{"id":1704,"date":"2019-06-13T09:06:27","date_gmt":"2019-06-13T12:06:27","guid":{"rendered":"http:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/?p=1704"},"modified":"2019-06-13T09:17:09","modified_gmt":"2019-06-13T12:17:09","slug":"novas-evidencias-para-a-criticidade-do-cerebro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/index.php\/2019\/06\/13\/novas-evidencias-para-a-criticidade-do-cerebro\/","title":{"rendered":"Novas evid\u00eancias para a criticidade do c\u00e9rebro"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Pesquisadores observam um ponto cr\u00edtico na atividade el\u00e9trica do c\u00e9rebro durante transi\u00e7\u00e3o do estado adormecido para o desperto.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao acordarmos nossos c\u00e9rebros\npassam do estado de sono para o estado de alerta e desperto. Pesquisadores\npensam que essa transi\u00e7\u00e3o \u00e9 cont\u00ednua, o que significa que ela \u00e9 marcada por uma\ntransi\u00e7\u00e3o de estados, com propriedades \u00fanicas, chamado de \u201cponto cr\u00edtico\u201d.\nAcontece que os dados permanecem inconclusivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/journals.aps.org\/prl\/pdf\/10.1103\/PhysRevLett.122.208101\">Pesquisa recente<\/a>, publicada na Physical Review Letters, relata novos dados que acrescentam peso ao argumento do \u201cc\u00e9rebro cr\u00edtico\u201d. Pesquisadores da UFPE, UFRN e UFRPE, em parceria com o Universidade do Minho (UMinho, Portugal) e o Institut d&#8217;investigacions Biom\u00e8diques August Pi i Sunyer (IDIBAPS, Espanha), descobriram que o c\u00e9rebro de ratos passam por um ponto cr\u00edtico quando se alternam entre os extremos da sincroniza\u00e7\u00e3o neuronal. Este resultado pode ajudar apontar mecanismos subjacentes ao ponto cr\u00edtico do c\u00e9rebro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O potencial el\u00e9trico da membrana\ndos neur\u00f4nios se alteram rapidamente quando eles s\u00e3o devidamente estimulados.\nQuando esta mudan\u00e7a brusca de potencial ocorre dizemos que o neur\u00f4nio \u2018dispara\u2019.\nQuando observamos muitos neur\u00f4nios juntos (em popula\u00e7\u00e3o) encontramos uma grande\ndiversidade de n\u00edveis de sincronia em seus disparos. Estes diferentes estados\ns\u00e3o substrato dos diferentes comportamentos dos mam\u00edferos, incluindo n\u00f3s\nhumanos. Ao analisar os disparos de grandes popula\u00e7\u00f5es de neur\u00f4nios no c\u00f3rtex\nvisual prim\u00e1rio de ratos anestesiados, acumulando um grande conjunto de dados\ncom uma ampla diversidade de estados, os&nbsp;\npesquisadores descobriram mais detalhes sobre a transi\u00e7\u00e3o entre estados\nmuito diferentes em seus n\u00edveis de sincronia. Isso ficou evidente quando\nobservaram propriedades das \u201cavalanches\u201d nos disparos neuronais, ou seja,\ndisparos que ocorrem em r\u00e1pida sucess\u00e3o e que s\u00e3o precedidos e seguidos pelo\nsil\u00eancio. O n\u00famero de disparos em cada avalanche determinou o \u201ctamanho\u201d, e a\ndura\u00e7\u00e3o de cada avalanche o \u201ctempo de vida\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando o c\u00e9rebro de ratos\nanestesiados passou de um estado s\u00edncrono para ass\u00edncrono (e vice-versa), a\nequipe descobriu que as distribui\u00e7\u00f5es do tamanho da avalanche e da vida seguiam\nleis de pot\u00eancia, sinalizando a chamada invari\u00e2ncia de escala \u2013 uma assinatura\ncl\u00e1ssica de um ponto cr\u00edtico. O mesmo se confirmou em primatas n\u00e3o-humanos\nanestesiados e mesmo em roedores se comportando livremente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, os expoentes de suas\nleis de pot\u00eancia observadas diferem daqueles encontrados em experimentos\nanteriores, indicando que a transi\u00e7\u00e3o de fase pertence a outra \u201cclasse de\nuniversalidade\u201d. Os pesquisadores ainda n\u00e3o sabem, no entanto, qual poderia ser\nessa classe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o t\u00edtulo \u201c<a href=\"https:\/\/journals.aps.org\/prl\/pdf\/10.1103\/PhysRevLett.122.208101\">Criticalidade entre estados corticais<\/a>\u201d, a pesquisa tem como autores os pesquisadores da UFPE, Antonio Fontenele (primeiro autor), Tha\u00eds Feliciano, Leandro Aguiar, Pedro Carelli e Mauro Copelli; o neurocientista do Instituto do C\u00e9rebro da UFRN, Sidarta Ribeiro, e as pesquisadoras Carina Soares-Cunha, B\u00e1rbara Coimbra, Ana Jo\u00e3o Rodrigues e Nuno Sousa, do ICVS\/UMinho, Portugal; Nivaldo Vasconcelos (tamb\u00e9m primeiro autor) fez parte da colabora\u00e7\u00e3o institucional entre a UFPE e o ICVS\/UMinho (Portugal), enquanto Leonardo Dalla Porta fez parte da parte da colabora\u00e7\u00e3o institucional entre a UFPE e o IDIBAPS (Espanha). O trabalho tamb\u00e9m contou com importante apoio da UFRPE.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><code>Com informa\u00e7\u00f5es de  Nicolas Doiron-Leyraud <\/code><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores observam um ponto cr\u00edtico na atividade el\u00e9trica do c\u00e9rebro durante transi\u00e7\u00e3o do estado adormecido para o desperto. Ao acordarmos nossos c\u00e9rebros passam do estado de sono para o estado de alerta e desperto. Pesquisadores pensam que essa transi\u00e7\u00e3o \u00e9 cont\u00ednua, o que significa que ela \u00e9 marcada por uma transi\u00e7\u00e3o de estados, com propriedades \u00fanicas, chamado de \u201cponto cr\u00edtico\u201d. 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