{"id":2037,"date":"2020-07-30T15:00:02","date_gmt":"2020-07-30T18:00:02","guid":{"rendered":"http:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/?p=2037"},"modified":"2020-07-30T15:11:19","modified_gmt":"2020-07-30T18:11:19","slug":"ayahuasca-reforca-elo-entre-depressao-e-inflamacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/index.php\/2020\/07\/30\/ayahuasca-reforca-elo-entre-depressao-e-inflamacao\/","title":{"rendered":"Ayahuasca refor\u00e7a elo entre depress\u00e3o e inflama\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Marcelo Leite &#8211; FOLHA DE S\u00c3O PAULO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Grupo da UFRN reduz indicador de rea\u00e7\u00e3o inflamat\u00f3ria e melhora sintomas em pacientes com o tipo resistente do transtorno mental<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pioneirismo da ci\u00eancia psicod\u00e9lica brasileira marcou novo tento. Depois de realizar o <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"primeiro teste cl\u00ednico controlado (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2018\/06\/ayahuasca-diminui-sintomas-de-depressao-em-pesquisa-brasileira.shtml\" target=\"_blank\">primeiro teste cl\u00ednico controlado<\/a> com essa classe de subst\u00e2ncias (ayahuasca, no caso) contra depress\u00e3o, pesquisadores do Nordeste mostram que a melhora parece vir de um recuo na rea\u00e7\u00e3o inflamat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda n\u00e3o est\u00e1 provada a hip\u00f3tese que liga esse transtorno mental com a inflama\u00e7\u00e3o, resposta t\u00edpica do sistema imunol\u00f3gico ao ataque de agentes externos, como v\u00edrus. Tampouco se sabe o que desencadeia a inflama\u00e7\u00e3o discreta em pacientes deprimidos, apenas que eles t\u00eam n\u00edveis alterados de compostos, como o cortisol, que participam de sua modula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O novo estudo, <a href=\"https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/10.1177\/0269881120936486\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"publicado dia 10 no peri\u00f3dico especializado Journal of Psychopharmacology (abre numa nova aba)\">publicado dia 10 no peri\u00f3dico especializado Journal of Psychopharmacology<\/a>, acrescenta uma pe\u00e7a ao quebra-cabe\u00e7as da neurobiologia da depress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 frente est\u00e1 Nicole Leite Galv\u00e3o-Coelho, do Departamento de Fisiologia e Comportamento da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A bi\u00f3loga faz atualmente p\u00f3s-doutorado na Universidade de Western Sydney (Austr\u00e1lia).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 o primeiro estudo no mundo que aponta em humanos, tanto pacientes quanto pessoas saud\u00e1veis, a a\u00e7\u00e3o anti-inflamat\u00f3ria de um psicod\u00e9lico cl\u00e1ssico&#8221;, afirma Nicole. &#8220;Antes disso, s\u00f3 alguns outros in vitro e com modelos animais j\u00e1 haviam demostrado esse potencial.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Psicod\u00e9licos cl\u00e1ssicos como ayahuasca (ch\u00e1 utilizado em rituais de religi\u00f5es como Santo Daime), LSD e psilocibina (presente nos chamados cogumelos m\u00e1gicos) agem sobre receptores de serotonina no c\u00e9rebro. Pessoas com depress\u00e3o t\u00eam n\u00edveis diminu\u00eddos desse neurotransmissor, e rem\u00e9dios antidepressivos atuam para elev\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A fisiologista colaborou com o grupo de Dr\u00e1ulio Ara\u00fajo e Fernanda Palhano-Fontes, do Instituto do C\u00e9rebro e do Hospital Universit\u00e1rio Onofre Lopes, ambos da UFRN, respons\u00e1veis pelo estudo randomizado com grupo placebo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nicole analisou o sangue de 28 participantes com depress\u00e3o nesse teste cl\u00ednico pioneiro (14 tomaram ayahuasca e 14, placebo), al\u00e9m de 45 pessoas sem o transtorno. As amostras foram colhidas antes do tratamento e 48 horas depois. Para medir o grau de inflama\u00e7\u00e3o, ela usou uma prote\u00edna (conhecida pela abrevia\u00e7\u00e3o CRP) produzida em maior quantidade no f\u00edgado quando ocorre a rea\u00e7\u00e3o inflamat\u00f3ria do sistema imune.