{"id":1761,"date":"2019-11-29T16:51:18","date_gmt":"2019-11-29T19:51:18","guid":{"rendered":"http:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/?p=1761"},"modified":"2019-11-29T16:51:18","modified_gmt":"2019-11-29T19:51:18","slug":"ayahuasca-contra-o-suicidio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/index.php\/2019\/11\/29\/ayahuasca-contra-o-suicidio\/","title":{"rendered":"Ayahuasca contra o suic\u00eddio"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Por Jos\u00e9 de Paiva Rebou\u00e7as<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O\u00a0suic\u00eddio \u00e9 um grande problema de sa\u00fade p\u00fablica no mundo, sendo respons\u00e1vel por quase 800 mil mortes por ano. No Brasil, esse \u00edndice tem piorado segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), que observou aumento de 7% em 2016.\u00a0<a href=\"https:\/\/ufrn.br\/imprensa\/noticias\/17329\/estudo-do-ice-mostra-que-ayahuasca-diminui-sintomas-da-depressao\">Estudo<\/a>\u00a0publicado em 2018, no peri\u00f3dico brit\u00e2nico\u00a0<em>Psychological Medicine<\/em>, j\u00e1 havia mostrado que a\u00a0<em>ayahuasca<\/em>\u00a0\u00e9 eficiente na redu\u00e7\u00e3o dos sintomas da depress\u00e3o. O desdobramento desse trabalho, rec\u00e9m divulgado na\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.frontiersin.org\/articles\/10.3389\/fphar.2019.01325\/full?&amp;utm_source=Email_to_authors_&amp;utm_medium=Email&amp;utm_content=T1_11.5e1_author&amp;utm_campaign=Email_publication&amp;field=&amp;journalName=Frontiers_in_Pharmacology&amp;id=486941\">Frontiers<\/a>\u00a0in Pharmacology<\/em>, mostra que os efeitos desse ch\u00e1 v\u00e3o al\u00e9m e podem ter importantes resultados na redu\u00e7\u00e3o do risco de suic\u00eddio em pacientes que se submeteram \u00e0 sess\u00e3o controlada do uso desse psicod\u00e9lico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A&nbsp;<em>ayahuasca<\/em>, conhecida popularmente como ch\u00e1 do santo daime, \u00e9 uma bebida utilizada para fins de cura e rituais espirituais pelas popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas da floresta amaz\u00f4nica. Come\u00e7ou a ser usada em ambientes religiosos dos pequenos centros urbanos brasileiros em 1930, expandindo-se desde ent\u00e3o para v\u00e1rias partes do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os efeitos antidepressivos da ayahuasca j\u00e1 tinham sido investigados anteriormente, mas \u00e9 a primeira vez que um trabalho testa uma subst\u00e2ncia psicod\u00e9lica em pacientes com depress\u00e3o maior, usando um ensaio randomizado controlado por placebo para depress\u00e3o. Outro dado importante \u00e9 que, na sele\u00e7\u00e3o dos volunt\u00e1rios, n\u00e3o foram exclu\u00eddas pessoas com transtorno de personalidade, o que amplia os resultados do estudo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/wp.info.ufrn.br\/admin\/portal-ufrn\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2019\/11\/Ch%C3%A1-de-Ayahuasca_27nov19_Anast%C3%A1cia-Vaz_10.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-31577\"\/><figcaption>Efeitos da ayahuasca contra a depress\u00e3o j\u00e1 s\u00e3o percebidos 24h ap\u00f3s o uso \u2013 Foto: Anast\u00e1cia Vaz<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na nova fase da pesquisa, que vem sendo desenvolvida desde 2006, foi demonstrada que a idea\u00e7\u00e3o suicida dos pacientes estudados diminuiu j\u00e1 no primeiro dia ap\u00f3s o uso da&nbsp;<em>ayahuasca<\/em>, se mantendo baixo at\u00e9 sete dias ap\u00f3s a interven\u00e7\u00e3o. Os pacientes que beberam placebo tamb\u00e9m apresentaram alguma melhora, mas bem menos significativa do que os pacientes do grupo ayahuasca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Patrocinado pelo&nbsp;<em>Imperial College London<\/em>&nbsp;(Reino Unido), o artigo tem como primeiro autor o pesquisador&nbsp;Richard Zeifman. Ele utiliza dados do estudo randomizado realizado pelos neurocientistas Dr\u00e1ulio Ara\u00fajo, chefe do Laborat\u00f3rio de Neuroimagem Funcional, do Instituto do C\u00e9rebro (ICe) da UFRN, e Fernanda Palhano, tamb\u00e9m do ICe.