{"id":15,"date":"2011-03-31T00:00:00","date_gmt":"2011-03-31T03:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2018-10-10T14:54:10","modified_gmt":"2018-10-10T17:54:10","slug":"experiencias-afetam-o-que-conseguimos-visualizar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/index.php\/2011\/03\/31\/experiencias-afetam-o-que-conseguimos-visualizar\/","title":{"rendered":"Experi\u00eancias afetam o que conseguimos visualizar"},"content":{"rendered":"<p><b>H\u00c9LIO SCHWARTSMAN<\/b><br \/>\nARTICULISTA DA <b>FOLHA <\/b><\/p>\n<p>O olho da mente \u00e9 um nome relativamente pomposo para designar a capacidade que o c\u00e9rebro tem de visualizar imagens mesmo na aus\u00eancia de &#8220;input&#8221; visual. Trocando em mi\u00fados, \u00e9 a habilidade que temos para &#8220;ver&#8221; coisas dentro da mente.<br \/>\nApesar de a neuroci\u00eancia descrev\u00ea-lo em termos quase impenetr\u00e1veis, com refer\u00eancias ao c\u00f3rtex visual V1 e ao n\u00facleo lateral geniculado, o olho da mente \u00e9 uma no\u00e7\u00e3o filosoficamente carregada, que enseja interessantes pol\u00eamicas intelectuais.<br \/>\nComo Steven Pinker mostra em seu &#8220;How the Mind Works&#8221; (como a mente funciona), uma longa tradi\u00e7\u00e3o de fil\u00f3sofos empiristas tentou argumentar que as imagens geradas pelo olho da mente constitu\u00edam a base de nossos conceitos e at\u00e9 dos significados das palavras que constam de nosso dicion\u00e1rio mental. Em suma, essa vis\u00e3o interior seria a ess\u00eancia do pensamento humano.<br \/>\nPara esses pensadores, as imagens mentais seriam vers\u00f5es comp\u00f3sitas de diferentes sensa\u00e7\u00f5es visuais. Mais do que isso, as diversas experi\u00eancias de cor \u00e9 que me fazem criar a categoria cor.<br \/>\nEvidentemente, o quadro \u00e9 bem mais complicado. Para prov\u00e1-lo, basta evocar uma ideia abstrata simples, como a de tri\u00e2ngulo. Qualquer pol\u00edgono de tr\u00eas lados \u00e9 um tri\u00e2ngulo. Mas a imagem de um tri\u00e2ngulo precisa necessariamente ser a de um tri\u00e2ngulo is\u00f3celes, escaleno ou equil\u00e1tero. Qual delas corresponde ao verdadeiro conceito de tri\u00e2ngulo?<br \/>\nO idealista radical George Berkeley (1685-1753) captou bem o problema, mas em vez de abandonar a no\u00e7\u00e3o de que ideias abstratas s\u00e3o imagens, preferiu concluir que ideias abstratas n\u00e3o existem.<br \/>\nA tese da imagem como guia mestra do pensamento era especialmente tentadora para os empiristas, que resumiam a teoria do conhecimento no ad\u00e1gio: &#8220;n\u00e3o h\u00e1 nada no intelecto que n\u00e3o tenha passado antes pelos sentidos&#8221;. E, se h\u00e1 algo que a moderna neuroci\u00eancia faz com efic\u00e1cia \u00e9 contestar essa premissa. \u00c0 luz do que sabemos hoje, faz mais sentido afirmar que pensamentos e emo\u00e7\u00f5es afetam as nossas experi\u00eancias sensoriais do que o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong><br \/>\n<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/ciencia\/fe3105201102.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/ciencia\/fe3105201102.htm<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00c9LIO SCHWARTSMAN ARTICULISTA DA FOLHA O olho da mente \u00e9 um nome relativamente pomposo para designar a capacidade que o c\u00e9rebro tem de visualizar imagens mesmo na aus\u00eancia de &#8220;input&#8221; visual. Trocando em mi\u00fados, \u00e9 a habilidade que temos para &#8220;ver&#8221; coisas dentro da mente. 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