{"id":1384,"date":"2018-10-23T09:44:27","date_gmt":"2018-10-23T12:44:27","guid":{"rendered":"http:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/?p=1384"},"modified":"2018-10-23T11:52:11","modified_gmt":"2018-10-23T14:52:11","slug":"memoria-tatil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/index.php\/2018\/10\/23\/memoria-tatil\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3ria t\u00e1til"},"content":{"rendered":"<h3><strong><em>Estudo desenvolvido pelo ICe-UFRN mostra que a aus\u00eancia de luz n\u00e3o desativa parte do c\u00e9rebro respons\u00e1vel pela constru\u00e7\u00e3o de percep\u00e7\u00e3o visual.<\/em><\/strong><\/h3>\n<p>At\u00e9 a d\u00e9cada de 1980, imaginava-se que, na cegueira, as partes visuais do c\u00f3rtex cerebral se tornariam inertes. Isso porque as principais \u00e1reas sensoriais do c\u00f3rtex cerebral foram exclusivamente associadas ao processamento de uma \u00fanica modalidade sensorial. Estudos posteriores, no entanto, desconstru\u00edram esta ideia ao provar a exist\u00eancia de atividade neural em \u00e1reas que se acreditava \u201cdesativadas\u201d.<\/p>\n<p>Diferente do que se pensava, as respostas neuronais nessas \u00e1reas s\u00e3o caracterizadas por uma grande quantidade de interfer\u00eancia entre modalidades sensoriais. Quer dizer, quando h\u00e1 perda de algum sentido &#8211;\u00a0a vis\u00e3o, por exemplo -,\u00a0esta \u00e1rea que se imaginava parar de funcionar continua recebendo est\u00edmulos das partes cerebrais respons\u00e1veis pelos outros sentidos: tato, olfato, paladar, etc.<\/p>\n<p>Isso porque as \u00e1reas sensoriais prim\u00e1rias se envolvem no processamento de m\u00faltiplas modalidades sensoriais e os circuitos corticais continuam sofrendo modifica\u00e7\u00f5es mesmo na aus\u00eancia de est\u00edmulos da modalidade sensorial dominante.<\/p>\n<h3><strong>Plasticidade neural<\/strong><\/h3>\n<p>O que n\u00e3o se sabia, at\u00e9 agora, era por quanto tempo estas altera\u00e7\u00f5es persistem, e se provocam modifica\u00e7\u00f5es de longo prazo, conhecidas pelo termo &#8220;plasticidade neural&#8221;. Mas, novo estudo desenvolvido por pesquisadores do Instituto do C\u00e9rebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (ICe-UFRN), em colabora\u00e7\u00e3o com institutos e universidades brasileiras, encontrou uma resposta para esta quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Os pesquisadores Sidarta Ribeiro (ICe-UFRN), Gabriella Dias-Florencio (ICe-UFRN), Sharlene Santos (ICe-UFRN), Marcos Freire (UERN), C\u00e1tia Pereira (IIN-ELS), Jos\u00e9 Santos (UFS), Joanilson Guimar\u00e3es (UFPA) e Antonio Pereira (UFPA) descobriram que a explora\u00e7\u00e3o n\u00e3o-visual induz a ativa\u00e7\u00e3o r\u00e1pida de genes relacionados com plasticidade neural no c\u00f3rtex visual prim\u00e1rio de ratos, parte do c\u00e9rebro que possibilita o exerc\u00edcio da mem\u00f3ria visual.<\/p>\n<p>Isso quer dizer que mesmo sem a vis\u00e3o \u2013 sem acesso \u00e0 luz \u2013 o c\u00f3rtex visual prim\u00e1rio continua sofrendo altera\u00e7\u00f5es morfol\u00f3gicas significativas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1387\" aria-describedby=\"caption-attachment-1387\" style=\"width: 1078px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1387\" src=\"http:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Figura-1.png\" alt=\"\" width=\"1078\" height=\"404\" srcset=\"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Figura-1.png 1078w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Figura-1-300x112.png 300w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Figura-1-768x288.png 768w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Figura-1-1024x384.png 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 1078px) 100vw, 1078px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1387\" class=\"wp-caption-text\"><em>Ratos adultos foram colocados em caixas completamente escuras por tr\u00eas horas,<\/em><br \/><em>onde foram depois expostos por 20 minutos a quatro objetos de diferentes formas e texturas<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<h3><strong>Artigo<\/strong><\/h3>\n<p>Com o t\u00edtulo <a href=\"https:\/\/peerj.com\/articles\/5678\/\">\u201c<em>Non-visual exploration of novel objects increases the levels of plasticity factors in the rat primary visual cortex<\/em>\u201d<\/a> a pesquisa publicada na\u00a0<em><a href=\"https:\/\/peerj.com\/articles\/5678\/\">PeerJ \u2013 the Journal of Life and Environmental Sciences\u00a0<\/a><\/em>confirma o aumento na quantidade de neur\u00f4nios contendo prote\u00ednas codificadas por genes relacionados com plasticidade neural no c\u00f3rtex visual prim\u00e1rio.