&nbsp; O trabalho teve colabora\u00e7\u00e3o ainda dos pesquisadores&nbsp;Emerson Arcoverde e Jo\u00e3o Paulo Maia-Oliveira, do Hospital Universit\u00e1rio Onofre Lopes (HUOL\/UFRN), e Jaime Hallak, do Departamento de Neuroci\u00eancia e Comportamento, da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Ribeir\u00e3o Preto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo&nbsp;Zeifman,&nbsp;o \u00f4nus financeiro global em rela\u00e7\u00e3o ao suic\u00eddio e as limita\u00e7\u00f5es em torno dos tratamentos atuais, faz surgir uma necessidade urgente de interven\u00e7\u00f5es inovadoras para esse problema. \u201cUma interven\u00e7\u00e3o potencialmente promissora para a suicidalidade s\u00e3o os psicod\u00e9licos (por exemplo,&nbsp;<em>ayahuasca<\/em>). Al\u00e9m disso, o uso psicod\u00e9lico ao longo da vida est\u00e1 associado a menor suic\u00eddio e risco de suic\u00eddio\u201d, contextualiza no&nbsp;<em>paper<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/wp.info.ufrn.br\/admin\/portal-ufrn\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2019\/11\/Draulio-Araujo-e-Fernanda-Palhano_27nov19_Anast%C3%A1cia-Vaz_11.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-31579\"\/><figcaption>Pesquisadores Dr\u00e1ulio Ara\u00fajo e Fernanda Palhano s\u00e3o respons\u00e1veis por essa pesquisa no Brasil \u2013 Foto: Anast\u00e1cia Vaz<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Dr\u00e1ulio Ara\u00fajo, a maior parte dos estudos entende que talvez subst\u00e2ncias psicod\u00e9licas possam ser arriscadas e o que se observa \u00e9 exatamente o contr\u00e1rio. \u201cEmbora seja um dado preliminar, al\u00e9m de n\u00e3o aumentar o risco de suic\u00eddio, o uso da&nbsp;<em>ayahuasca<\/em>&nbsp;oferece melhoras significativas aos pacientes estudados. Nenhum deles piorou dos sintomas de depress\u00e3o ou do n\u00edvel de suicidalidade\u201d, refor\u00e7a o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fernanda Palhano lembra tamb\u00e9m que n\u00e3o foram observadas, at\u00e9 ent\u00e3o, preju\u00edzos na fun\u00e7\u00e3o hep\u00e1tica, renal, ou mesmo no c\u00e9rebro dos volunt\u00e1rios do estudo.&nbsp;Ao contr\u00e1rio, explica Dr\u00e1ulio, pesquisas realizadas pelo neurocientista Stevens Rehen, da UFRJ e Instituto D\u2019OR, mostram que os efeitos da&nbsp;<em>ayahuasca&nbsp;<\/em>tendem a aumentar a neuroplasticidade e neurog\u00eanese do c\u00e9rebro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Rehen faz estudos com c\u00e9lula tronco e organoides cerebrais, os chamados mini c\u00e9rebros. Tanto essa estrutura tridimensional de aglomerados neuronais, feitos em laborat\u00f3rios, quanto as c\u00e9lulas troncos s\u00e3o expostas a subst\u00e2ncias psicod\u00e9licas usadas em estudos cient\u00edficos. No caso da&nbsp;<em>ayahuasca<\/em>, al\u00e9m de n\u00e3o presenciar morte ou dano celular, o pesquisador observou que um dos seus compostos, a subst\u00e2ncia harmina, n\u00e3o alucin\u00f3gena, pode aumentar a prolifera\u00e7\u00e3o de progenitores neurais humanos em mais de 70%. J\u00e1 o outro composto, a&nbsp;<em>N,N-dimetiltriptamina<\/em>&nbsp;(DMT), que \u00e9 psicod\u00e9lica, provocou amplia\u00e7\u00e3o da plasticidade neural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como medir a suicidalidade?