolvimento de fusos do sono, uma oscila\u00e7\u00e3o essencial para o desenvolvimento cerebral e a consolida\u00e7\u00e3o de mem\u00f3rias, estava prejudicado em pacientes com epilepsia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para medir a atividade cerebral, os pesquisadores analisaram registros de eletroencefalografia (EEG), t\u00e9cnica comum e n\u00e3o-invasiva utilizada para registrar a atividade el\u00e9trica do c\u00e9rebro e amplamente empregada para auxiliar o diagn\u00f3stico de desordens cerebrais, incluindo epilepsias. J\u00e1 as caracter\u00edsticas da forma do c\u00e9rebro foram obtidas por tomografia computadorizada (TC) que produz m\u00faltiplas imagens de raio-X do c\u00e9rebro, permitindo a reconstru\u00e7\u00e3o 3D da sua estrutura macrosc\u00f3pica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/www.thelancet.com\/cms\/10.1016\/j.eclinm.2020.100508\/attachment\/5bd2f271-b5de-4d79-9292-c88a9a7bc358\/mmc1.mp4\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/microcefalia-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2080\" srcset=\"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/microcefalia-1024x576.png 1024w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/microcefalia-300x169.png 300w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/microcefalia-768x432.png 768w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/microcefalia.png 1366w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atrav\u00e9s da combina\u00e7\u00e3o desses exames, eles observaram ainda uma nova oscila\u00e7\u00e3o durante o sono, de 6 Hertz, que n\u00e3o havia sido descrita antes. \u201cN\u00e3o sabemos, por enquanto, qual \u00e9 o significado desta atividade, nem sua relev\u00e2ncia cl\u00ednica. Estas s\u00e3o quest\u00f5es que queremos responder no futuro. Acreditamos que estas observa\u00e7\u00f5es podem nos ajudar a entender o espectro de apresenta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas na s\u00edndrome do v\u00edrus zika cong\u00eanito\u201d, disse Claudio Queiroz, que coordenou o grupo de pesquisadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste trabalho, os pesquisadores do ICe colaboraram com outros do Hospital Pedi\u00e1trico (Hosped), Centro de Imagem e Instituto de Medicina Tropical, todos da UFRN, para ter acesso aos dados e testar a hip\u00f3tese de uma associa\u00e7\u00e3o entre a estrutura cerebral e sua fun\u00e7\u00e3o. O Hospital Pedi\u00e1trico mant\u00e9m um servi\u00e7o de ambulat\u00f3rio que acompanha dezenas de pacientes com microcefalia derivada de v\u00edrus zika, oferecido pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Passos futuros<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados deste artigo s\u00e3o baseados em achados obtidos durante o primeiro ano de vida e um n\u00famero pequeno de pacientes de um \u00fanico centro de sa\u00fade. Os pesquisadores acreditam que um estudo mais extensivo, realizado em colabora\u00e7\u00e3o com outros centros e com mais pacientes, trar\u00e1 mais respostas a perguntas que ainda persistem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c\u00c9 importante observar que existem caracter\u00edsticas macrosc\u00f3picas que est\u00e3o especificamente associadas a epilepsias, mas isso n\u00e3o quer dizer que elas sejam a causa. Nossa interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 que elas est\u00e3o associadas a um grau mais severo, representando a ponta do espectro da s\u00edndrome\u201d, refor\u00e7a Eduardo Sequerra, primeiro autor no artigo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante este trabalho, o ICe demonstrou a relev\u00e2ncia das colabora\u00e7\u00f5es. Agora, est\u00e1 em colabora\u00e7\u00e3o com grupos de S\u00e3o Lu\u00eds (Maranh\u00e3o) para testar se seus achados s\u00e3o reproduzidos em outro grupo de pacientes. \u201cNo Brasil, a pesquisa cl\u00ednica se beneficia enormemente de um sistema unificado que pode computar estat\u00edstica, recomendar protocolos m\u00e9dicos e prover tratamento adequado. Este estudo s\u00f3 foi poss\u00edvel gra\u00e7as ao SUS. Nosso conhecimento sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a estrutura cerebral e sua fun\u00e7\u00e3o em s\u00edndromes neurol\u00f3gicas espec\u00edficas somente avan\u00e7ar\u00e1 se o SUS for fortalecido na nossa sociedade por for\u00e7as pol\u00edticas\u201d, completa Claudio Queiroz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 medida que crian\u00e7as com microcefalia causada pela infec\u00e7\u00e3o cong\u00eanita pelo v\u00edrus zika, crescem, quest\u00f5es importantes sobre o seu desenvolvimento cerebral aparecem. Uma delas \u00e9 o desenvolvimento de epilepsias. Estudos pr\u00e9vios mostraram que aproximadamente dois ter\u00e7os dessas crian\u00e7as podem apresentar crises recorrentes no primeiro ano de vida. 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