{"id":2011,"date":"2020-07-22T18:12:44","date_gmt":"2020-07-22T21:12:44","guid":{"rendered":"http:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/?p=2011"},"modified":"2020-07-23T11:03:43","modified_gmt":"2020-07-23T14:03:43","slug":"no-dia-mundial-do-cerebro-cientistas-falam-sobre-implicacoes-da-pandemia-e-crescimento-das-neurociencias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/index.php\/2020\/07\/22\/no-dia-mundial-do-cerebro-cientistas-falam-sobre-implicacoes-da-pandemia-e-crescimento-das-neurociencias\/","title":{"rendered":"No dia mundial do c\u00e9rebro, cientistas falam sobre implica\u00e7\u00f5es da pandemia e crescimento das neuroci\u00eancias"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entidades m\u00e9dicas e cientistas de diferentes pa\u00edses celebram nesta quarta-feira, 22, o Dia Mundial do C\u00e9rebro. A data reporta \u00e0 funda\u00e7\u00e3o da Federa\u00e7\u00e3o Mundial de Neurologia, criada em 1957. Para o neurocientista Claudio Queiroz, chefe do Laborat\u00f3rio de Redes Neurais e Epilepsia, do Instituto do C\u00e9rebro (ICe) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), esse dia, como muitos outros do tipo, como a Semana do C\u00e9rebro, por exemplo, tem por objetivo lembrar a import\u00e2ncia de aumentarmos nosso conhecimento sobre o c\u00e9rebro. Tamb\u00e9m esclarecer, junto ao p\u00fablico, as causas e tratamentos de dist\u00farbios neurol\u00f3gicos e psiqui\u00e1tricos, visando diminuir o estigma associado a doen\u00e7as do sistema nervoso, como as epilepsias e esquizofrenia, bem como pautar melhorias terap\u00eauticas e mais acesso a tratamentos e diagn\u00f3sticos de qualidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essas s\u00e3o algumas das preocupa\u00e7\u00f5es observadas pelo ICe que, desde 2011, colocou o Rio Grande do Norte no mapa mundial dos estudos em neuroci\u00eancias. O neurocientista Eduardo Sequerra, chefe do Laborat\u00f3rio de Desenvolvimento Neural e Ambiente do ICe explica que neste per\u00edodo de pandemia os neurocientistas est\u00e3o atentos \u00e0s v\u00e1rias implica\u00e7\u00f5es que o mundo atravessa, desde a qualidade do sono, a depress\u00e3o, o aprendizado diante das aulas virtuais e at\u00e9 se a covid-19 chega ao c\u00e9rebro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra grande preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 com a sa\u00fade mental das pessoas e seus comportamentos diante do medo e da incerteza do futuro. Atenta ao momento atual, a psiquiatra e neurocientista Nat\u00e1lia Mota, pesquisadora no p\u00f3s-dourado do ICe, vem desenvolvendo uma pesquisa em que analisa relatos de sonhos de volunt\u00e1rios para investigar como o momento afeta as pessoas. Os resultados sugerem que quanto maior o sofrimento da pessoa, mas ela traz relatos on\u00edricos de ideias de limpeza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Nat\u00e1lia, com a necessidade de isolamento social, tens\u00e3o, mudan\u00e7a na qualidade de vida e a paralisa\u00e7\u00e3o da economia e o risco econ\u00f4mico e financeiro para os v\u00e1rios setores da economia, haver\u00e1 sim importante impacto na sa\u00fade mental, no sono e nos sonhos das pessoas. Isso pode ser agravado com a falta de planejamento sanit\u00e1rio por parte do governo e a escassez de solu\u00e7\u00f5es em \u00e1reas como a educa\u00e7\u00e3o, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/wp.info.ufrn.br\/admin\/portal-ufrn\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2019\/09\/ICE-equipe_13Set19_Jos%C3%A9-de-Paiva-Rebou%C3%A7as-BR3.jpg\" alt=\"Portal da UFRN\"\/><figcaption>Nat\u00e1lia Mota faz p\u00f3s-doutorado no ICe<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cQualquer dessas vulnerabilidades mant\u00e9m o sistema de alerta ativo. Esse sistema de alerta e produ\u00e7\u00e3o de horm\u00f4nios e prote\u00ednas relacionadas \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o desse estado de alerta, gera uma modifica\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio aparato mental relacionado a isso, fazendo com que toda a rede neural fique por muito tempo acionada, mantendo a vigil\u00e2ncia e a tenacidade elevada para as situa\u00e7\u00f5es de risco. Tudo isso tem um impacto na qualidade do sono\u201d, conta a m\u00e9dica, embora explique que cada um experimenta desafios particulares em rela\u00e7\u00e3o a tudo que est\u00e1 acontecendo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No campo da pesquisa cient\u00edfica, Nat\u00e1lia observa ser importante ter consci\u00eancia que esse momento \u00e9 particular e peculiarmente ilustrativo de como \u00e9 poss\u00edvel entender um pouco mais sobre as rea\u00e7\u00f5es ao estresse, como lidar com desafios, com a resili\u00eancia e a tomada de decis\u00f5es que possam orientar e iluminar as pessoas diante desses desafios coletivos, mas tamb\u00e9m individuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cVejo v\u00e1rias oportunidades de pesquisa. No nosso laborat\u00f3rio, temos realizado e colaborado com pesquisas que quantificam v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es que ocorrem