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/wp.info.ufrn.br\/admin\/portal-ufrn\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2019\/11\/IMG_20191128_150248.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-31584\"\/><figcaption>Reprodu\u00e7\u00e3o de imagem do livro Olho M\u00e1gico de Leonardo Costa Braga<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel saber o que se passa na mente de uma pessoa. Se e quando ela pensa em cometer suic\u00eddio, por exemplo. Por isso, a ci\u00eancia criou escalas cl\u00ednicas que permitem aos profissionais da psiquiatria terem maior clareza na aferi\u00e7\u00e3o do grau de severidade dos sintomas de depress\u00e3o nos pacientes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com base nesse m\u00e9todo, os psiquiatras aplicam question\u00e1rios com algumas quest\u00f5es que o paciente responde diretamente e outras que os ajudam na observa\u00e7\u00e3o cl\u00ednica a partir da intera\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-paciente.&nbsp;Essas escalas cont\u00eam, em suas estruturas, uma parte que avalia exatamente a severidade da depress\u00e3o e o risco suicida na pessoa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso da pesquisa com&nbsp;<em>ayahuasca<\/em>, os profissionais do HUOL aplicaram o mesmo question\u00e1rio um dia antes do tratamento, e o repetiram um dia, dois dias e sete dias depois para comparar os dados. O estudo aproveitou ainda para realizar exames, antes e depois, a fim de entender qual a origem da depress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em parceria com os professores Nicole Galv\u00e3o Coelho e Bruno Lob\u00e3o Soares, ambos do Centro de Bioci\u00eancias (CB\/UFRN), foi poss\u00edvel observar que houve modula\u00e7\u00e3o significativa no cortisol dos pacientes observados.&nbsp;Antes do tratamento com a&nbsp;<em>ayahuasca<\/em>, o n\u00edvel desse horm\u00f4nio na saliva era baixo e voltou a ter um valor semelhante ao de volunt\u00e1rios saud\u00e1veis ap\u00f3s a ingest\u00e3o do ch\u00e1, o que n\u00e3o aconteceu com os pacientes do grupo placebo.&nbsp;O mesmo foi observado em rela\u00e7\u00e3o ao Fator Neurotr\u00f3fico Derivado do C\u00e9rebro (BDNF). \u201cEssas duas mudan\u00e7as que encontramos s\u00e3o mudan\u00e7as que se esperam observar ap\u00f3s o tratamento com antidepressivo\u201d, disse Dr\u00e1ulio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No geral, para verificar o grau de depress\u00e3o no grupo estudado, foram selecionados marcadores biol\u00f3gicos de sangue, de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica e eletroencefalografia (EEG), al\u00e9m dos psicol\u00f3gicos, todos associados, de alguma maneira, de forma consistente \u00e0 depress\u00e3o. Tamb\u00e9m foram observados o sistema imunol\u00f3gico, o sono e outros marcadores, sempre comparando o antes e o depois da submiss\u00e3o do paciente ao tratamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O passo a passo do experimento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes de dar&nbsp;<em>ayahuasca<\/em>&nbsp;\u00e0s pessoas, foi preciso um trabalho minucioso e detalhado da escolha dos pacientes. Inicialmente, 218 foram avaliados, dos quais apenas 35 atenderam aos crit\u00e9rios de inclus\u00e3o e exclus\u00e3o. Desses, metade recebeu&nbsp;<em>ayahuasca<\/em>&nbsp;e outra metade, o placebo, que possu\u00eda subst\u00e2ncias que provocavam alguns efeitos conhecidos da&nbsp;<em>ayahuasca<\/em>&nbsp;\u2013 n\u00e1usea, v\u00f4mito e diarreia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/wp.info.ufrn.br\/admin\/portal-ufrn\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2019\/11\/WhatsApp-Image-2019-11-28-at-15.09.58.