<\/p>\n<p>Para determinar os resultados, ratos adultos foram colocados em caixas completamente escuras por tr\u00eas horas, onde foram depois expostos por 20 minutos a quatro objetos de diferentes formas e texturas, retornando \u00e0s suas gaiolas regulares ap\u00f3s o final da explora\u00e7\u00e3o. Como controle, outros ratos foram colocados no mesmo ambiente pelo mesmo tempo, mas sem a presen\u00e7a dos objetos.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o experimento, os animais foram eutanasiados uma ou tr\u00eas horas ap\u00f3s a explora\u00e7\u00e3o. Se\u00e7\u00f5es frontais do c\u00e9rebro foram submetidos \u00e0 t\u00e9cnica de imuno-histoqu\u00edmica para medir os n\u00edveis das prote\u00ednas\u00a0<em>egr-1<\/em>\u00a0e\u00a0<em>c-fos<\/em>, bem como da\u00a0<em>c\u00e1lcio-calmodulina quinase 2 fosforilada<\/em>\u00a0(pCaKMII) no c\u00f3rtex visual prim\u00e1rio.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1385\" aria-describedby=\"caption-attachment-1385\" style=\"width: 915px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1385 size-full\" src=\"http:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Figura-2.png\" alt=\"\" width=\"915\" height=\"864\" srcset=\"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Figura-2.png 915w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Figura-2-300x283.png 300w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Figura-2-768x725.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 915px) 100vw, 915px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1385\" class=\"wp-caption-text\"><em>Ativa\u00e7\u00e3o transit\u00f3ria de fatores relacionados \u00e0 plasticidade no c\u00f3rtex frontal prim\u00e1rio ap\u00f3s a explora\u00e7\u00e3o de objetos n\u00e3o visuais<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Os resultados mostram que uma experi\u00eancia n\u00e3o-visual (basicamente t\u00e1ctil) &#8211; mesmo em um curto per\u00edodo de escurid\u00e3o \u2013 estimula o c\u00f3rtex visual do rato a ponto de ativar genes relacionados com forma\u00e7\u00e3o de mem\u00f3rias.<\/p>\n<p>\u201cNo escuro, o c\u00f3rtex visual passa a processar sinais t\u00e1cteis como se fosse uma grade computacional (rede de computadores) que se emprestam uns aos outros para processamento quando est\u00e3o sem fazer nada\u201d, explica o neurocientista Sidarta Ribeiro, coordenador da pesquisa.<\/p>\n<h3><strong>T\u00e1teis<\/strong><\/h3>\n<p>Observou-se que a quantidade de neur\u00f4nios marcados com anticorpos contra\u00a0<em>c-fos, egr-1<\/em>\u00a0ou\u00a0<em>pCaKMII<\/em>\u00a0aumentou significativamente no c\u00f3rtex visual prim\u00e1rio ap\u00f3s uma hora de explora\u00e7\u00e3o no escuro. Tr\u00eas horas ap\u00f3s a explora\u00e7\u00e3o, o n\u00famero de neur\u00f4nios marcados diminuiu para n\u00edveis basais.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1386\" aria-describedby=\"caption-attachment-1386\" style=\"width: 871px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1386 size-full\" src=\"http:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Figura-3.png\" alt=\"\" width=\"871\" height=\"325\" srcset=\"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Figura-3.png 871w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Figura-3-300x112.png 300w, https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Figura-3-768x287.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 871px) 100vw, 871px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1386\" class=\"wp-caption-text\"><em>Fatores relacionados \u00e0 plasticidade dos n\u00edveis normalizados no c\u00f3rtex frontal prim\u00e1rio ap\u00f3s a explora\u00e7\u00e3o de objetos n\u00e3o visuais<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Fazendo uma compara\u00e7\u00e3o simplista, \u00e9 como se algu\u00e9m precisasse aumentar uma parede em algum c\u00f4modo da casa e para isso precisasse da ajuda de pedreiros. A presen\u00e7a dessas prote\u00ednas \u00e9 an\u00e1loga \u00e0 presen\u00e7a dos pedreiros que realizam a tarefa necess\u00e1ria e depois v\u00e3o embora. Assim tamb\u00e9m acontece no c\u00f3rtex visual prim\u00e1rio, mas, neste caso, a parede seria a mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>De acordo com os pesquisadores, mais estudos s\u00e3o necess\u00e1rios para uma melhor compreens\u00e3o dos fen\u00f4menos associados \u00e0 ativa\u00e7\u00e3o de genes relacionados \u00e0 plasticidade neural no c\u00f3rtex visual prim\u00e1rio ap\u00f3s a priva\u00e7\u00e3o visual. De todo modo, a publica\u00e7\u00e3o deste trabalho avan\u00e7a rumo a uma nova compreens\u00e3o da din\u00e2mica cerebral.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo desenvolvido pelo ICe-UFRN mostra que a aus\u00eancia de luz n\u00e3o desativa parte do c\u00e9rebro respons\u00e1vel pela constru\u00e7\u00e3o de percep\u00e7\u00e3o visual. 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