{"id":117,"date":"2015-06-29T00:00:00","date_gmt":"2015-06-29T03:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2018-10-09T11:30:47","modified_gmt":"2018-10-09T14:30:47","slug":"pesquisadores-do-ice-descobrem-que-proteina-mantem-medo-reprimido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/neuro.ufrn.br\/blog\/index.php\/2015\/06\/29\/pesquisadores-do-ice-descobrem-que-proteina-mantem-medo-reprimido\/","title":{"rendered":"Pesquisadores do ICe descobrem que prote\u00edna mant\u00e9m medo reprimido"},"content":{"rendered":"<p>Seria poss\u00edvel apagar seletivamente uma mem\u00f3ria de medo? Imagine se, ap\u00f3s um assalto, pud\u00e9ssemos manipular nossa mente a ponto de n\u00e3o desenvolvermos um trauma. Pesquisadores do Laborat\u00f3rio de Pesquisas sobre a Mem\u00f3ria do Instituto do C\u00e9rebro (ICe) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) publicaram na revista cient\u00edfica \u201cThe Journal of Neruroscience\u201d experimentos que demonstram que a prote\u00edna BDNF tem papel fundamental na repress\u00e3o das mem\u00f3rias do medo.<\/p>\n<p>Segundo o chefe do Laborat\u00f3rio de Pesquisas sobre a Mem\u00f3ria do ICe, Mart\u00edn Cammarota, a prote\u00edna \u00e9 produzida naturalmente no c\u00e9rebro e \u00e9 primordial para que possamos construir e manter, como parte do nosso acervo mnem\u00f4nico, mem\u00f3rias que recontextualizam positivamente fatos traum\u00e1ticos, mesmo sem esquec\u00ea-los.<\/p>\n<p>Continuando com o exemplo fict\u00edcio do assalto, digamos que a v\u00edtima foi assaltada ao sair da escola e desenvolveu uma fobia a ponto de n\u00e3o querer retornar ao local. Por\u00e9m, se depois ela volta ao col\u00e9gio algumas vezes e nenhum fato negativo acontece, uma nova mem\u00f3ria de n\u00e3o-medo, oposta \u00e0 original, \u00e9 formada e normalmente acaba por dominar o seu comportamento, mesmo que ela n\u00e3o tenha esquecido o epis\u00f3dio do assalto.<\/p>\n<p>As pesquisas do grupo do professor Cammarota sugerem a possibilidade de que f\u00e1rmacos capazes de modular a produ\u00e7\u00e3o, a matura\u00e7\u00e3o ou a sinaliza\u00e7\u00e3o neuronal induzida pelo BDNF (sigla em ingl\u00eas para a prote\u00edna, que significa \u201cfator neurotr\u00f3fico derivado do c\u00e9rebro\u201d) poderiam coadjuvar no estabelecimento de terapias capazes de favorecer \u00e0 contextualiza\u00e7\u00e3o positiva de fatos ou eventos traum\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Para a primeira autora do estudo, Andressa Radiske, esses resultados s\u00e3o fundamentais para compreender os mecanismos moleculares envolvidos no processamento das mem\u00f3rias aversivas e, em particular, o efeito que a express\u00e3o deste tipo de mem\u00f3rias tem na sua persist\u00eancia. Dessa forma, \u201cconhecer as consequ\u00eancias comportamentais produzidas pela utiliza\u00e7\u00e3o de uma mem\u00f3ria de medo j\u00e1 consolidada certamente ajudar\u00e1 no desenvolvimento de medicamentos e terapias para modular sua reconsolida\u00e7\u00e3o e modifica\u00e7\u00e3o\u201d, o que auxiliaria o tratamento de pacientes com ansiedade ou transtorno p\u00f3s-traum\u00e1tico, por exemplo.<\/p>\n<p>No entanto, o docente alerta que apagar completamente um fato traum\u00e1tico n\u00e3o \u00e9 bom porque seria como se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos vivido o epis\u00f3dio, de tal forma, deixar\u00edamos de estar preparados para evit\u00e1-lo. \u201cAs mem\u00f3rias aversivas nos permitem predizer eventos futuros e assim nos preparam para evit\u00e1-los\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO caminho para tratar as fobias n\u00e3o \u00e9 seu esquecimento, at\u00e9 porque seria quase imposs\u00edvel do ponto de vista t\u00e9cnico isolar uma mem\u00f3ria de forma espec\u00edfica, o que dificulta enormemente apagar seletivamente um tra\u00e7o de mem\u00f3ria\u201d, esclarece o neurocientista.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos cientistas citados no texto, tamb\u00e9m participaram da pesquisa Maria Carolina Gonzalez, Janine Rossato, Cristiano K\u00f6hler e Jorge Medina.<\/p>\n<p><b>BDNF<\/b><\/p>\n<p>O BDNF \u00e9 um membro-chave da fam\u00edlia de fatores neurotr\u00f3ficos os quais, entre outras propriedades, modulam a forma\u00e7\u00e3o e o funcionamento das conex\u00f5es entre os neur\u00f4nios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Seria poss\u00edvel apagar seletivamente uma mem\u00f3ria de medo? 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