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A ayahuasca reduziu de maneira significativa, ap\u00f3s 48 horas, tanto a inflama\u00e7\u00e3o quanto a depress\u00e3o, simultaneamente&#8221;, diz a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A rea\u00e7\u00e3o inflamat\u00f3ria, assim como a a\u00e7\u00e3o de psicod\u00e9licos para atenu\u00e1-la, podem ser a chave para avan\u00e7ar no tratamento do tipo resistente de depress\u00e3o. Ele aflige um ter\u00e7o dos mais de 300 milh\u00f5es de pessoas com o transtorno no mundo, que n\u00e3o conseguem melhora com os antidepressivos convencionais, baseados na inibi\u00e7\u00e3o da reciclagem de serotonina pelo sistema nervoso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa foi a forma da doen\u00e7a investigada no estudo pioneiro da UFRN, cujos participantes sofriam com ela h\u00e1 11 anos, em m\u00e9dia. A pergunta que o grupo gostaria de responder \u00e9 se n\u00edveis alterados de cortisol, chamado tamb\u00e9m de horm\u00f4nio do estresse, estariam na raiz da resist\u00eancia aos medicamentos dispon\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso porque, no caso dos pacientes cr\u00f4nicos, o n\u00edvel de cortisol aparece diminu\u00eddo, enquanto nos que apenas come\u00e7am a apresentar sintomas de depress\u00e3o ele costuma subir. A quantidade rebaixada do horm\u00f4nio poderia talvez explicar a inflama\u00e7\u00e3o discreta constatada nos doentes com depress\u00e3o resistente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Precisamos de mais estudos, com mais indiv\u00edduos e mais coletas, para entendermos melhor essa complexa rela\u00e7\u00e3o da neurobiologia da depress\u00e3o e, assim, ajudar os 30% de pacientes que n\u00e3o respondem ao tratamento.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), o n\u00famero de pessoas com depress\u00e3o aumentou 18,4% de 2005 a 2015. Com a pandemia de Covid-19 e os v\u00e1rios graus de isolamento social que acarretou, sem data certa para acabar, parece prov\u00e1vel que o transtorno crescer\u00e1 para se tornar o grande mal do s\u00e9culo 21.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Renunciar ao potencial terap\u00eautico dos psicod\u00e9licos, para quantidade crescente de especialistas, \u00e9 uma extravag\u00e2ncia que a humanidade n\u00e3o pode se permitir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O QUE \u00c9 AYAHUASCA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ayahuasca, hoasca ou iag\u00ea, bebida originada de rituais xam\u00e2nicos e ind\u00edgenas de v\u00e1rias etnias do Brasil e do Peru, \u00e9 um ch\u00e1 preparado com dois ingredientes vegetais: folhas do arbusto chacrona (Psychotria viridis) e casca do cip\u00f3 mariri, caapi ou jagube (Banisteriopsis caapi).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A chacrona cont\u00e9m o principal composto psicoativo da beberagem, a n,n-dietiltriptamina (DMT). O mariri fornece os alcaloides harmina, harmalina e tetrahidroarmina, que inibem uma enzima degradadora da DMT e, com isso, prolongam seu efeito psicod\u00e9lico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No s\u00e9culo 20, a ayahuasca se tornou o sacramento de religi\u00f5es sincr\u00e9ticas surgidas na Amaz\u00f4nia que se espalharam pelo Brasil e outros pa\u00edses, como Santo Daime, Barquinha e Uni\u00e3o do Vegetal. Misturam-se nelas elementos crist\u00e3os, esp\u00edritas, ind\u00edgenas e africanos. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marcelo Leite &#8211; FOLHA DE S\u00c3O PAULO Grupo da UFRN reduz indicador de rea\u00e7\u00e3o inflamat\u00f3ria e melhora sintomas em pacientes com o tipo resistente do transtorno mental O pioneirismo da ci\u00eancia psicod\u00e9lica brasileira marcou novo tento. 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