{"id":2004,"date":"2020-07-20T15:32:44","date_gmt":"2020-07-20T18:32:44","guid":{"rendered":"http:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/?p=2004"},"modified":"2020-07-20T15:35:31","modified_gmt":"2020-07-20T18:35:31","slug":"apagando-traumas-e-fobias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/index.php\/2020\/07\/20\/apagando-traumas-e-fobias\/","title":{"rendered":"Apagando traumas e fobias"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Pesquisa mostra que \u00e9 poss\u00edvel substituir seletivamente mem\u00f3rias aversivas em ratos<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O esquecimento \u00e9 um processo natural. Sem ele,\ncorremos o risco de sobrecarregar nosso sistema. Guardamos na lembran\u00e7a os\neventos mais importantes para a nossa sobreviv\u00eancia, o problema \u00e9 quando\nacontecimentos perturbadores fixam mem\u00f3rias persistentes que prejudicam nosso\ndia a dia e podem at\u00e9 causar comportamentos f\u00f3bicos e dist\u00farbios de ansiedade,\ncomo o estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico. Esses dist\u00farbios s\u00e3o comumente tratados com\npsicoterapia e medicamentos ansiol\u00edticos e antidepressivos, por\u00e9m essas\nabordagens nem sempre s\u00e3o efetivas. Por isso, a ci\u00eancia busca alternativas mais\neficazes e uma delas \u00e9 a possibilidade de apagar as mem\u00f3rias indesejadas e at\u00e9\nsubstitu\u00ed-las por outras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estudo desenvolvido no Laborat\u00f3rio de Pesquisa em\nMem\u00f3rias do Instituto do C\u00e9rebro (ICe) da Universidade Federal do Rio Grande do\nNorte (UFRN), <a href=\"https:\/\/www.jneurosci.org\/content\/early\/2020\/07\/13\/JNEUROSCI.0259-20.2020\">publicado\nrecentemente no <em>The Journal of Neuroscience<\/em><\/a>, descreveu pela\nprimeira vez as propriedades oscilat\u00f3rias da atividade neural associada \u00e0\ndesestabiliza\u00e7\u00e3o das mem\u00f3rias traum\u00e1ticas em ratos. O trabalho demonstra que \u00e9\nposs\u00edvel induzir o esquecimento seletivo do medo e da avers\u00e3o aprendidos, replicando\nartificialmente esse padr\u00e3o oscilat\u00f3rio durante a lembran\u00e7a do trauma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s o aprendizado, as informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o armazenadas e permanecem est\u00e1veis como mem\u00f3rias de longo prazo. Por\u00e9m, quando utilizadas, essas mem\u00f3rias podem se tornar inst\u00e1veis, devendo passar por um processo de reestabiliza\u00e7\u00e3o para persistirem. Esse ciclo de desestabiliza\u00e7\u00e3o\/reestabiliza\u00e7\u00e3o permite que as mem\u00f3rias de longo prazo sejam modificadas e atualizadas. Por\u00e9m, algumas dessas mem\u00f3rias, particularmente aquelas relacionadas a eventos traum\u00e1ticos severos, s\u00e3o altamente resistentes \u00e0 desestabiliza\u00e7\u00e3o e, portanto, muito dif\u00edceis de modificar.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/wp.info.ufrn.br\/admin\/portal-ufrn\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2020\/07\/WhatsApp-Image-2020-07-20-at-14.59.44-1024x453.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-38051\"\/><figcaption><em> A inativa\u00e7\u00e3o optogen\u00e9tica do septo medial (YELLOW ON) diminui as ondas theta hipocampais e evita seu acoplamento com os ritmos gamma em ratos que est\u00e3o lembrando um evento aversivo, bloqueando assim a desestabiliza\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria em quest\u00e3o e impedindo a a\u00e7\u00e3o de f\u00e1rmacos amn\u00e9sicos (ANI)  <\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pesquisadores decifraram e caracterizaram a atividade oscilat\u00f3ria dos neur\u00f4nios do hipocampo de ratos suscet\u00edveis \u00e0 desestabiliza\u00e7\u00e3o de uma mem\u00f3ria traum\u00e1tica perdur\u00e1vel e, ap\u00f3s codificar essa atividade na forma de impulsos el\u00e9tricos, utilizaram esse c\u00f3digo para induzir o processo de desestabiliza\u00e7\u00e3o em animais naturalmente incapazes de esquecer, apagando neles qualquer rastro mnem\u00f4nico do trauma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de sua import\u00e2ncia conceitual e te\u00f3rica, o\ntrabalho em quest\u00e3o demonstra que \u00e9 poss\u00edvel utilizar no manejo terap\u00eautico das\nfobias e do estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico ferramentas e t\u00e9cnicas semelhantes \u00e0s\nusadas durante os procedimentos de estimula\u00e7\u00e3o cerebral profunda (do ingl\u00eas <em>deep\nbrain stimulation<\/em>), atualmente empregados eficientemente no tratamento de\ndistonias, epilepsia e doen\u00e7a de Parkinson. \u201cQuanto mais conhecemos acerca dos\nprocessos eletrofisiol\u00f3gicos e moleculares b\u00e1sicos que medeiam o armazenamento\nduradouro de informa\u00e7\u00e3o, mais perto estamos de desenvolver tratamentos capazes\nde coadjuvar efetivamente na ressignifica\u00e7\u00e3o de lembran\u00e7as perturbadoras\u201d,\nexplica o Professor Mart\u00edn Cammarota, coordenador do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m do Cammarota, o artigo no <em>The Journal of\nNeuroscience<\/em> \u00e9 assinado por Andressa Radiske, Maria Carolina Gonzalez,\nSergio Conde-Ocazionez, Janine Rossato e Cristiano K\u00f6hler.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Desdobramentos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste estudo, os pesquisadores trabalharam com uma mem\u00f3ria traum\u00e1tica\ninduzida por um evento conhecido e claramente determinado. Por\u00e9m, muitas vezes\na origem da ansiedade, das fobias e dos comportamentos evasivos \u00e9 desconhecida.\nPor isso, segundo Cammarota, o pr\u00f3ximo passo dessa pesquisa consiste em\n\u201cdecifrar a atividade neural associada \u00e0 evoca\u00e7\u00e3o de medos at\u00e1vicos, ou de raiz\ninescrut\u00e1vel, com o intuito de entender sua intera\u00e7\u00e3o com os medos aprendidos e\nfazer-lhes acess\u00edveis \u00e0 terap\u00eautica\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa mostra que \u00e9 poss\u00edvel substituir seletivamente mem\u00f3rias aversivas em ratos O esquecimento \u00e9 um processo natural. Sem ele, corremos o risco de sobrecarregar nosso sistema. 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