{"id":1622,"date":"2018-12-19T11:02:08","date_gmt":"2018-12-19T13:02:08","guid":{"rendered":"http:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/?p=1622"},"modified":"2018-12-19T11:02:08","modified_gmt":"2018-12-19T13:02:08","slug":"estudo-mostra-que-estrutura-da-fala-na-psicose-e-resistente-a-educacao-formal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/index.php\/2018\/12\/19\/estudo-mostra-que-estrutura-da-fala-na-psicose-e-resistente-a-educacao-formal\/","title":{"rendered":"Estudo mostra que estrutura da fala na psicose \u00e9 resistente a educa\u00e7\u00e3o formal"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Pesquisa desenvolvida no Instituto do C\u00e9rebro da UFRN (Brasil) foi publicada na revista npj Schizophrenia, do grupo Nature. O trabalho realizou testes em 200 volunt\u00e1rios de v\u00e1rias idades.<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A intera\u00e7\u00e3o social \u00e9 a primeira a\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento da linguagem. Por\u00e9m, uma pesquisa desenvolvida no Instituto do C\u00e9rebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (ICe-UFRN) revela que o sujeito evolui muito mais de acordo com o n\u00edvel educacional, ao qual tem acesso, do que com a pr\u00f3pria idade cronol\u00f3gica e rela\u00e7\u00f5es sociais n\u00e3o educacionais.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Com o t\u00edtulo \u201c<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41537-018-0067-3\"><em>A matura\u00e7\u00e3o da estrutura da fala na psicose \u00e9 resistente a Educa\u00e7\u00e3o formal<\/em><\/a>\u201d, o estudo desenvolvido pelos pesquisadores Natalia Mota, Mariano Sigman, Guillermo Cecchi, Mauro Copelli e Sidarta Ribeiro, foi publicado na\u00a0<em>npj Schizophrenia<\/em>, revista do grupo\u00a0<em>Nature<\/em>.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Enquanto a percep\u00e7\u00e3o e a produ\u00e7\u00e3o fonol\u00f3gica de pessoas com desenvolvimento t\u00edpico s\u00e3o caracteristicamente dominadas nos anos iniciais de vida, vocabul\u00e1rio, sintaxe e gram\u00e1tica continuam amadurecendo at\u00e9 o ensino m\u00e9dio por meio da combina\u00e7\u00e3o de desenvolvimento cognitivo e educa\u00e7\u00e3o, acelerada pela alfabetiza\u00e7\u00e3o e intera\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">No caso de sujeitos com esquizofrenia ou transtorno bipolar do tipo 1, entretanto, a pesquisa mostra que o aprendizado escolar n\u00e3o apresenta a mesma extens\u00e3o. Nessa popula\u00e7\u00e3o, o discurso geralmente se deteriora em vez de melhorar, mesmo se os sujeitos tiverem uma boa vida educacional durante aparecimento de sintomas psic\u00f3ticos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Para explicar as diferen\u00e7as de verbosidade n\u00e3o patol\u00f3gicas entre os sujeitos, foi utilizada uma an\u00e1lise por grafos n\u00e3o sem\u00e2ntica, com n\u00famero fixo de palavras. 200 volunt\u00e1rios foram ouvidos na pesquisa, sendo 135 indiv\u00edduos t\u00edpicos e 65 pacientes com sintomas psic\u00f3ticos, com idades entre 2 e 58 anos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u200b<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1623\" src=\"http:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Representa\u00e7\u00e3o-Qualitativa-de-LSC.png\" alt=\"\" width=\"829\" height=\"613\" srcset=\"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Representa\u00e7\u00e3o-Qualitativa-de-LSC.png 829w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Representa\u00e7\u00e3o-Qualitativa-de-LSC-300x222.png 300w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Representa\u00e7\u00e3o-Qualitativa-de-LSC-768x568.png 768w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Representa\u00e7\u00e3o-Qualitativa-de-LSC-270x200.png 270w\" sizes=\"auto, (max-width: 829px) 100vw, 829px\" \/><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Exemplos representativos de gr\u00e1ficos (iniciais de 30 palavras) de indiv\u00edduos nos sujeitos de controle (pontos azuis) e pacientes com psicose (pontos vermelhos).\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os dados constatam que sujeitos com psicose demonstram na idade adulta uma estrutura discursiva semelhante \u00e0 de uma crian\u00e7a. \u201cSujeitos sem sintomas aumentam o alcance da recorr\u00eancia de palavras ao longo dos anos escolares, mas a mesma caracter\u00edstica em indiv\u00edduos com psicose resiste \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. \u00c9 como se ficasse resistente a esse treino\u201d, refor\u00e7a a psiquiatra Natalia Mota, primeira autora do trabalho.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Segundo a pesquisadora, os dados apontam que a educa\u00e7\u00e3o formal precisa ser repensada para pessoas com doen\u00e7as neuropsiqui\u00e1tricas com estrat\u00e9gias que sejam mais eficientes para melhorar a cogni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u200bNeste sentido, os pesquisadores pensam em estabelecer, na sequ\u00eancia do estudo, marcadores precoces para serem avaliados dentro do ambiente escolar. Se uma crian\u00e7a apresentar algum desenvolvimento at\u00edpico na fala, ser\u00e1 poss\u00edvel alertar a fam\u00edlia e antecipar medidas que reduzam seu sofrimento.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Contudo, Natalia Mota alerta que a educa\u00e7\u00e3o nessa popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser realizada de maneira separada daqueles que t\u00eam desenvolvimento t\u00edpico, pois o isolamento social amplia o d\u00e9ficit cognitivo desses sujeitos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u201cN\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio pensar em uma educa\u00e7\u00e3o especial que promova isolamento, ao contr\u00e1rio, \u00e9 preciso reinserir esses sujeitos nos contextos escolares, embora a escola deva estar preparada para trabalhar com esta popula\u00e7\u00e3o de maneira mais profunda, dar mais acesso aos ambientes escolares, mais voz e atividade que ajudem no seu desenvolvimento cognitivo\u201d, completa a pesquisadora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa desenvolvida no Instituto do C\u00e9rebro da UFRN (Brasil) foi publicada na revista npj Schizophrenia, do grupo Nature. 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