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-31583\"\/><figcaption>Equipamento de EEG usado por pacientes<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para participar da pesquisa, era necess\u00e1rio ser maior de idade, nunca ter bebido&nbsp;<em>ayahuasca<\/em>, n\u00e3o estar gr\u00e1vida, n\u00e3o ter transtorno psiqui\u00e1trico relacionado \u00e0 esquizofrenia ou transtorno bipolar. Tamb\u00e9m era importante estar fazendo uso de medicamento antidepressivo, sem resultados aparentes. Ou seja, ser resistente ao tratamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma vez atendidos os crit\u00e9rios, o paciente entrava na fase do desmame da medica\u00e7\u00e3o antidepressiva. 15 dias depois da suspens\u00e3o da medica\u00e7\u00e3o convencional, os selecionados retornavam ao hospital, no caso o HUOL, onde est\u00e1 o laborat\u00f3rio dos pesquisadores Dr\u00e1ulio Ara\u00fajo e Fernanda Palhano, para iniciar o protocolo da pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse protocolo, que tinha uma agenda muito r\u00edgida, o paciente chegava em uma ter\u00e7a-feira, por volta do meio-dia, encontrava a equipe e ap\u00f3s as avalia\u00e7\u00f5es dos sintomas da depress\u00e3o e dos marcadores associados \u00e0 depress\u00e3o, era preparado para o EEG. Jantava por volta das 19h e ia dormir em um ambiente preparado no pr\u00f3prio laborat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/wp.info.ufrn.br\/admin\/portal-ufrn\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2019\/11\/Draulio-Ara%C3%BAjo-_27nov19_Anast%C3%A1cia-Vaz_1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-31578\"\/><figcaption>Dr\u00e1ulio Ara\u00fajo mostra local onde pacientes dormem e fazem experimento com Ayahuasca no laborat\u00f3rio \u2013 Foto: Anast\u00e1cia Vaz<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0s 5h da manh\u00e3 do dia seguinte, quarta-feira, era acordado para colher saliva e sangue, tomar caf\u00e9, descansar um pouco e s\u00f3 ent\u00e3o ser preparado para ingerir a&nbsp;<em>ayahuasca<\/em>, ou o placebo, no caso do grupo de controle, o que acontecia por volta das 10h. Durante todo o efeito do ch\u00e1, o paciente era monitorado por eletroencefalografia, eletrocardiografia e eletromiografia e, a cada hora, feitas avalia\u00e7\u00f5es com psiquiatra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por volta das 16h, a equipe do projeto conversava com os pacientes que relatavam a experi\u00eancia com a bebida, respondiam mais alguns question\u00e1rios e s\u00f3 depois eram liberados. No dia seguinte, quinta-feira, retornavam para fazer toda a bateria de exames novamente do meio-dia at\u00e9 o dia seguinte. Sete dias ap\u00f3s ter tomado a dose de&nbsp;<em>ayahuasca ou placebo<\/em>, os pacientes voltavam para uma consulta com o psiquiatra. Ap\u00f3s essa consulta, os pacientes voltavam a receber um tratamento tradicional regular contra a depress\u00e3o. As avalia\u00e7\u00f5es dos pacientes passaram a ser realizadas a cada 30 dias para verificar a situa\u00e7\u00e3o dos envolvidos durante um per\u00edodo de seis meses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pr\u00f3ximo passo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"http:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Ch\u00e1-de-Ayahuasca_27nov19_Anast\u00e1cia-Vaz_6-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1762\" srcset=\"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Ch\u00e1-de-Ayahuasca_27nov19_Anast\u00e1cia-Vaz_6-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Ch\u00e1-de-Ayahuasca_27nov19_Anast\u00e1cia-Vaz_6-300x200.jpg 300w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Ch\u00e1-de-Ayahuasca_27nov19_Anast\u00e1cia-Vaz_6-768x512.jpg 768w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Ch\u00e1-de-Ayahuasca_27nov19_Anast\u00e1cia-Vaz_6.