e s\u00e3o espelhadas na atividade on\u00edrica. Percebemos existir uma modifica\u00e7\u00e3o no padr\u00e3o do sono, mas estamos interessados nas modifica\u00e7\u00f5es no conte\u00fado dos sonhos\u201d, explica Natalia que integra o grupo de pesquisadores do laborat\u00f3rio Sono, Sonho e Mem\u00f3ria, coordenado pelo neurocientista Sidarta Ribeiro, vice-diretor do ICe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A m\u00e1quina dos sonhos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com a pesquisadora, h\u00e1 bastante evid\u00eancia e teorias que embasam a fun\u00e7\u00e3o on\u00edrica como atividade fisiol\u00f3gica que o humano desenvolveu ao longo da sua evolu\u00e7\u00e3o, no sentido de preparar o sonhador para os desafios subsequentes. \u00c9 como se fosse um treino de realidade virtual que se pode experimentar em um ambiente seguro, no caso a pr\u00f3pria mente, de maneira a resolver desafios que s\u00e3o extremamente personalizados porque s\u00e3o colocados a partir de um banco de mem\u00f3rias personificadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas Nat\u00e1lia alerta que n\u00e3o \u00e9 qualquer desafio que aciona esse or\u00e1culo probabil\u00edstico. Para isso, \u00e9 preciso um desafio que tenha um impacto importante, principalmente nas emo\u00e7\u00f5es. \u201cO que estamos vivendo coletivamente \u00e9 um mesmo desafio para v\u00e1rias pessoas ao mesmo tempo. Desafio de sobreviver em um mundo capitalista, extremamente individualista, desafio que requerem uma resposta do coletivo. Como a gente consegue pensar enquanto sociedade para superar essa crise sanit\u00e1ria e financeira, como se organizar como comunidade e sociedade para que as pessoas em vulnerabilidade n\u00e3o sofram tanto e que isso n\u00e3o venha a impactar sobremaneira a vida de toda a parcela da popula\u00e7\u00e3o em cadeia? \u201d, questiona.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em sua vis\u00e3o, esses s\u00e3o pensamentos muito mais complexos do que normalmente estamos acostumados a experimentar e v\u00e1rios setores da sociedade n\u00e3o conseguem perceber isso porque n\u00e3o tiveram a educa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica suficientes para entender que, sem pensar coletivamente, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel encontrar solu\u00e7\u00f5es que sejam realmente efetivas. \u201cE esse \u00e9 o nosso desafio\u201d, aponta. Para ela, \u00e9 preciso tentar compreender coletivamente um futuro que seja ben\u00e9fico para cada um, n\u00e3o individualmente, mas que seja um investimento para uma sociedade mais saud\u00e1vel e madura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cVejo uma oportunidade muito bonita n\u00e3o s\u00f3 para a pesquisa, mas uma oportunidade social vi\u00e1vel para a constru\u00e7\u00e3o de um novo futuro poss\u00edvel, mais consciente do papel de cada um e mais respons\u00e1vel sanit\u00e1ria e economicamente com toda as parcelas da sociedade\u201d, finalizou Nat\u00e1lia Mota.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O avan\u00e7o das neuroci\u00eancias na UFRN<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/neuro.ufrn.br\/_imgs\/EduardoSequerra_palestraArboviroses.jpg\" alt=\"Instituto do C\u00e9rebro\"\/><figcaption>Eduardo Sequerra \u00e9 pesquisador do ICe<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Inaugurado em 2011, o Instituto do C\u00e9rebro da UFRN re\u00fane um seleto grupo de pesquisadores respons\u00e1veis pela manuten\u00e7\u00e3o de quatro grandes linhas de pesquisas, ancoradas pelo Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Neuroci\u00eancias (PGNeuro) que oferece forma\u00e7\u00e3o em n\u00edveis de mestrado, doutorado e p\u00f3s-doutorado. Seus 18 laborat\u00f3rios foram respons\u00e1veis, s\u00f3 em 2020, pela publica\u00e7\u00e3o de 19 artigos em diversos peri\u00f3dicos da \u00e1rea. S\u00e3o 353 desde 2011 e oito cap\u00edtulos de livro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eduardo Sequerra refor\u00e7a que as neuroci\u00eancias est\u00e3o mais fortes do que nunca. \u201cTivemos a d\u00e9cada do c\u00e9rebro, nos anos 1990, com o boom tecnol\u00f3gico nos estudos do c\u00e9rebro, mas depois desse per\u00edodo, as neuroci\u00eancias entraram em um plat\u00f4 e se mantiveram como uma das principais ci\u00eancias, povoando as principais revistas\u201d, relata.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mais importante, segundo ele, \u00e9 que as neuroci\u00eancias ca\u00edram na curiosidade popular e hoje todo mundo fala em sinapse, mem\u00f3ria, aprendizado e da base de doen\u00e7as como Alzheimer e Parkinson. Al\u00e9m do mais, o pr\u00f3prio ICe est\u00e1 conseguindo cada vez mais ultrapassar os muros da universidade para levar atividades para as escolas e \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entidades m\u00e9dicas e cientistas de diferentes pa\u00edses celebram nesta quarta-feira, 22, o Dia Mundial do C\u00e9rebro. A data reporta \u00e0 funda\u00e7\u00e3o da Federa\u00e7\u00e3o Mundial de Neurologia, criada em 1957. 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