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>O ch\u00e1 (subst\u00e2ncia) utilizada na pesquisa foi elaborada numa \u00fanica fornada para garantir um padr\u00e3o na composi\u00e7\u00e3o dos componentes ativos. Foto: Anast\u00e1cia Vaz<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar do avan\u00e7o e do pioneirismo, pois foi o primeiro grupo no mundo a dar uma subst\u00e2ncia psicod\u00e9lica para pacientes com resist\u00eancia ao tratamento dentro de um hospital, e o primeiro a fazer a mesma coisa utilizando um ensaio randomizado controlado por placebo, o projeto ainda \u00e9 considerado piloto. O pr\u00f3ximo passo da pesquisa \u00e9 aumentar o n\u00famero de participantes e aplicar um esquema de tratamento, com a ingest\u00e3o de doses regulares do ch\u00e1 a cada 15 dias para que os sintomas de depress\u00e3o sejam avaliados no longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No longo prazo, \u00e9 dif\u00edcil dizer que a&nbsp;<em>ayahuasca<\/em>&nbsp;deva chegar aos pacientes pelas vias tradicionais da ind\u00fastria farmac\u00eautica. Os pesquisadores apontam que outras subst\u00e2ncias psicod\u00e9licas com propriedades aproximadas j\u00e1 est\u00e3o sendo testadas e, talvez, consigam ser introduzidas primeiro. \u00c9 o caso da psilocibina, subst\u00e2ncia extra\u00edda do chamado \u201ccogumelo m\u00e1gico\u201d, que tem uma vantagem inicial por ser uma \u00fanica subst\u00e2ncia, enquanto a&nbsp;<em>ayahuasca<\/em>&nbsp;\u00e9 um coquetel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contudo, segundo Dr\u00e1ulio Ara\u00fajo, apesar de a psilocibina apresentar efeitos parecidos com os da&nbsp;<em>ayahuasca<\/em>, n\u00e3o h\u00e1, at\u00e9 o momento, nenhum ensaio randomizado como o realizado na UFRN em pacientes com depress\u00e3o resistente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dr\u00e1ulio tamb\u00e9m n\u00e3o imagina a&nbsp;<em>ayahuasca<\/em>&nbsp;virando comprimidos ou sendo envasada em frascos para serem vendidos em farm\u00e1cia. Em seu entendimento, a ideia segue mais a linha de um procedimento m\u00e9dico, como \u00e9 caso da quimioterapia ou da anestesia. Ou seja, a psiquiatria poder\u00e1 usar essa subst\u00e2ncia em um futuro tratamento como parte de um procedimento a ser realizados em pacientes selecionados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jos\u00e9 de Paiva Rebou\u00e7as O\u00a0suic\u00eddio \u00e9 um grande problema de sa\u00fade p\u00fablica no mundo, sendo respons\u00e1vel por quase 800 mil mortes por ano. No Brasil, esse \u00edndice tem piorado segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), que observou aumento de 7% em 2016.\u00a0Estudo\u00a0publicado em 2018, no peri\u00f3dico brit\u00e2nico\u00a0Psychological Medicine, j\u00e1 havia mostrado que a\u00a0ayahuasca\u00a0\u00e9 eficiente na redu\u00e7\u00e3o dos sintomas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1763,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[146,147,148,41,149],"class_list":["post-1761","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-do-ice","tag-ayahuasca","tag-draulio-araujo","tag-fernanda-palhano","tag-ice","tag-suicidio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1761","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1761"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1761\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1764,"href":"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1761\/revisions\/1764"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1763"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1761"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1761"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1761"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}